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Empresas engessadas, profissionais medíocres

publicado por Alberto Parada

Empresas engessadas e profissionais mediocres.É interessante ler todos os dias nos jornais e periódicos, não só os que falam sobre TI, mas os que abordam as corporações de maneira geral, que a revolução em curso que as empresas e profissionais estão passando em decorrência da interminável e, para muitos, a terrível evolução tecnológica, está transformado visceralmente todas as empresas, sejam elas grandes, médias ou pequenas. São tantas e tão velozes as mudanças que dificilmente aparece algum “guru” se arriscando a dar previsões sobre como estarão as empresas daqui 5 ou 10 anos.

Juntamente com essas notícias, vem quase que incrustadas uma quantidade tão interminável (e diria até mais terrível que elas) de cursos, seminários e workshops que pretendem levar aos profissionais e às corporações o novo modelo de organização, pregado por muitos como a organização do futuro. É claro que tudo isso, como já falamos algumas vezes, gera uma ansiedade muito grande nos profissionais, independentemente de serem iniciantes ou mais experientes.

O que pouco se encontra nos periódicos são matérias que mostrem as resistências que as empresas, e consequentemente os profissionais, tem a enfrentar mudanças, de se adaptar aos novos tempos.

O que se vê (e isso não se limita apenas às gigantescas e ainda consideradas por muitos, paquidérmicas corporações, mas também é encontrado nas médias e pequenas empresas que em solo tupiniquins são maioria) é a criação de emperrados e burocráticos processos que tem o objetivo único de manter o “status quo” da empresa. A justificativa? Se que foi assim que se chegou a atual posição do mercado, é assim que se conseguirá alcançar e bater as metas.

Diferente do que possa parecer, as atitudes acima escondem na verdade o imenso medo que as pessoas e as corporações têm que mexam no seu queijo (“Quem mexeu no meu Queijo?” de Spencer Johnson).

Quando as empresas nascem, o grande impulsionador do crescimento é a inovação. Fazer o diferente e criar sempre o novo com o objetivo de ganhar dinheiro e espaço no mercado é vendido e incentivado a todos os colaboradores. O sonho é alcançar o modelo do GOOGLE, onde os técnicos nem sempre têm horários (e podem até trabalhar de bermuda) e os executivos quase sempre estão envolvidos com a vanguarda da inovação.

A maioria dos propulsores sucumbe imediatamente após a empresa apresentar crescimento e ganhar um espaço no mercado. Normalmente, eles dão lugar para ações quase feudalistas advindas dos proprietários ou ditatorial por parte do CEO. O objetivo é crescer sim, vender mais sempre, mas desde que o modelo não mude.

O que no início era entendido como uma atitude inovadora dos colaboradores, transforma-se em rebeldia. Alguns diriam até indisciplina.

Com o passar do tempo e a perpetuação do sucesso do modelo feudal, que se mantem graças às metas alcançadas, os executivos têm a falsa impressão que o modelo é o ideal e que os processos funcionam perfeitamente.

Este ecossistema propicia o aparecimento e a propagação de uma espécie interessante e muito frequente nas corporações com este tipo de administração: o funcionário medíocre. Aquele que está na empresa há muitos anos, que por muitos é considerado uma referência mas, que uma análise um pouco mais detalhada, mostra que ele não faz nada há muito tempo, apenas sabe surfar na burocracia criada e tira proveito dela, às vezes aparecendo e às vezes sumindo, mas sempre sobrevivendo.

É claro que instituições e pessoas como essas têm prazo de validade. Muitas empresas são compradas ou absorvidas todos os dias e muitas destas culturas são implodidas. Graças a Deus!

É preciso mostrar que corporações e profissionais deste tipo ainda existem em boa quantidade e que infelizmente, diferente do que os jovens sonham, este é um mundo ainda bem real.

O objetivo não é jogar um balde de água fria em quem está chegando ao mercado, muito menos desmotivar quem acredita que a mediocridade corporativa esteja chegando ao fim. O importante é mostrar que o que parece em extinção ainda é a regra, e que ser um inovador, na maioria das vezes, é mais difícil e arriscado do que se possa parecer.

