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Enterprise 2.0: O impacto da Web 2.0 nas organizações e nos tradicionais modelos de gestão

publicado por Marcel Castellani Aldecoa

Os desafios que encaram os líderes empresariais do século XXI são no mínimo tão intimidantes, empolgantes e inéditos como os que enfrentaram os pioneiros industriais no mundo há cem anos. Acontece que, apesar das realizações indiscutíveis até agora, a gestão atual ainda está limitada num paradigma que coloca a busca da eficiência, principal objetivo da administração científica de Taylor, acima de qualquer objetivo. Controle, precisão, estabilidade, disciplina e confiabilidade, características que Max Weber exortava em seu hino à burocracia, ainda constitui o princípio organizador de praticamente todas as empresas do setor público e privado do mundo.

Na contramão dos princípios de gestão modernos estão os constantes desafios e o ritmo acelerado das mudanças. Atualmente as vantagens competitivas se desgastam com maior rapidez do que nunca, globalização, desregulamentação e novas tecnologias reduzem radicalmente a barreira de entrada em uma grande variedade de setores, os ciclos de vida da estratégia estão diminuindo, os custos de comunicação estão em queda livre e poder de barganha foi transferido para o consumidor.

Na busca de inovação e adoção de novas tecnologias para superar alguns destes desafios, empresas apostam em estratégias complementares usando soluções de Web 2.0, focando em ambientes colaborativos, gestão do conhecimento, gestão de projetos, interfaces ricas, wikis, blogs internos e externos, RSS, social bookmarking, redes sociais, etc. Porém a característica orgânica da Web 2.0 afronta modelos tradicionais de gestão e nos faz reflitir sobre a forma de organizar, liderar, atribuir recursos, planejar, contratar e motivar.

Apesar de muitas pessoas usarem o termo “Enterprise 2.0” como referência ao uso da Web 2.0 no ambiente organizacional, acredito que o termo está mais ligado à uma transformação organizacional, ou seja, Enterprise 2.0 = Web 2.0 + Gestão 2.0.

 

 

 

Hoje muitas empresas têm processos de negócios do século XXI, processos de gestão do século XX, mas ambos baseados em princípios de gestão do século XIX. Já as organizações do futuro, com uma Gestão 2.0, irão parecer muito com a Web 2.0, pois:

  • Todos têm o direito de opinar;
  • As ferramentas de criatividade são amplamente distribuídas;
  • A capacidade conta mais do que cargos e credenciais;
  • O comprometimento é voluntário;
  • O poder é concedido pela base;
  • A autoridade é fluída e depende do valor agregado;
  • As únicas hierarquias são as “naturais”;
  • As comunidades são auto-definidas. As pessoas têm acesso a uma fonte abundante de informações;
  • Quase tudo é descentralizado;
  • As idéias competem em pé de igualdade;
  • É fácil para compradores e vendedores se contatarem;
  • Os recursos são livres para perseguir oportunidades;
  • As decisões são tomadas entre os usuários.

Perceba que TODOS os itens acima estão ligados com uma transformação organizacional, não simplesmente com tecnologia. Portanto, não podemos dizer que “Enterprise 2.0” é simplesmente o uso da Web 2.0 nas organizações. O termo “Enterprise 2.0”, no sentido de literalmente criar a próxima versão das organizações, descreve o processo para permitir o sucesso organizacional num ambiente de rápidas mudanças. Apesar de tecnologias como a Web 2.0 serem aspectos críticos para fazer isso acontecer, esse processo é muito mais uma transformação organizacional do que propriamente tecnologia.

Arriscaria-me a fazer uma comparação do “Enterprise 2.0” com o Balanced Scordcard (BSC), pois, no meu ponto de vista, está mais ligado à transformação organizacional do que simplesmente à adoção de um mecanismo de medição de desempenho. Os próprios autores reconheceram isso, pois aprenderam que a mensuração envolve conseqüências que vão além do simples relato do passado. A mensuração converge o foco para o futuro, pois os indicadores escolhidos pelos gerentes comunicam a organização o que é importante. Para o pleno aproveitamento desde poder, a mensuração deve integrar-se no sistema gerencial, convertendo o sistema de mensuração de desempenho em sistema gerencial estratégico. Da mesma maneira a Web 2.0 tem que estar integrada ao sistema gerencial, convertendo a simples plataforma tecnológica em um sistema gerencial adaptativo e inovador.

As empresas estão se esforçando para que TI seja um diferencial competitivo, passando de centro de custo para ativo estratégico. Para isso recomenda-se livrar-se de sistemas e processos legados e construir uma plataforma digital. Mas isso envolve muito mais do que esforço de TI, isso requer uma transformação nos negócios. Para obterem sucesso nesta transformação, os executivos devem repensar como gerenciar e financiar TI.

Se pensarmos na Web 2.0 simplesmente como tecnologia, vamos continuar encarando a TI como custo, consumindo grande parte do orçamento em segurança, controle, monitoramento, etc. Não que isso não seja importante, mas os executivos podem encarar a Web 2.0 mais como um problema do que uma maneira para transformar as atuais práticas de gestão.

Segurança e governança continuarão sendo importantes. Com certeza os fornecedores de soluções e grandes empresas de TI criarão mecanismos para endereçar essas preocupações. Portanto, não consuma seu tempo pensando nos problemas e riscos envolvidos com a Web 2.0. Use seu tempo e energia para criar uma empresa inovadora, adaptativa e com força para competir num mundo em que a Web vem transformando os negócios e o comportamento dos consumidores numa velocidade jamais vista.

Quando ouvir o termo “Enterprise 2.0”, saiba que isso significa muito mais que tecnologia. Isso significa o futuro e a sobrevivência das organizações.

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Autor

Marcel Castellani Aldecoa tem mais de 16 anos na área de Tecnologia da Informação e experiência com projetos internacionais para grandes multinacionais. Seu foco principal é o desenvolvimento de soluções para Inteligência Competitiva, Intranet, Portais, Business Intelligence, Mobile e Redes Sociais. Concluiu seu MBA em Gestão da Tecnologia da Informação na Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA/USP) e obteve seu Bacharel em Administração pela Universidade Anhembi Morumbi (Laureate International Universities) onde também se especializou em Marketing e Vendas.

Marcel Castellani Aldecoa

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