Carreira

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Analisando o sobrenatural: O fantasma da hora extra gratuita

publicado por Thiago Casquilha

Figura - Analisando o sobrenatural: O fantasma da hora extra gratuitaTambém conhecido por “dar uma força”, “mostrar serviço”, “fazer sua parte” e “trabalho escravo”, esta entidade caminha entre nós há milênios, e encontrou no mercado de TI o ambiente perfeito para expandir seu jugo de remuneração desleal.

Geralmente, esta entidade só pode ser chamada pelo seu chefe, em rituais envolvendo planilhas desatualizadas, projetos mal dimensionados e café velho de garrafas térmicas. Caso você receba um e-mail às 17:20 avisando de uma reunião depois do horário, ou seu líder apareça pedindo “esforço extra, pois o prazo está apertado”, tenha certeza: O fantasma da hora extra gratuita foi invocado.

Uma vez chamado, este ser oprime os funcionários até que o projeto termine. Seu líder pode chamá-lo por muitas razões, como para resolver problemas de escopo e planejamento. Mas o mais comum é para fazer o trabalho de várias pessoas com apenas uma, ameaçando-a com outra entidade: o fantasma do desemprego.

Caso você esteja procurando emprego, e deseja saber quais empresas estão sob sua mão pesada e sem dinheiro, repare logo em dois fatores:

Durante uma entrevista, qualquer pergunta sobre remuneração de hora extra é recebida com surpresa, por olhares que expressam saudosismo e uma conta bancária injustiçada. A utilização de termos como “ficamos depois da hora pelo profissionalismo” e “é a marca do profissional responsável” também demonstram que estas pessoas estão possuídas pelo fantasma da hora extra gratuita.

Outra dica importante é durante a comunicação via e-mail, nos contatos iniciais.

Algumas pessoas gostam de colocar frases de efeito ou filosofias em suas assinaturas de e-mail. Ao invés de citar Machado de Assis, ou Ghandi, recrutadoras(es) possuídas(os) provavelmente citarão coisa mais sérias, como Dante Alighieri com “DEIXAI TODA ESPERANÇA, VÓS QUE ENTRAIS!”.

Ao ver algum destes sinais, fuja.

Mas e se eu já estiver trabalhando, como escapar disso? Como exorcizar este ser?

É simples: Vire um consultor e abra uma empresa. Ao ver seu CNPJ, e seu valor/ hora, a entidade fugirá, aterrorizada. E você, que deveria ser recebido com honrarias entre os ex-oprimidos, é educadamente lembrado, às 17:30 , que “já deu seu horário”, e convidado a ir embora, voltando apenas no dia seguinte, às oito da manhã. Afinal de contas, ficar na empresa trabalhando depois da hora, só se for de graça.

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Autor

Consultor SAP BW, Analista desenvolvedor mainframe, fotógrafo amador e quase escritor. Atuei em projetos internacionais de desenvolvimento e suporte à produção, nas empresas de TI que a maioria já trabalhou e todos conhecem. E-mail -> thiago.tiespecialistas@gmail.com LinkedIn -> http://br.linkedin.com/in/thiagocasquilha Twitter -> http://twitter.com/casquilha Todos os artigos por mim escritos, sem exceção, são textos de ficção. Qualquer semelhança com a vida ou fatos reais será apenas uma coincidência de probabilidades astronômicas.

Thiago Casquilha

Comentários

15 Comments

  • Muito boa essa, acho que já vi até um episódio de “Supernatural”(http://bit.ly/WFmfX) sobre isso. Reflete exatamento o mercado de escravos de TI hoje em dia.

  • E quanto tá valendo a arroba do escravo branco por aí?
    aqui em brasília tá valendo pouco, bem pouco…

  • A frase “A virtude está no meio” cabe em qualquer situação, inclusive nessa. Por aqui temos uma política de banco de horas onde parte é remunerada e parte é utilizada em descanso. Até aí seria ótimo, mas tem uma turma que nos datasheets lança várias horas adicionais como “respondendo e-mails” e outras que vocês nem acreditariam.

