Carreira

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A Geração Videogame e os profissionais de TI

publicado por Caio Azevedo

No inicio desse ano passei aproximadamente 5  horas na game on, uma exposição internacional de videogames no MIS (Museu da Imagem e do Som) em São Paulo. O grande barato da Game On é que podíamos jogar, de grandes clássicos à FIFA 2012. Como grande fã de vídeogames e já passado dos 30 passei parte do tempo nos velhos clássicos e eis que me deparo com uma situação do qual me inspirou esse relato.


Eu jogava o bom e velho pitfal, um clássico do Atari criado pela Activision onde em meados dos anos 80 eu e meu irmão passávamos horas diante da TV pendurados em cordas, pulando sobre a cabeça de crocodilos e escorpiões, até que em determinado momento um garoto de no máximo 12 anos de idade começa a jogar, eu todo empolgado começo a falar do jogo, o moleque vai em frente, passa por umas cinco telas até que “morre” e claro ele precisa retomar o jogo desde o inicio. Para meu espanto o garoto se vira para mim e diz “Como assim, tenho que reiniciar tudo, não quero jogar mais isso” e se manda.

Como já disse sou um grande  fã de vídeo-games e recentemente terminei God of War 3, um jogaço, perfeito – jogabilidade, gráficos, trilha sonora, roteiro, simplesmente demais, mas ao interagir com aquele garoto diante do pitfal lembrei o God of War 3 e de uma situação que venho enfrentando nas ultimas semanas.

Para quem não sabe em GOW 3, e na maioria dos jogos da nova geração, apesar de toda evolução tecnológica percebi que eles prestam um grande desserviço à sociedade – por conta de seus diversos checkpoints e autosave a vida do personagem é muito facilitada, quando o todo poderoso Kratos (o mocinho do jogo) falha, ele recomeça indefinidamente de onde parou, simples assim, e o que é mais assustador ao falhar sucessivamente em um mesmo desafio o jogo lhe convida a supera-lo alterando o nível de dificuldade para algo inferior, um absurdo e se o problema persistir, nossos jovens jogadores simplesmente desistem dele e pegam um segundo jogo da pilha de jogos que ganhou do papai – ou seja, cansei disso – desisto.

Senhores, sem querer generalizar ou criar estereótipos, mas essa geração vídeogame tem levado para sua vida profissional o Kratos em God of War – são invencíveis, impacientes, mimados, sem comprometimento, desistem fácil, e ao depararem com alguma grande dificuldade, simplesmente abandonam o jogo e partem para o próximo.

Recentemente realizei um exaustivo processo seletivo para contratação de mais de 15 profissionais – a maioria desenvolvedores pleno e seniors, e para minha surpresa um dia me aparece um dignissímo, sem formação na área e que declaradamente havia pouco mais de 4 meses de contato com banco de dados e segundo ele, resolveu todos os problemas da sua empresa e por isso estava saindo de lá pois não é mais junior – ok John Nash escreveu sua teoria dos jogos aos 21 anos, aos 15 Mozart já havia composto mais de 20 sinfonias e aos 13 Bob Fisher jogou a partida do século, mas o fato é que nossos colegas não tem a menor paciência na carreira, aliás quem nunca viu um “expert” em javascript brigando pelo cargo de gerente de desenvolvimento ?!?

E o que dizer daqueles que nos primeiros sinais de dificuldade (sejam problemas técnicos, relacionamento entre colegas, cliente e/ou chefe)  se mandam para o próximo emprego, sem o menor comprometimento com seus projetos, seu empregador e pior seu cliente !!

Bom meu amigos, o fato é que precisamos viver bem todas as fases de nossas carreiras, a construindo de maneira sólida, através da obtenção de conhecimento técnico e principalmente experiência. Entendo que só assim teremos uma vida corporativa longa e próspera, como diria nosso velho amigo vulcano – o sábio dr. spok.

Grande abraço e até a próxima…

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Autor

MBA - FGV Administração de Empresas, Graduado em Ciência da Computação, apaixonado por ciências exatas e fotografia. Web System Manager da Samsung e Arquiteto de Softwares. Palestrante, tecno-colunista e instrutor da treinando .net. Criador do aplicativo smartBuy Certificado Microsoftt - MCP, MCAD, MCSD, MCTS e MCPD. LinkedIn.

Caio Azevedo

Comentários

11 Comments

  • Ótimo artigo!
    Estava conversando sobre este tema, a dificuldade em encontrar bons profissionais, a falta de comprometimento e a ansiedade pela velocidade na carreira com uma amigo na última 6a-feira…

  • Concordo contigo Caio, mas gostaria também de olhar a questão de falta de comprometimento por uma outra óptica: a do bom funcionário.

