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Gestão de Pessoas: Gladiadores, eu os saúdo! Parte 3

publicado por Israel Bovolini Jr

Eu sou Proximo! Pelos próximos dias, que podem ser os últimos de suas vidas miseráveis, eu estarei mais perto de vocês do que suas pobres mães, que primeiro os jogaram gritando neste mundo! Eu não paguei um bom dinheiro pela sua companhia. Eu paguei para que eu possa lucrar com sua morte. E assim como suas mães estavam com vocês no começo, eu estarei com vocês em seu fim. E quando vocês morrerem – e com certeza morrerão – sua passagem será marcada pelo som de… (bate palmas). Gladiadores… eu os saúdo!

Continuando nossa análise do filme Gladiador (2000), de Ridley Scott, vamos nos focar hoje na figura de outro estilo de gestão apresentado: o “empresário” Proximo. Já falamos do estilo Maximus (efetivo, motivador, proativo, excessivamente prático, pouco político) e do estilo Cômodo (foco exclusivo em imagem pessoal, fraco de caráter e decisão, deficiente em entregas, agressivo). Hoje vamos falar de um gestor que traz equilíbrio a esta balança, mas vale lembrar que todo tipo de gestão apresenta aspectos positivos e negativos. Em essência, uma virtude executada em excesso torna-se um defeito. Maximus era excelente em entregas, mas não sabia praticar politicagem. Cômodo só sabia politicagem, não conseguia entregar nada. Já Proximo era o tipo de gestor mais equilibrado – sabia entregar bem, tinha objetivos bem definidos, e sabia como ninguém divulgar resultados e imagem pessoal.

Pelo que se mostra no filme, o próprio Proximo no passado era um gladiador. Ele fazia parte do time. Em Roma, os gladiadores eram escravos normalmente capturados em batalha, dentre os guerreiros da nação inimiga, e que se fossem fortes, habilidosos ou sortudos o suficiente poderiam ascender dentro da hierarquia a ponto de comprar sua própria liberdade. Proximo foi um desses, que soube gerenciar sua carreira a ponto de aparecer para o próprio imperador, que o tirou da escravidão e permitiu que ele começasse um negócio: uma academia de gladiadores.

(Proximo agarra violentamente um negociante de escravos)

Proximo: As girafas que você me vendeu não cruzam. Tudo o que elas fazem é andar por aí e não cruzam! Você me vendeu girafas eunucos!

Negociante: Eu vou te compensar, Mestre! Hoje é um dia de barganha. Olhe, tenho aqui dois leões e uma pantera. Ouça eles rosnando: “Me leve com você, Proximo!”

(Proximo examina os animais)

Proximo: Quanto?

Negociante: Para você – 8.000 sestércios

Proximo: Para mim, 6.000 sestércios. E eu quero vê-los cruzar.

Proximo tinha uma visão clara de objetivos – ele queria lucrar. Portanto, qualquer ação tomada por ele visava ganhar dinheiro, ou pelo menos não perdê-lo. E ele não tinha o menor escrúpulo em esconder isso e brigar por seu direito, mas sabia ser político quando necessário. Era um estilo de gestão flexível, adaptável, que sabia quando ser duro e quando ceder.

(olhando para alguns escravos)

Proximo: Algum deles sabe lutar? Tenho um torneio para organizar

Negociante: Alguns são bons para lutar, outros são bons para morrer. Você precisa de ambos, eu acho.

Proximo era movido a lucro. Tendo vindo de uma origem muito humilde, ele sempre teve ânsia de enriquecer. Essa é uma característica que muitas vezes falta a um gestor técnico: ambição. Conhecimento técnico em TI é algo fascinante, é desafiador, e conheço muita gente que acaba se perdendo pelos manuais e esquece de que para comprar os manuais é necessário dinheiro. Ou que acaba se iludindo acreditando que se é indispensável, que a empresa não poderá viver sem eles, enquanto que na realidade TODOS SÃO SUBSTITUÍVEIS. É preciso pensar nos objetivos da empresa, sim, mas também é necessário pensar nos PRÓPRIOS objetivos. E se você não os tem (pelo menos uma idéia deles), é uma boa começar a pensar nisso.

