Carreira

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A epidemia da falta de comprometimento

publicado por Marcinéia Oliveira

A falta de comprometimento é uma epidemia que aumenta a cada dia e tem afetado muitas empresas. Antes de mais nada, é interessante entendermos o que realmente significa comprometimento. Essa palavra deriva de comprometer, que, de acordo com o dicionário Michaelis, significa “obrigar-se por compromisso, verbal ou escrito”. Partindo dessa definição, os profissionais, quando aceitam um trabalho, obrigam-se em acordo verbal e escrito a cumprir determinadas atividades, as famosas atribuições do cargo para o qual foi contratado. No entanto, no dia a dia acabam descuidando desse acordo e não cumprem nem metade das suas atribuições. Vão “empurrando com a barriga” e perdem o compromisso inicial, além do comprometimento.

A maioria dos supervisores, coordenadores e gerentes com que conversei para elaborar este texto me disseram que sabem do que seus funcionários precisam e o que pensam. Mas, na maioria dos casos, estão enganados. Muitos profissionais falaram que estão no trabalho atual até encontrarem outro melhor. Observei ainda que muitos deles encaram seu trabalho como sendo importante apenas para pagar as contas no final do mês.

A falta de um plano de carreira e de atividades desafiantes, além da ausência de reconhecimento, tem contribuído para que profissionais se sintam desmotivados. É importante que o chefe tire tempo para ouvir seus funcionários, para saber quais são as expectativas deles e, principalmente, entender o que os encoraja e incentiva.

É preciso ter em mente que não é apenas dinheiro o que motiva as pessoas. Reconhecimento, elogios e atividades desafiadoras são alguns exemplos disso. Muitos são rápidos em cobrar e distribuir feedback

negativo, mas não têm a mesma agilidade quando precisam agradecer e reconhecer a contribuição da equipe. Além disso, vale citar que a busca por resultados e redução de gastos tem levado algumas empresas a descuidar da qualidade de vida no ambiente de trabalho.

Um profissional comprometido é uma pessoa leal, dedicada e envolvida com seu trabalho. É isso que os leva a trabalhar arduamente em cumprir suas tarefas a tempo. James G. Hunt e Richard W. Osborn autores do livro “Fundamentos do comportamento organizacional” afirmam que “uma pessoa que tem alto comprometimento organizacional é considerada muito leal; é uma pessoa muito envolvida com seu trabalho e é considerada muito dedicada a ele”.

Porém, isso não isso significa que o profissional precise viver para o trabalho. Ao contrário, se for comprometido com suas tarefas, procurará métodos de priorizar e aproveitar melhor seu tempo, evitando procrastinar suas atividades ou acumulá-las.

Podemos dizer que a falta de comprometimento dos profissionais pode acarretar grandes problemas para a empresa. Gay Hendricks em seu livro “A mística empresarial” menciona que um dos problemas que nós consultores encontramos na empresa são o seguinte:

“As pessoas não se identificam com um projeto, uma tarefa ou uma visão. O líder não percebe essa falta de identificação ou resolve ignorá-la. Ao invés de falar, as pessoas se calam e agem como se estivessem comprometidas.”

O problema todo começa com a falta de comprometimento de uma pessoa e termina contaminando um setor inteiro e, em alguns casos, até a empresa.

Para solucionar o problema em sua empresa é preciso abordar a questão: Como inspirar o comprometimento?

Se você é supervisor, coordenador, gerente ou exerce um cargo de chefia, lembre-se de que precisa:
– Dar significado para o trabalho das pessoas;
– Saber qual é objetivo da empresa para com sua equipe;
– Estabelecer metas e prioridades para sua equipe;
– Delegar tarefas de modo correto e monitorar o andamento;
– Aprender a liderar pessoas e não apenas gerenciá-las;
– Não prometer o que não pode cumprir;
– Aprender a ouvir as pessoas;
– Não tolerar baixo desempenho.

Mesmo seguindo todas essas dicas é possível que algum profissional mostre falta de comprometimento ou um falso comprometimento. Nesse momento, não se deve ignorar o fato.Converse com o profissional, fale sinceramente e apoiado por fatos e dados e não com suposições.

Mostre a ele quais são suas expectativas para seu desempenho e investigue para descobrir se existe alguma informação oculta. Não foque sua atenção na pessoa, mas no problema.Você precisa de sua equipe comprometida e tratá-los com respeito e dignidade é importante. Tire tempo para cultivar um relacionamento pessoal com sua equipe.

Artigo publicado no Jornal Corporativo www.jornalcorporativo.com.br – Coluna Canal RH de Marcinéia Oliveira

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Autor

Marcinéia Oliveira é Consultora de recursos humanos, professora universitária, instrutora e palestrante. Autora do livro Não Atenda Clientes.Atenda Pessoas, editora Brasport (2012).Sócia da Inner Smart Consultoria. Colunista do Jornal Corporativo (www.jornalcorporativo.com.br). Certificada para aplicação do instrumento MBTI (Myers Briggs Type Indicator) no Brasil. Pós-graduada em docência do Ensino Superior pela Universidade Candido Mendes. Especializada em Administração e Gestão de Recursos Humanos, coaching em equipes e desenvolvimento de lideranças. Profissional com mais de dez anos de experiência no desenvolvimento humano, atuando em projetos sociais e culturais. É consultora para desenvolvimento de líderes de equipe para as empresas Oceaneering, Caterpillar, Officilab, entre outras. Já ministrou cursos para profissionais de diversas empresas, tais como Petrobras, BR Distribuidora, Acal, Miriam Veículos S/A, Dataprev, Cruzada do Menor, Fugro Oceansatpeg S.A., Banco do Brasil, Brasil Seguros, Bradesco Seguros, Petroserv, Dataprev etc.

Marcinéia Oliveira

Comentários

2 Comments

  • Muito bom artigo, porque aborda os dois lados do problema. a questão do comprometimento sempre é uma via de mão-dupla entre organização e colaboradores. Devemos lembrar também que, do líder, supostamente há um grau maior de comprometimento, o que nem sempre ocorre na prática. Em fim, questão que envolve um certo grau de complexidade por tratar de seres humanos, o maior valor que uma empresa pode possuir.

  • Esrom obrigada por dispor de seu tempo por ler e comentar, isso me deixa muito feliz. Muito importante é nessa situação é a Automotivação, no meu livro eu abordo essa questão. Mostrando que a capacidade de motivar a si próprio, tendo a iniciativa de encontrar uma força ou razão necessária para agir de determinado modo, sem a necessidade de ser incentivado por outras pessoas é algo que muitos profissionais conseguem, não precisam de condições externas favoráveis para se sentir motivados a trabalhar bem. Por fatores externos entendemos a maneira como a empresa, chefe ou cliente nos trata. Para não perderemos nossa motivação é preciso autoconhecimento, saber quais são nossas reais intenções, desejos e aspirações em relação à empresa e nossa profissão. Quando desenvolvemos nossa inteligência emocional nos tornamos capazes de perceber nossas emoções e também controlá-las, usando-as de forma construtiva. Quando aprendemos a controlar nossas emoções, podemos mudar o que somos para o que gostaríamos de ser. Isso é importante porque, em nossa vida diária, precisamos nos relacionar com muitas pessoas.

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