Carreira

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O dilema da gestão

publicado por Roberto Andrade

dilema da gestão

Por outro lado, independente de qual seja a escolha, os desafios atuais exigem cada vez mais do trabalhador do conhecimento e seus grupos colaborativos, a capacidade de autogestão e cooperação criativa.

Ou seja, de uma forma ou de outra, a necessidade sobre a capacidade de gerir (seja problemas, soluções, processos, relacionamentos, etc) estará sempre presente e faz parte da evolução cognitiva do profissional dos dias de hoje e mesmo do ser humano, cada vez mais integral.

Nesse caminho, surge a busca incansável pelas fórmulas e ferramentas gerenciais que aparelhem esse trabalhador e resolvam essa lacuna.

A grande decepção chega quando se descobre que não será o conjunto de metodologias, técnicas, processos, indicadores, ferramentas, etc. que irão atender aos anseios desses novos gestores. Haverá uma grande lacuna comportamental a ser desenvolvida e descoberta.

Por outro lado, quando falamos de comportamento, pensamos logo nas atitudes, posturas e meios de se relacionar com os outros, liderar equipes, comunicar-se, dentre outros. Assim, gostaria de propor um enfoque diferente sobre essas capacidades cognitivas que afetam diretamente o modo de ver o mundo e de interagir com ele.

Já vi muitos profissionais se sentirem perdidos quando descobrem que, uma vez coordenadores ou gerentes, o que se espera deles não é mais a sua primorosa capacidade de execução e conhecimento técnico profundo. Tampouco a organização consegue comunicar de forma clara e inequívoca, que conjunto de novos comportamentos e atitudes eles devem apresentar para serem bem sucedidos. No máximo, promovem algum tipo de formação em liderança como se tudo se resumisse a boas práticas de gestão de pessoas (como se pessoas pudessem ser gerenciadas, mas isso fica para outro artigo).

Assim, para fugir um pouco das recomendações tradicionais de autoajuda em gestão, gostaria de propor uma reflexão sobre os tipos de conflitos a que se vê exposto o novo líder e que capacidades seria desejável desenvolver.

  • Reduzir a complexidade do que nos cerca, simplificando conceitos e processos, além de propor abordagens mais claras e objetivas para interpretar a realidade;
  • Atenuar as ambiguidades que acompanham o bombardeio de informações e experiências, encontrando razão de ser para elas, mesmo quando admitidas como transitórias;
  • Diminuir a incerteza de que somos acometidos quando não conseguimos dedicar atenção e discernimento suficientes para compreender, classificar e justificar tudo o que nos rodeia;
  • Ter paciência e vontade de lidar com outros seres humanos, todos plenos de sonhos, expectativas e desejos, além de sedentos de algo que lhes dê sentido maior que o simples cumprimento das metas e objetivos acordados.

Estas capacidades ajudarão a construir significado para os desafios. Gostaria de enfatizar o termo construir significados, pois é assim que costumo resumir o principal desafio de um gestor ou líder: A construção, manutenção e renovação de significados.

É essa necessidade de um sentido maior do que a rotina, que impulsiona líderes e liderados na direção da realização profissional e pessoal, garantindo motivação e compromisso com a busca persistente de bons resultados.

Para uma abordagem mais geral sobre construção de significado, recomendo a leitura do livro do psiquiatra e sobrevivente do holocausto Viktor Frankl – Em Busca de Sentido.

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Autor

Iniciei minha carreira em 1984, ocupando diversas posições na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Desde 1996, tenho atuado na implantação e expansão de unidades de negócio de empresas de TI na região norte/nordeste. Considero-me um gestor preocupado em traduzir complexidade, ambiguidades e incertezas de uma forma que viabilize a realização de potencial das pessoas, alinhada com os objetivos estratégicos da organização, mas sem perda da tensão criativa necessária às grandes conquistas.