(Proximo está com uma espada na mão, ensinando aos agora escravos, futuros gladiadores)

Proximo: Enfiem isto na carne de outro homem, e todos vão aplaudi-los e amá-los por isso. E vocês podem até começar a amá-los por conta disso.

Proximo é movido a ganhos, então qual é a melhor maneira de maximizar os ganhos? DESENVOLVIMENTO. Ele recebeu uma equipe que contém grandes talentos potenciais (como Maximus, Hagen e Juba), mas ao mesmo tempo tem covardes e bandidos – e toda a equipe, sem exceção, ODEIA seu trabalho. Eles não tem alternativa, então o gestor Proximo tem que separar o joio do trigo, e desenvolver os talentos potenciais, sacrificando as âncoras proverbiais. Como fazer isso? Demonstrando o que os espera caso se esforcem, e as penalidades (no caso a morte) caso fraquejem. Ele convence os talentos da equipe a fazer algo imoral (matar outras pessoas) em troca de benefício próprio. Tudo bem que os escravos não tinham alternativa, mas imaginou o que é necessário para fazer uma pessoa ir contra sua própria natureza? Não quero dizer que temos que ensinar as pessoas a serem amorais, mas e quanto a convencer os funcionários a ficar até mais tarde para entregar um projeto? A meu ver, o trabalho criativo é o mesmo, apenas a intensidade é BEM diferente. O gestor Proximo sabe convencer os outros sem apelar para a ignorância, basta ser transparente e saber desenvolver talentos.

Proximo: Em última instância, somos todos homens mortos. Infelizmente, não podemos escolher como morremos, mas podemos decidir como encaramos nosso fim, de modo que sejamos lembrados como homens.

Lembre-se que Proximo já foi um gladiador, já teve que colocar a mão na massa, então ele sabe das agruras pelas quais um funcionário passa. Mas ele sempre teve em mente seu objetivo, e queria deixar um legado, e acima de tudo sabia se vender. Ao passar esta imagem para seus subordinados, ele os motiva à grandeza ou já coloca os acomodados de sobreaviso. Quem é acomodado acha essas palavras um magnífico discurso inútil, acreditando que jamais poderá alcançar este patamar. Para estes, restam dois destinos: ou mudam sua maneira de pensar, ou se acostumam à mediocridade. Mas o gestor tem que apresentar as alternativas para todos.

Proximo: Alguns de vocês estão pensando que não irão lutar. Outros, que não sabem lutar. Todos dizem isso, até estarem na arena.

Para conseguir um bom lucro, o gestor Proximo tem que saber onde investir. E, como eu disse antes, Proximo quer ganhar dinheiro, ou na pior das hipóteses não quer perdê-lo. Para isso coloca TODOS os escravos comprados para lutar na arena. Ele já mostrou o que os espera caso se esforcem ou fraquejem, então é a hora de colocá-los à prova. Proximo é muito pé-no-chão, sabe que os covardes comprados renderão algum dinheiro morrendo (a platéia já pagou o ingresso), e que os talentos representarão mais lucros potenciais, pois continuarão lutando, e trarão mais gente para assisti-los. Na nossa realidade, a pessoa que se convenceu a ser medíocre vai tapar algum buraco durante algum tempo, mas assim que surgir um talento ela é a primeira a ir para os leões. E desarmada.

O gestor deve desenvolver as pessoas, mas as pessoas devem QUERER ser desenvolvidas. Se não houver ressonância, é melhor para ambos que a parceria se acabe.

Maximus: Meu trabalho é matar, então eu mato. É suficiente.

Proximo: É suficiente para as províncias, mas não é suficiente para Roma.

Ao perceber um grande talento, o gestor Proximo vai tentar desenvolvê-lo ao máximo (ou Maximus? Eu sei, trocadilho horrível). Não adianta negar, mesmo o mais brilhante funcionário um dia acorda desmotivado, tenta se acomodar. É comprovado cientificamente que nosso cérebro sempre busca o conforto, então que levante o elmo aquele que nunca pensou “ah, vou fazer só o que me pedem, não sou pago pra pensar”. Enquanto gestor, você TEM que perceber estes momentos e criar desafios para que seus talentos não percam o foco. Saiba desenvolver os pontos fortes de seus funcionários, mas NUNCA deixe de olhar para as fraquezas que impedem o crescimento deles. Sua promoção vai começar de baixo – sua equipe vai criar a base que te empurra pra cima, e sua tarefa é puxá-los junto com você.

