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Colaboração X Competição – O fim do “canibalismo profissional” na Microsoft

publicado por Antônio Sérgio Borba Cangiano

Colaboração X Competição - O fim do "canibalismo profissional" na MicrosoftEm toda a vida de profissionais em organizações o dilema está no conflito entre incentivar a competição ou a colaboração.

Quando se trata de cultura, as mudanças são lentas mas não impossíveis. Muitos acreditam que a competição entre colegas traz ganhos e benefícios, a MS incentivava isso com prêmios e bônus individuais, criando a visão  de que não existam outras formas de subir na carreira. Imperou o individualismo acompanhado de solidão camuflada por um séquito de falsos apoiadores que em qualquer momento potencialmente tornam-se puxadores de tapete. Quem não viveu situações dessas? Não obstante continuamos a acreditar que a competição acirrada e a derrota de adversários, é o caminho para o sucesso. O que permanece é  a guerra de um contra todos e todos contra todos tudo para mostrar à organização quem é melhor e insubstituível.

Sabe-se que todos são substituíveis em questão de tempo, em conseqüência entra-se em outra armadilha oculta ao tentar responder quanto o trabalho individual vale para a empresa, e caso encontre evidências desse valor conforte-se  seguro em zona ilusória, porém preocupante que obrigue a  checar sempre a superação do custo de seu salário e a empresa supostamente reconhecer esse valor  e garantir o emprego enquanto esse cenário não mudar. Essa roda viva não tende a desacelerar e o ciclo “workalcoolic” ao contrário amplia-a, comprometendo laços afetivos, família, amigos, hábitos saudáveis, potenciais novos hábitos, degrada a saúde, nos torna chatos, portadores de  uma única conversa, uma única batida, a que é reproduzida por não viver alternativas pessoais instigantes, e pior a empresa perde com empregados desse tipo. Não interessa conversa sobre outro assunto que não tenha como pano de fundo  a ascensão na empresa.

O papo mais agradável nas rodas é limitado ao time de futebol do chefe, o time pessoal que é o mesmo do chefe, e fotos e fofocas sempre envolvendo paixões e amores, que quer queira ou não podem queimar  adversários,  formar inimigos ou parceiros.  Apesar da literatura da disciplina de Administração expor múltiplas abordagens humanistas, comportacionais, holísticas e por ai vai, lideranças mundiais continuam instigando a competição predadora e formam culturas canibalísticas com bonificações nem sempre benéficas, nem para o profissional nem para a organização.

O mercado de trabalho está cheio de profissionais altamente ganhadores de bônus, expurgados pelas sequelas de ações mal utilizadas recorrentes do CHAComportamentos, Habilidades e Atitudes no trabalho. Em empresas vimos casos de manipulações contábeis, ou de lances decisórios de fusões e marketing que precederam saídas espetaculares de profissionais milionários da alta direção, com os bolsos cheios de bônus, Stock Options, dividendos e outras benesses, mas que em alguns casos tornou a empresa insustentável decorrente de atitudes ludibriadoras que inflam momentaneamente os resultados e quando a realidade rebordosa prevalece muitos outros irão reforçar as filas de entrada para os “head hunters” e aumentar a leitura dos classificados de empregos.

Os princípios de governança atuais exigem transparência de rendimentos, bonificações e decisões de risco com objetivo de proporcionar variáveis controladas e publicas para a  perenidade das organizações. Decidir é mais fácil que administrar a decisão, e por isso boa governança tem valor econômico e financeiro.  Preciso deixar claro que não sou contra prêmios, bônus, ou remuneração, sou a favor desde que  por efetivos resultados alcançados, sobre ganhos empresariais realizados e prêmios para a forma colaborativa preferencialmente ligados ao conhecimento organizacional, novos conhecimentos e inovação. Tenho a opinião que premiação de equipes e participação nos lucros e resultados são motivantes.

Resultados não se obtém individualmente, todo dono de padaria sabe disso, depende do padeiro, de fornecedores , do atendente, do ajudante, do chefe, do caixa, do comprador, do contador, do sócio, do cliente em gostar do pão, dele comprar produtos criativos do confeiteiro, enfim mesmo em um empreendimento simples existem uma diversidade de “stakeholders“, (interessados)  que cooperam e divergem entre si para o sucesso do empreendimento. Sempre observei ótimos resultados  pela colaboração, onde a partícula Co é o elemento com o sentido de companhia, concomitância, simultaneidade. (ex.: coadjuvar, .coerdeiro), http://www.priberam.pt/dlpo/co-, e no caso específico CO– Elaborar, CO-Labor-ação ou seja CO -Trabalho-ação (labor = trabalho em inglẽs) resulta em Ação no trabalho, CO ( conjunta, em companhia, concomitante, co-participação).

Esse termo não é CO-Operação, que significa operação conjunta e não elaboração.  Este significado é  muito mais adequado na moderna sociedade da informação e conhecimento do que na antiga sociedade industrial de natureza sequencial. A colaboração é composta de:  descoberta de conceitos compartilhados no progresso do trabalho, descoberta do problema, do projeto,  da troca de conhecimentos no domínio do problema, nos planos e metas a serem comprometidos , no entendimento e superação das variáveis circunstanciais do problema, podem estar perenes ou momentâneas, e resulta no aproveitamento máximo do conhecimento tácito, individual se tratado na equipe, só assim se pode produzir inovação, tanto no processo de operação, como em serviços e produtos do trabalho e resultar em mais intimidade com o cliente,  sem perder de vista a singularidade do cliente, com ganhos em escala para todos.

Fornecer colaborativamente inovações que captam o mais íntimo fator de sucesso do cliente, colaborando com ele, preservando o ambiente e empresas com conceitos de sustentabilidade econômica e ambiental aplicados. Tudo isso não é possível em uma cultura individualista, canibalística por natureza , com desperdícios e comprometimento ambiental para as  novas gerações. A MS deu o passo correto, vai preparar sucessores para culturas cooperativas e com isso ganhar em inovação e intimidade com clientes que marcou o inicio da empresa.  Na sociedade do conhecimento não há lugar para trabalho exclusivamente fundado no esforço individual, a produção do conhecimento e inovação  são colaborativos.

Microsoft axes its controversial employee-ranking system

By Tom Warren on November 12, 2013 12:53 pm 

[Crédito da Imagem: Colaboração – ShutterStock]

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Autor

Mestre em Engenharia de software: redes de computadores pelo IPT - USP, Bacharel em Ciências Econômicas e em Ciências de Computação, ambos na Universidade Estadual de Campinas. É Certificado pelo PMI em Gestão de Projetos – PMP e Conselheiro de Administração e Fiscal – IBGC/CCI. Experiência em empresas multinacionais, nacionais e públicas de grande porte: IBM, Ericsson, Unisys, Atos Origin e no SERPRO como diretor de gestão empresarial. Atuação executiva nas áreas de TIC, Finanças e venda de soluções. Conhecimento e habilidade nas áreas de: Planejamento, Gestão, Comercial, Projetos, Certificação Digital, Viabilidade Econômica/Financeira, Segurança e Sustentabilidade. Hoje exerce cargo de Assessor da Presidência do ITI – Instituto de Tecnologia da Informação – responsável pela ICP Brasil. Autarquia supervisionada pela Casa Civil do Governo Federal. Participa da câmara de segurança e é membro substituto ambos no CGI.BR.

Antônio Sérgio Borba Cangiano

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