Roberto Andrade

Comentários

13 Comments

  • Roberto,

    Concordo plenamente com o seu artigo. A simplicidade e objetividade é o grande desafio que temos como gestores e, sem dúvida alguma, quando conseguimos colocá-la em prática, o ciclo dos nossos resultados reduz muito.
    Como líderes, temos também a obrigação de orientar os nossos liderados para assumir desafios maiores, creio que dessa forma minimizaremos bastante o sentimento de incerteza deles quando chegarem às funções de gestão.

    Grande abraço

  • Roberto,

    Realmente, esta é uma excelente reflexão.

    Um grande abraço

  • Roberto,

    Cada vez mais é exigido dos gestores, frente aos seus liderados, atitudes e comportamentos totalmente alinhados a aspectos de simplicidade, paciência, atendimento às suas expectativas, motivação, etc. Aos profissionais, em especial aqueles da carreira Y, cabem o discernimento para evoluirem neste sentido, deixando o lado técnico sempre presente, porém menos enfatizado.

  • Muito interessante seu artigo. A busca de significado nos impulsiona a um sentido mais amplo de construção da nossa pessoa e obviamente da sociedade em que estamos inseridos. Não tenho dúvida de que esse é o fator primordial da motivação, ou seja, como uma causa raiz; na medida que nos posicionamos como construtores de algo que acreditamos ser bom e relevante, criamos energia interna, comprometimento e traduzimos isso ações eficazes e produtivas. O link com Viktor Frankl é excepcional! Parabéns.

  • Caro Roberto
    Seu artigo me parecia correto e bem posto. Até chegar quase ao final.

    Fui então surpreendido pelo termo construir significado.
    Chave de ouro. Só isto já valeu a pena ter lido.

    Passei a vida tentando construir significados.
    E ainda me falta muito.
    Parabéns e obrigado.

    • Obrigado pela sua generosidade e atenção Ivan.

  • Ps. Parabéns Roberto.
    Estou repetindo apenas porque esqueci de sinalizar o “notifique-me”.

  • Muito bom o artigo, embora eu ainda ache que 80% dos gestores de sucesso, “ja nascem” com a capacidade de liderança, qualidade que é apenas aperfeiçoada com o tempo. O que nao quer dizer que um bom tecnico nao possa se tornar um bom gestor. Mas para isto, no periodo de trasiçao entre “colaborador e gestor” vem o primeiro grande dilema a ser vencido, que é mudar o modo de enxergar as situaçoes, refletir sobre as diferenças entre as visoes de colaborador e empresariais.
    Esta tentativa de mudança de visao deveria ser feita por todos que desejam chegar a um posto de gestao, ate mesmo para poderem decidir o rumo de sua carreira (o Y falado no artigo).
    A capacidade de enxergar uma mesma situaçao com as varias visoes, com certeza é uma das chaves de sucesso de um gestor.

  • Gostei muito do artigo do amigo, Xará, Roberto Andrade. Ele fala sobre um perfil e postura profissional que acredito serem muito atuais e que são características que todos devemos possuir em qualquer fase ou posição de nossas vidas profissionais.

    Parabéns!

  • Roberto,

    Muito bom o seu artigo e podemos agregar muito valor ao nosso conhecimento.
    Concordo e indico para reflexão.

    Att,

    Filipe Amaral

  • Roberto, excelente o artigo. Objetivo e toca no ponto central da questão. Você está escrevendo cada vez melhor, com simplicidade, concisão e clareza. Parabéns!

  • Amigo Roberto, quando os líderes conseguem chegar ao ponto de fazer com que seus liderados tenham a consciência de que é necessário para O Todo esta construção do significado, então teremos uma perfeita gestão. Parabéns pelo artigo, recomendarei em sala de aula. Abraços.

    • Roberto

      Mais um artigo seu com muita clareza, objetividade. Hoje o mundo está de uma maneira que pessoas estão sendo trocadas por máquinas e esquecidas que somos seres necessitados de atenção. TEmos que construir significados para termos um mundo significativo. Parabéns. Cada dia me orgulho mais se ser sua irmã.

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