Proximo: Ouça o que eu digo. Aprenda comigo. Eu não era o melhor porque eu matava rápido. Eu era o melhor porque o povo me amava. Ganhe o povo e você vai ganhar sua liberdade.

Proximo percebe o que falta em Maximus para que ele consiga cumprir seu objetivo: politicagem e marketing pessoal. Maximus é um gestor excessivamente focado no trabalho, é excelente em entregas, mas tem deficiência de relacionamento. Ele pensa que se cumprir os objetivos terá alguma chance, mas – adivinhem só – está enganado. É necessário entregar, sim, mas é ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIO saber divulgar a entrega. Equilibradamente, para não se tornar um Cômodo, destaque sua participação decisiva (se houver) no projeto, o que você contribuiu, como você desenvolveu seus funcionários. Acima de tudo, saiba para QUEM você divulga. Saiba visualizar quais são as pessoas-chave que podem te ajudar a crescer. Seu superior imediato, seu cliente, seus funcionários? Tudo depende de seus objetivos. Então, planeje!

(Falando de como Cômodo conseguiu apoio do povo promovendo jogos de gladiadores)

Proximo: Ele sabe muito bem como manipular o povo.

Maximus: Marco Aurélio tinha um sonho de como seria Roma, Proximo. E não era nada disso. Não é nada disso!

Proximo: Marco Aurélio está morto, Maximus! Nós, mortais, não somos mais que sombras e pó. Sombras e pó, Maximus!

Normalmente, o grande talento tem grandes ideais. Maximus perseguia um sonho, uma utopia, e não tinha o distanciamento necessário para perceber que era irrealizável. Proximo visualizava a realidade – sua origem humilde o fez assim – então procurava sobreviver dentro da situação. Em todos os casos, o status quo já está estabelecido. Cabe a você saber o que precisa mudar EM VOCÊ para que a realidade seja aceitável. Molde seus planos para que eles não conflitem com o ambiente estabelecido, antes saiba usar este ambiente para atingir seus objetivos – dá mais trabalho, mas dói bem menos.

(Proximo concorda em libertar Maximus para que este comece uma revolta)

Maximus: Você está correndo o risco de se tornar um bom homem, Proximo?

Proximo: Ha! Eu sei que você é um homem de palavra, General. Eu sei que você morreria pela honra, por Roma, pela memória de seus ancestrais. Mas quanto a mim? Eu sou um homem de negócios.

Chega o momento em que o gestor Proximo tem que abrir mão de seu talento. Seja para ocupar seu lugar, seja para outra empresa, não há como evitar. Se for para ocupar seu lugar, que seja de uma maneira que você seja promovido e o leve junto com você, até o ponto máximo. Saiba manobrar sua carreira para que o crescimento ocorra em cadeia, promovendo os talentos para que eles possam prosseguir com seu legado, e deixando sua assinatura na vida de uma empresa. Mas nunca esqueça que a grandeza passa pela realidade, grandes sonhos envolvem grandes obras. Tenha o pé na realidade e a cabeça na grandeza, e sua carreira tende a ser um sucesso.

Com este encerramos a série de artigos sobre este filme. Na próxima semana vou tratar de um assunto mais sério, que muitas vezes estraga o sono de todos os envolvidos: o momento da demissão. Até lá!

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Minimum Way

Autor

Trabalho na área de tecnologia há 12 anos, tendo sempre um perfil generalista, atuando desde o levantamento de requisitos, passando por análise de sistemas, desenvolvimento, implantação e fazendo acompanhamento pós-venda. Atualmente me dedico à liderança e coordenação de equipes de desenvolvimento, procurando sempre extrair o máximo de cada um e aplicando seus talentos para que todos saiam satisfeitos. Acredito que não exista um profissional cujos talentos não possam ser aproveitados em algum aspecto de um projeto, basta saber estimulá-lo a isso. LinkedIn: http://br.linkedin.com/in/ibovolini

Israel Bovolini Jr

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