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As voltas que o mundo dá: Por cima da carne seca?

publicado por L.Midas

Para quem chegou agora, eu contava da conferência em Berlim no final de 2011. Para mim, um dos pontos mais interessantes foi o discurso de um ilustre vice-presidente do YouTube. O sujeito, muito bom de apresentação por sinal como todo americano que se preze que tenha uma posição de relevância, dominou a cena por mais de 45 minutos sem ser cansativo. Pelo contrário, utilizou do humor, aliviou o cansaço no meio da sessão com um vídeo animado, um show. Um dia eu, tadinho de mim, ainda chego lá…..

O ponto do discurso desse senhor de uns 30 e poucos anos, como convém a um dinâmico executivo do Vale do Silicone, era o quão importante o dispositivo móvel havia se tornado para o YouTube. Há um tempo, a Google (como vocês sabem, dona do YouTube) havia anunciado seu foco nos dispositivos móveis com o chamado “mobile first”.  Bem, isso eu já sabia, agora o discurso sobre o YouTube enfatizou como o eles estão desenvolvendo os clientes/apps para os telefones utilizando um “cache” especial, específico para otimizar a experiência / transferência de videoclips nas redes celulares. Mostrou gráficos da explosão do uso do YouTube no telefone celular. O esforço que o YouTube está fazendo em prover, independente do dispositivo (feature phone, smartphone, TV, tablet) e do sistema operacional (Android, Microsoft, Apple, não estão discriminando nenhum), simplesmente a melhor experiência móvel ao usuário. Contou histórias de como as pessoas estão, na hora de escolher o celular para comprar, experimentando o YouTube como fator decisivo na escolha do dispositivo. Em resumo, dispositivos móveis e YouTube em uma total simbiose, um dependendo do outro tudo para suprir a melhor experiência ao usuário.

Interessantemente, ficou ausente do falatório a resposta ao famoso “E aí, o que é que eu ganho com isso” vindo por parte das operadoras. O discurso do rapaz era o famoso “venha a nós” mas nada do “vosso reino”. Um colega meu perguntou: “E aí, o que as operadoras devem fazer para que a iniciativa seja um sucesso de mão dupla?” e a resposta, meio que uma saída pela tangente, foi: “As operadoras devem treinar seu pessoal nas lojas explicando como os clientes podem utilizar o YouTube”. Quer dizer, nada ainda sobre o que as operadoras ganhavam com os usuários do YouTube mandando ver nos downloads de videoclips. Além do aumento do tráfego, algo que hoje em dia é palavrão (um segredo: as operadoras atualmente, já que todo mundo tem tarifa fixa, não querem que você utilize a sua quota, isto é, quanto menos da sua cota você utilizar melhor para elas – exceto no caso do usuário que cogita trocar de faixa, fazer um upgrade para uma cota mais alta) YouTube ou não YouTube para as operadoras tanto faz, já que não há um incentivo especial do tráfego ser oriundo do YouTube.

Eu, há muito me entretenho com uma idéia. Criar uma “assinatura YouTube”. Tipo, o sujeito paga 5 dólares a mais e tem acesso ao YouTube que é contado independentemente da cota dele. Porém, para que essa idéia dê certo, não faz sentido que hoje em dia o sujeito utilize o YouTube gastando mais de 5 dólares. Nesse caso, o operador perderia dinheiro. Então, idealmente o sujeito hoje paga MENOS que os ditos 5 dólares mas ficaria feliz em pagar MAIS, isto é os 5 dólares extra por uma “assinatura YouTube”. Bem, para que essa mágica se aconteça, já que o usuário não é burro e não vai pagar esses 5 dólares a mais de bobeira, o YouTube e as Operadoras tem de entrar num acordo. Talvez uma operadora, utilizando sua “CDN – Content Distribution Network”  poderia então assegurar uma melhor experiência, talvez o YouTube conecte-se com a operadora através de um “link” ultra-rápido (estou pensando alto aqui, tá?), ou até mesmo tudo isso junto sem custo para o usuário mas a operadora recebe do YouTube um percentual de repasse vindo dos anúncios. Algo que diferencie, para uma dada operadora, o tráfego vindo do YouTube de todos os outros e que, devido a esse tratamento diferenciado, gere uma receita a mais para a operadora. O famoso win-win, concordam? (A propósito, qual a tradução de win-win para Portuguës? Ganha-ganha?)

Pois bem, no intervalo, aproximei-me do dito cujo, fizemos as devidas apresentações e por final perguntei “Bem, o senhor falou muito da importância das operadoras para o YouTube, mas não mencionou nada a respeito de possíveis modelos de negócios conjuntos. Qual sua posição a respeito?”.

O sujeito olhou-me fundo nos olhos e lascou “Olha, no momento, ainda não cogitamos em cobrar das operadoras pelo privilégio dos usuários delas acessarem o YouTube”.

Touché.         <—-Ele

🙁                        <—-Eu

Na próxima crônica, retorno ao tema que a gente tem que ter cuidado quando se está por cima, porque o mundo dá voltas. Volto a falar das nuvens e do potencial que existe para que o dito senhor e os outros maiorais da WEB & IT em breve se arrependam de haverem tratado as operadoras com tamanho desdém….

Feliz Páscoa!

Comam muitos ovos de chocolate porque por esses lados de cá os ovos são de papel com balinha dentro, coisa mais sem graça…..

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Autor

L.MIDAS é analista de negócios de uma das maiores multinacionais do setor de telecomunicações e orador frequente em conferências sobre novas tecnologias, novos negócios e seu impacto no cotidiano das pessoas. O autor, natural de Belo Horizonte (MG) reside há mais de 10 anos em Estocolmo, Suécia, com sua esposa e três filhos. Seu primeiro romance, "Redes Sensuais", foi definido pela escritora Chirlei Wandekoken como “Uma trama inteligente, moderna e altamente sensual que retrata os impactos das Redes Sociais nos relacionamentos de forma cosmopolita e abrangente”. http://www.facebook.com/LMidas.Homepage http://www.facebook.com/RedesSensuais Michael Dahlén, autor de Nextopia (www.nextopia.info) e cinco outros livros, considerado um dos mais influentes pesquisadores do mundo na área de comportamento de consumidores, criatividade e marketing assina o prefácio da obra e afirma: “Um romance provocante que expõe os efeitos colaterais da internet” NOVIDADE: AMOSTRA GRÁTIS DE REDES SENSUAIS - Link para download de um "test-read" das primeiras 150 páginas da obra. http://ge.tt/78mDJLP Comentários, fotos, fórum de leitores na página: www.facebook.com/RedesSensuais

L.Midas

Comentários

5 Comments

  • Na boa!!! Achei muito legal a resposta do cara… Sou cliente de três operadoras diferentes e posso falar que as três tratam o cliente com pouco caso…

  • “O ponto do discurso desse senhor de uns 30 e poucos anos, como convém a um dinâmico executivo do Vale do Silicone, era o quão importante o dispositivo móvel havia se tornado para o YouTube.”

    Vale do Silicone? Com todo respeito, mas você é médico ou profissional de TI?

  • Ótimo artigo mas você está esquecendo sua língua natal.
    Vale do Silício.
    Tá perdoado.

    skål

  • Desculpem o trocadilho infame….. mas de fato lá na Califórnia além do silício também tem muito silicone. Devia ter colocado em itálico, mas foi bom porque pelo menos dessa maneira alguém notou… meu humor é assim mesmo….

    😉

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