    Não sou patrão, mas na posição de gestor também percebo que as coisas não podem ser nem tanto ao céu ou ao inferno. Se a companhia não tem nenhuma política de remuneração explora o funcionário, se possui uma polítia justa, o funcionário explora as brechas para ganhar sem produzir.

    Como disse no início, a virtude está no meio. O que falta é bom senso de ambas as partes.

  • Fala Rômulo,
    Melhor do que esta menção ao seriado Supernatural, só mesmo você ter incluído o link pro Wikipedia dele! rs…

    Paulim,
    Se aí na terra do dinheiro a arroba está valendo pouco, imagina aqui no balneário carioca…

    José Ricardo,
    Como você disse, dos dois lados temos extremos, e é sobre eles, e seus excessos, que é interessante escrever.
    Você mencionou algo que eu havia pensado em incluir neste artigo, mas que acabou ficando para um próximo: O fantasma do banco de horas.

  • ótimo post cara =D

    pelo visto, terei que montar uma cosultoria de produtividade em TI chamada GHOSTBUSTERS para exorcizar os diversos fantasmas que habitam o dia a dia das empresas ( o fantasma da hora extra, do banco de horas, do processo de desenvolvimento em cascata fantasiado de RUP, o fantasma do assédio moral , o fantasma do “ótimo é inimigo do bom”, o fantasma do workaround/POG, o fantasma do falso programador Senior, o fantasma da arquitetura de referencia, o fantasma do arquiteto McDonalds dentre outros fantasmas…)

    aqui em Brasília a situação chega a ser previsível: 11 em cada 10 profissionais de TI estão estudando para concurso público, inclusive aqueles formados na federal daqui (a UnB) e sabem que muito provavelmente, quando tomarem posse no órgão público, migrarão diretamente de programadores/técnicos excelentes para gerentes “razoáveis” de terceirizados, ganhando 2 ou 3 vezes o que o mercado pagaria pra ele e trabalhando a metade

    como os concursos hoje em dia estão MUITO concorridos e de fato não existem vagas em concursos para todos, o mercado daqui sempre terá algum conjunto de pessoas para utilizar em seus rituais macabros… seria bom se as empresas daqui começassem a prestar um pouco mais de atenção neste fenômeno e porque ele está tão presente… e os altos salários pagos pelo governo federal não são a única explicação

  • Parabéns pela matéria Thiago.

    Realmente é muito comum no Brasil a CLT ser rasgada e pisada pelos senhores feudais do século XXI.

    Já vi gestores “bricarem” com seus subordinados quando estes saiam no horário, dizendo: “Já vai? Está desmotivado?”.

    Triste ver que o comportamento de ficar até tarde no trabalho é bem visto pelos gerentes, inclusive de grandes corporações que se gabam de ter um bom ambiente de trabalho.

    Aonde fica a vida particular das pessoas? Afinal, trabalha-se para viver ou vive-se para trabalhar?

    Sem falar no sobreaviso eterno que assombra muitos dos profissionais de suporte. Saem do trabalho na sexta-feira com o celular ligado e rezam para que não toque. O pior é a remuneração: Quando há, é paga somente a “hora do acionamento”.

    Ah, algumas empresas que se julgam corretas possuem o famoso banco de horas. Onde se troca a hora noturna de domingo por uma de dia de semana. Neo-escravidão.

    Abraços!

    • Ou então, “Vai tirar a tarde livre?”

    • Vou te dizer que eu não sei o que responderia se ouvisse uma dessas…

  • E aí Marcelo,
    Obrigado!
    “Ghostbusters” é sensacional. Sobre esta situação aí, é a triste farra do emprego público. Sem falar que você está sendo bem otimista com este “razoáveis”..hehe
    Como você falou, quem não consegue estar vagas, se submete, ou promove, os rituais macabros.

