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Imaculada IBM

publicado por Wagner Zaparoli

Steve Lohr, colunista do jornal The New York Times, recentemente celebrou o 100º aniversário da IBM – comemorado em 16 de junho último – comentando sobre as lições de longevidade que a empresa pode dar ao mundo corporativo.

De fato, chegar aos 100 anos contemplando lucros altos, carteira de produtos e serviços aparentemente robusta, ações que estão perto do recorde e valor de mercado que neste ano ultrapassou o do Google, não é para qualquer um. Durante todos esses anos, a IBM se re-inventou por vezes, estabelecendo uma narrativa histórica quase mitológica, cujos produtos se tornaram lendas do pioneirismo tecnológico no mundo.

De acordo com Lohr, diferentemente da Microsoft, Google e Apple, a IBM definiu uma estratégia que contempla forte e duradouro relacionamento com os clientes, profundas capacidades científicas e de pesquisa e um leque ímpar de capacidades técnicas em hardware, software e serviços.

Ele dispõe uma mensagem central sobre as lições da experiência da IBM: “não se afaste do seu passado. Construa sobre ele. Os tijolos cruciais são capacidades, tecnologias e ativos de marketing que podem ser transferidos ou modificados para buscar novas oportunidades”.

A despeito dessa verdadeira saga cantada em prosa e verso, parece-nos que não houve uma grande atenção do público de TI para o fato, ansioso hoje por assuntos como redes sociais, cloud computing e soluções mobile. Talvez a data tenha passado despercebida, como aconteceu com a história pouco conhecida dessa gigante, que veio a público em 2001 (no Brasil) pelas palavras do escritor americano Edwin Black.

Black relata em seu livro – IBM e o Holocausto – que logo no início da Segunda Grande Guerra, através de um programa denominado “recenseamento racial”, a subsidiária da IBM na Alemanha elaborou um trabalho de pesquisa e tabulação da população daquele país a pedido dos nazistas. O objetivo era obter respostas rápidas sobre a sociedade alemã e sobre quem era judeu. Foram distribuídos mais de 2.000 conjuntos de Holleriths para automatizar o empreendimento.

Seguindo os mesmos passos, conforme as tropas nazistas conquistavam outros territórios na Europa, milhares de conjuntos iam sendo implantados, todos com o objetivo de auxiliar o recenseamento das populações locais. Além da identificação dos judeus, a tecnologia fornecida pela IBM era utilizada para gerenciar a distribuição de alimentos, a mão-de-obra escrava e controlar o tráfego de trens. Tal processo de programação possibilitou que milhões de vítimas marchassem rumo às plataformas de embarque, tomassem o trem, viajassem até os campos de concentração e lá fossem mortas em câmaras de gás. Com o final da guerra, restaram muitas famílias dizimadas e uma Europa destruída. Por outro lado, surgiu uma IBM mais forte, cujo slogan corporativo passou a ser The Solutions Company, a empresa para missões impossíveis.

E como em toda história revisitada, vale aqui uma reflexão: se o regime nazista não tivesse contado com o auxílio da tecnologia Hollerith durante a guerra, teria conseguido mudar o destino de tantas pessoas? Será que haveria outra empresa oferecendo tecnologia de ponta, sempre na busca do lucro certo em detrimento da ética e da civilidade?

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Autor

Doutor em ciências pela USP, Zaparoli tem atuado no mercado de tecnologia da informação, prestando serviços de metodologia e governança para grandes corporações como Itaipu-binacional, Petrobras, Visanet e Grupo Europa, entre outras. Atualmente é Superintendente de TI na GPS-Logística, líder no ramo de seguros e gerenciamento de riscos para o segmento de transporte rodoviário. É professor universitário e colunista da Gazeta de Bebedouro (www.gazetadebebedouro.com.br).

Wagner Zaparoli

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