Carreira

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A solidão do Gerente de Projetos

publicado por Alberto Parada

Das profissões que entram e saem de moda a de gerente de projetos é uma que entrou há alguns anos e continua fortemente entre as mais desejadas do mercado.

Infelizmente o que é ensinado nos bancos das escolas e apresentado nos simpósios ainda está muito distante da realidade da maioria das empresas, principalmente as que não têm projetos como fonte de receita. O que mais encontramos hoje, na maioria das empresas, não é um gerente de projetos, mas sim um “office boy de luxo”.

Na maior parte das vezes, a alta visibilidade transformada em moda provoca nas pessoas e nas carreiras uma distorção tão grande da realidade, que são necessários muitos anos e muitos tombos para colocar as coisas nos seus devidos lugares.

A institucionalização do PMO não como uma área onde os projetos são administrados, mas sim como uma função administrativa, somada aos caprichos organizacionais que não entendem que a função de gerenciar não está necessariamente ligada a poder ou status, mas a obrigações e responsabilidades, vem mutilando as funções descritas como melhores práticas para o gerente de projetos.

Estas aberrações criaram nomenclaturas e atividades para o que deveria ser um gerente de projetos que ninguém do RH consegue fazer uma descrição de função que não se assemelhe a um “office boy de luxo”.

Ao invés de gerenciar projetos ele passa seus dias correndo atrás dos recursos que alguém disse que estão alocados no projeto, pedindo pelo amor de Deus por uma posição no andamento das atividades ou uma previsão de replanejamento nas atividades atrasadas. Não raro, é insultado pelos gerentes operacionais e, quando não consegue colocar 100% no status report naquela atividade onde ele não tem nenhum poder de influencia ou decisão, é chamado de incompetente pelo todo poderoso “semi-Deus” PMO.

Seu sonho diário é mudar de emprego, trabalhar onde entregar e gerenciar projetos sejam as atividades que sustentam a empresa, compartilha os sentimentos da maioria dos profissionais que ficam com seus olhos brilhando quando escutam histórias contadas por experientes gerentes de projetos em palestras, simpósios e nos bancos das universidades sobre os projetos que mudaram as suas vidas.

Como diria o velho ditado popular, “quem procura acha”, e é claro quem vai atrás do seu sonho, se qualificando e fazendo um trabalho sério, encontra uma oportunidade para realizar o seu sonho de conseguir gerenciar um projeto do começo ao fim.

Entenda do começo ao fim como ser designado pela alta administração da empresa como o responsável por um projeto no cliente e ter a responsabilidade, desde elaborar e aprovar a proposta comercial juntamente com a área comercial, até participar e sustentar os resultados das margens financeiras e receber de fato (e de direito) os bônus e ônus pelos resultados.

Quando sonhamos, nos imaginamos fazendo coisas, ou vivendo situações boas, gostosas e alegres, jamais pensamos quais serão os problemas que virão junto com as coisas boas que conquistamos. Na verdade, gostaríamos de realizar nossos sonhos de virar um chefe, ter status, comprar um carrão, casar com uma mulher maravilhosa, ter filhos, mas gostaríamos de ter os mesmos problemas de antes das conquistas. Seria como continuar a pagar um IPVA de Palio andando de Mercedes.

Para quem sempre sonhou em ser um gerente de projetos em plenitude, ter um escritório de projetos para apoia-lo com as melhores práticas, lições aprendidas, metodologias de gerenciamento e não como um carrasco, não pode esquecer-se do ônus que a responsabilidade de entregar tem.

Um dos primeiros problemas que não aparecem nos sonhos e reflexo da nova função é a inveja que ser escolhido para gerenciar um projeto grande traz. Acreditamos que as pessoas ficarão felizes com a nossa nova posição, mas esteja certo que a grande maioria olhará e se perguntará, porque você.

Desde o momento do anúncio oficial da nova posição até o dia em que o projeto é encerrado formalmente no cliente e os resultados são publicados, a vida do gerente de projetos se transforma. Mesmo tendo autonomia para contratar e formatar o time da melhor maneira possível para garantir a entrega do projeto e utilizando-se dos processos de contratação já absolutamente formais e consolidados, só pelo fato de ter mudado de status e ser o gestor de um grande projeto na corporação sua vida muda. O que antigamente era simples agora passa a ser complexo.