    O que tenho visto em muitas empresas nas quais trabalhei é que a grande maioria dos funcionários são tratados de forma igualitária, independentemente do esforço feito (ou: “do sangue derramado”) pela empresa.

    Não acho que deva haver mérito só porque um fulano trabalha melhor do que beltrano (isso é inveja por parte do funcionário e/ou ingerência por parte de quem mantém alguém não qualificado trabalhando), ou por objetivos atingidos (objetivos são acordados, não adianta aceitar receber $$ pra fazer o serviço, e depois querer $$$$, só porquê acha que virou mestre no assunto).

    Penso sim que deva haver mérito quando expectativas são “superadas”, e na minha opinião é aí que muitos gerentes de área pecam em não tratar tal profissional com a devida atenção.

    É sabido que a grande maioria das empresas não tem bons planos de carreira, e não são poucas aquelas que não tem nem seus próprios objetivos bem definidos quanto ao negócio (e não estou falando de empresas pequenas).

    O que esperar então de um funcionário que se destaca por ser muito bom no que faz, senão que ele almeje desafios maiores?

    Se o gerente/chefe/líder não tem a capacidade/recursos/poder pra proporcionar a este profissional tais desafios, ou até mesmo se a empresa e/ou área na qual ele se encontra não tem muito mais a oferecer, é natural que o mesmo comece a ficar frustrado onde se encontra.

    O mais engraçado é que nas entrevistas de emprego são exigidas cada vez mais do profissional características tais como atitude, auto-didatismo (esta está bastante em voga, pois ninguém quer ter mais o trabalho de ensinar ninguém), dinamicidade, foco, comprometimento, ou seja, características que são basicamente de alguém que é inquieto por natureza (geração Y ?) e que busca dar o melhor de si sempre, não só 10 dias antes do pagamento.

    Falta de comunicação? Culturas empresariais ditadas pelas pressões do mercado? Quebra de paradigma da cultura Chefe X Líder X Orientador?

    Não sei se há uma resposta tão simples.

    Espero apenas não ter sido muito extremista, apenas quis colocar um ponto de vista distinto.

    Abraço a todos.

  • Realmente, esta é a realidade do mundo moderno atual; além de profissional de TI/TA com quase 20 longos anos de experiência, percebo nitidamente nos meus alunos e estagiários que realmente, a qualquer dificuldade, basta apertar o “Continue”, que prefere “Morrer” e começar de novo de onde parou… O Saudade do RiverRaid ou PacMan do meu Atari… quando a preocupação era de não morrer para continuar “Vivo” no jogo. Excelente Post!

  • Poxa, Caio!
    O mercado infelizmente é visto como um playground mesmo… Sem comprometimento, sem amizades de verdade!

    Estava pensado esses dias : Caraka! A gente passa a maior parte da vida no trabalho, e é onde NAO fazemos amigos…

    Paradoxal! rs
    Otimo artigo meu amigo!
    Parabens!

  • Tive a oportunidade de jogar estes dois grandes jogos (GOW 3 e pitfal) e concordo com você quando se refere a diferença de desafio dos dois jogos, ou seja, o piftal é um jogo simples que requer persistência e paciência, mas perde em termos de inteligencia e raciocinio lógico.

    Já o GOW 3, assim como a maioria dos jogos novos, conforme você disse, é um jogo que facilita muito com os seus checkpoints (saves), mas vejo um lado posítivo que é quando você precisa pensar com lógica para resolver alguns desafios no jogo.

    Gostaria de ressaltar também que nova geração está vivendo um mundo de facilidades onde você consegue encontrar resposta para tudo no Google ( oráculo do matrix ), e acredito que isto também contribui na desistência rápida pelos desafios da vida (profissional, pessoal ou até mesmo em um game) pois pra que quebrar a cabeça se o google já te da a resposta?

    Bom… é isto aí!
    Parabéns Caio pela publicação e aguardo mais publicações!

    abraços.

  • Education is important, but disernment beyond any text book is something that is never taught in any college, nor in any classroom, is only self-learned…

    Wisdom and knowledge are never the same thing, many confuse the two to be the same… we all know very wise children of 7 years, and very foolish men of 70 years…

    Usually, a person with discernment is the product of the choices they have made for themselves from lessons in life they have learned, as well as observing and gaining the knowledge of the lessons others have learned.

    What we keep in front of us, is where we go, yes?…

  • Sensacional esse artigo Caio… as novas gerações estão tendenciadas a não pensarem e ao minimo de esforço, infelizmente. Parabéns Caio, sucesso velhinho.

  • É meu amigo , você está certo um artigo completa o outro.
    Espero que muitas pessoas leiam os dois e pensem um pouco a respeito antes de agirem.

    Um abraço,

    Marcelo Bichara

    • É isso ai Marcelo..

      grande abraço..
      Caio Azevedo

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