    Olá Eduardo,
    Fico feliz que tenha gostado!
    Realmente, fazem o que querem com a CLT. As pessoas, por necessidade, se curvam aos senhores feudais, como você mesmo disse.
    Cara, que gestorzinho era este, hein.
    Pior que num ambiente onde todos saem tarde, se você vai no horário, até os outros funcionários te olham torto. Todos acostumados a isso, e possuídos pelo espírito da hora extra gratuita..hehe
    Certas pesoas consideram o trabalho a sua vida, não tem jeito…
    Já fui vítima também desse sobreaviso. Muito bem lembrado, vou ver se escrevo sobre isso quando falar do banco de horas. Por sorte, nunca tive que lidar com este último.
    Abraços!

  • Interessante as discussões por aqui, acredito que estou trabalhando numa empresa fora dos padrões (rsrsrsrs). Aqui o banco de horas e sobreaviso é religiosamente pago, mas o que já ocorreu é o funcionário ser acionado e dar “no show”.

    Pessoal, posso dizer que por aqui, até pela empresa ser de porte médio essas questões são muito bem endereçadas, assim como se exige muito do profissional, também se remunera pelo esforço e resultado.

  • Não sei se cabe aqui colocar, mas existe diferença entre empregados da TI e de outras áreas no quesito horas-extras? Trabalho num grande grupo que tem seu cálculo já padronizado, mas como sou terceirizado na área de TI, fui informado pelo contador da minha empresa que estamos excluídos desse padrão. Em outras palavras, as empresas de TI teriam uma plataforma diferente para calcular horas-extras. Será que procede? Obrigado e parabéns pelo texto.

  • Fala José Ricardo,
    Cara, considerando o que eu vivi, e pelo que ouço todos (isso, todos!) os amigos da área de TI dizerem, você realmente está numa empresa fora dos padrões. Não vou arriscar dizer que é a única, afinal, dado o tamanho do planeta, devem existir mais algumas como a sua, por opção, ou para respeitar as leis vigentes aonde elas existirem.

    Olá Henrique,
    Acredito que o quesito de horas-extras seja bem democrático por diferentes setores, ou seja, todos profissionais, independente de área, sejam igualmente lesados por esta prática. Conheço muita gente de publicidade que é assombrado por este fantasma, por exemplo.
    Quanto ao cálculo diferenciado, essa pra mim é nova. Pelo visto assim como a inovação tecnológica, novos setores estão inovando na arte das desculpas para dificultar ou diminuir o pagamento dos funcionários e terceiros, como o seu caso!
    Digo, a menos que esse cálculo diferente seja vantajoso pra vocês aí…mas algo me diz que não é tão bom assim, né? heheh abraços!

  • Eu vivi a insólita situação oposta. Foi assim: me formei e resolvi me empregar – sair da academia, já tinha tido o bastante. Achei um emprego de vendedor, em São Paulo, bem do lado do metrô Jabaquara. Nas primeiras semanas era tudo muuuuito difícil – vida nova, morando sozinho, trabalho diferente de tudo que eu já tinha feito e um ritmo frenético, alucinado (eu era assistente de vendas.) Daí eu consegui a confiança deles e me deram a chave, para poder ficar na empresa até a hora que eu quisesse. Oba! Foi aí que começou a ficar legal! Dava 17h, o povo todo ia embora, eu baixava a porta e começava: lia folheto por folheto de todos os produtos, devorava os manuais, repassava a pilha de leads para o dia seguinte, preparava todas as propostas que ainda estavam pendentes – eu me esbaldava! Sem telefone, sem fax (em 1997, e-mail ainda era raro), eu passava mais 5-6 horas arrebentando. Foi assim por um mês, mais ou menos. Atẽ que o diretor da empresa me chamou e me disse: você foi contratado para trabalhar das 8 às 5. Se não dá conta nesse tempo, precisamos rever sua função aqui na empresa. Gulp. Bom, a essa altura eu já tinha aprendido o que precisava, e o ritmo começou a parecer normal, até que ficou tudo meio lento. A pior parte veio depois: aprender a viver em São Paulo, sem dinheiro, solteiro, sem amigos e antes da Internet… O TERROR!!! O TERROR!!!…

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