O desafio é saber navegar no mundo corporativo e entender que é impossível se manter o tempo inteiro inovador e desbravador, como também é hipócrita dizer que jamais será necessário ser medíocre para se manter vivo.

 

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Autor

Fundador do : descomplicandocarreiras.com.br

Alberto Parada

Comentários

2 Comments

  • Caro Alberto, sempre encontramos os desafios da convivência com pessoas de formação e culturas diferentes…
    Este cenário de forma natural expõe os diferentes focos que movem as forjadas personalidades com as diferentes vivências…
    É oportuna e feliz sua colocação, porque não admitir seria o mesmo que negar a verdade e assumir uma medíocredade perene.
    Sempre tentei expor o “alvo” a “meta”, assim evito conflito e diminuo as perdas, pois o confronto é prejuizo liquido.
    TEnbho a politica de não dizer não e sim aceitar as sugestões mediocres com a fala de que no próximo projetyo poderemos avaliar sua execução… findo o projeto em curso pergunto a quem fez a sugestão pedindo uma explicação melhor… na maioria esmagadora das vezes o próprio individuo faz uma auto-crítica e diz; o resultado foi excelente é melhor manter a idéia atual.
    Se falamos não e/ou criamos um conflito a atitude é sempre de auto-defesa e entramos em uma interminavél onda de explicações e justificativas, outrossim, o colaborador que escuta um não ou é afrontado fica quase improdutivo.
    Abraços e parabens.

  • Desculpe-me a demora. Esse assunto pode dar tema para uma tese. Não sou um especialista nesse assunto mas vou me atrever em passar minha visão. Creio que é difícil separar o momento de uma análise histórica. Sempre que me deparo com as inovações que batem a nossa porta e que requerem uma mobilização rápida das empresas brasileiras para fazer frente e estabelecer medidas emergenciais, quer sejam elas advindas de novas tecnologias, novos modelos de negócio, ferramentas de gestão, novos comportamentos requeridos e assim por diante, imagino que as empresas brasileiras respondem como alguém que possui um compromisso profissional, de hora marcada, perdeu o avião por causa do transito caótico e está tentando nesse momento garantir um assento no próximo voo em uma fila de espera, concorrendo com mais cinquenta outras pessoas que possuem o mesmo propósito e se atrasaram pelo mesmo motivo. Bem esse fato comum nos faz pensar que pelo menos cinquenta pessoas serão consideradas medíocres. Nesse pequeno e triste momento que relatei quis demonstrar o que talvez aconteça em muitos ambientes empresariais. Estamos sempre atrasados, sempre correndo para pegar o próximo voo. As razões são claras, alguém está ditando o ritmo para uma dança que não aprendemos a dançar.
    As empresas são engessadas ou se engessam. Muita embora a cultura e a burocracia de certos ambientes sejam barreiras para a inovação, um aspecto a considerar é se toda a inovação traz benefício. Certamente pela falta de uma gestão que privilegia o planejamento associado a uma boa visão de onde se quer estar, quando e qual o custo para se alcançar, as inovações são vistas dentro da ótica de uma competência analítica, que determina que ações e inovações atenderão a visão dentro de um custo aceitável e com uma boa ciência do retorno.
    Mas isso é obvio? Então por que não fazemos assim? Simplesmente por que não sabemos. Então temos mediocridade associada ao engessamento como meio para permanecer ou mudar um pouco a forma como operamos.
    Como dizem os iniciados ” O que importa não é chegar mas o caminho que percorremos”. Usei essa frase para explicar o meu ponto de vista, que é o seguinte. O que falta é o aprendizado do caminho. Para deixarmos o engessamento de lado e eliminarmos a mediocridade é preciso que exista aprendizado, o que significa a audácia de tentar, errar e aprender.
    Quando olho para o ritmo da dança que não aprendemos a dançar é exatamente o segredo e a diferença entre quem dita e quem tem que seguir. Precisamos antes de mais nada aprender a dança para depois inovarmos com novos passos. Então em algum momento futuro, estaremos no avião certo para chegarmos na hora marcada e posteriormente quando o caminho for repetido várias vezes, poderemos estar antes do compromisso marcado para ensinar os novos passos.

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