Isso acontece em todos os âmbitos: a primeira reunião com o cliente é sempre tensa, afinal você será sempre o culpado de plantão, tudo que sair do escopo original, do prazo ou do preço será de sua responsabilidade; o projeto fará parte das suas entranhas, estará no seu DNA e tudo que acontecer com ele estará ligado a você.

Claro que não tem só coisas ruins. A possibilidade de conduzir um grande projeto e colocar em prática a experiência de anos é maravilhoso, porém é perigoso. Projetos grandes inebriam. O fato de conviver diariamente com o alto escalão do cliente e da empresa causa nos gerentes de projetos um entorpecimento causado pela droga do poder. É nesse momento que devemos ter a lucidez de perceber que estamos chefes e não somos chefes.

No dia a dia dos projetos, nos deparamos com situações que se tornam corriqueiras, reuniões terríveis com o cliente, mudanças de escopo, atraso no pagamento das faturas, stress entre as empresas, profissionais com problemas, chefes irritados, planejamento que não é cumprido, e claro: margens de entrega bem diferentes das margens de venda. Tudo que antes era história hoje faz parte da realidade.

As pressões acontecem de todos os lados: funcionários que querem desistir, clientes que pensam em cancelar o contrato, chefes gritando que fizeram um mau negócio. São tantas informações com um poder de destruição tão grande que a única coisa que podemos fazer com elas é não propaga-las.

A sensação de solidão é gigantesca. É comum manter o silêncio até em conversas com amigos nos happy hours corporativos; lembra-se, com saudades, do tempo que se era office boy de luxo, onde apanhar era mandatório, mas as sequelas não eram definitivas.

Por mais difícil e sozinho que sejam estes momentos, acredite que a persistência, o profissionalismo e o equilíbrio emocional e psicológico, são componentes fundamentais para garantir os bons resultados de um projeto. E os benefícios deste são enormes: visibilidade no cliente, reconhecimento profissional e financeiro, possibilidade de alçar novos voos e novas posições.

Infelizmente isso não quer dizer que as invejas desapareceram. Pelo contrário: tendem a aumentar. Você aprenderá rapidamente que seus amigos não são aqueles que estarão ao seu lado quando você cair, mas na verdade serão aqueles que estarão ao seu lado e conseguirão suportar o seu sucesso.

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Autor

Fundador do : descomplicandocarreiras.com.br

Alberto Parada

Comentários

4 Comments

  • Amigos,sempre são bem vindos,em todos os momentos! E pela diversidade humana,sabemos que há amigos que lidam bem com o sucesso e outros,não.Daí, que parece que a gente tem tb de aprender a lidar com o grupo do fracasso e o grupo do sucesso.Digo isto, porque perder amigos, amigos mesmos , é muito difícil,sempre.Aliás,diria que a solidão de gerente é a solidão própria da vida,da nossa existência,talvez a diferença seja o grau de ilusão a que nos submetemos quando a vida anda bem ou não.
    Olha,já experienciei os 2 lados,de quem está a frente de projetos e o pessoal achava que não merecia(me arrependi de não ter aproveitado o momento!)e o momento de quem está do outro lado.Tive realmente, inúmeras vezes a percepção de que aquele colega escolhido de fato não parecia estar preparado para tanto,mas não tive a iniciativa de boicotá-lo.Acho que esse ponto na questão de profissionalismo:o cara pode sentir inveja, isso é um direito privado,mas daí a boicotar o trabalho é outra coisa.O que parece gerar o sentimento de solidão é a mistura de espaços,situações.
    Ou dito por um outro aspecto:tem gerente que quer apoio, solidariedade,com justo desejo,porém, se aproxima de maneira inteiramente equivocada,por exemplo, se metendo na vida pessoal do outro sujeito,etc…a solidão experimentada depois pode advir de tal iniciativa.
    Enfim,é o grande desafio manter o profissionalismo com equilíbrio, sem corromper a própria sensibilidade.
    Saudações.

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