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A falta de oxigênio no olimpo

publicado por Alberto Parada

A falta de oxigênio no olimpoUma das primeiras dificuldades encontradas pelos alpinistas quando escalam altas montanhas é a dificuldade em respirar; para os mais experientes e audaciosos, que encaram montanhas ainda mais altas onde a necessidade de cilindro de oxigênio é mandatória para chegar ao topo, a afirmação é definitiva: “é impossível respirar sem o auxilio do cilindro”; é sabido que oxigênio é fundamental para a existência da vida inteligente!

Se somarmos essas afirmações, concluiremos que quanto mais alto se sobe menos oxigênio existe e, consequentemente, menos vida inteligente é encontrada.

Levando estas definições para o mundo corporativo, é possível encontrar diariamente uma quantidade gigantesca de profissionais que habitam a base ou o meio da montanha, reclamando que no alto dela não existe inteligência, uma vez que as atitudes e decisões por lá tomadas são totalmente descabidas. E eles não estão totalmente errados. Mas as conclusões nem sempre são baseadas em informações consistentes. Na maioria das vezes são puramente emocionais.

Isso porque a maioria dos profissionais afirma que, pelas decisões e atitudes tomadas não é possível existir oxigênio uma vez que são advindas de uma forma de vida não inteligente, comparando o topo da organização ao da montanha.

Quando se está na base da pirâmide, o que mais se deseja é uma chance para ser visto e mostrar o seu trabalho. Uma oportunidade para apresentar um projeto ou um feito para a diretoria é motivo de noites sem dormir, medo e pernas tremendo.

Cada passo rumo ao cume é muito comemorado e divulgado, muitas festas, promessas de amor e fidelidade eterna aos pares e colaboradores, porém percebe-se uma mudança de atitude e postura depois que é dado o passo que rompe a barreira dos ¾ da montanha. No mundo corporativo seria o equivalente a chegada à posição executiva. Os profissionais mudam, começam a ter um comportamento diferente e, como o alpinista que sobe a montanha sem oxigênio, começa a não entender bem o que os outros falam e a não reconhecer velhos companheiros.

Na verdade, nas duas situações o ar realmente deixa de ser saudável e passa a ser rarefeito, dificultando o raciocínio. No mundo corporativo isso ocorre porque além do exército de colegas e amigos que querem desfrutar do status do conhecido que ficou “poderoso”, a quantidade de profissionais que invejam sua posição por si só já é suficiente para deixar o ar absolutamente contaminado.

Muitas vezes, chegar ao topo pode não ser uma tarefa muito difícil. Alguns oportunistas pouco preparados conseguem, mas se manter por lá, com certeza é para poucos. Tirando toda a prepotência e soberba que alguns ocupantes do cume começam a externalizar (muito em decorrência da falta de oxigênio), os que fazem uso dele e se mantem sóbrios ainda precisam, para se manter vivos por longo tempo, conviver e vencer as barreiras de administrar o nível de expectativa e resultado que todos esperam constantemente dele.

Se o nível de cobrança e visibilidade é muito grande quando se exerce uma função executiva com um poder de caneta médio, imagina o que acontece quando todos os fornecedores, funcionários e “pseudo” amigos ficam sabendo que agora a sua caneta é extremamente poderosa. Não há dúvida que a melhor coisa a se fazer é se fingir de idiota. Caso contrário, farão isso com você.

Para os que olham para cima e criticam os ocupantes do pico do organograma, ao invés de fazê-lo deveriam começar a treinar a ficar sem oxigênio e sentir, na própria pele, como é difícil continuar a pensar, agir e tomar decisões com todo tipo de adversidade encontrada nesta situação.

É muito fácil olhar, sonhar com a posição e criticar seu ocupante. O que realmente é difícil é estar na posição tão almejada e saber lidar não com os benefícios que a concretização do sonho trará, mas sim saber administrar todos os problemas que a nova função possui e que, com certeza, nem se imaginava que eles existissem.

Portanto antes de criticar ou dizer que existe falta de vida inteligente no pico da montanha, experimente chegar lá e se manter por um longo tempo competitivo, performático e, principalmente, vivo!

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Autor

Fundador do : descomplicandocarreiras.com.br

Alberto Parada

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