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Terceirização, uma modalidade de gestão que pode trazer perdas ou ganhos. Depende…

publicado por Beatriz Benezra Dehtear

Figura - Terceirização, uma modalidade de gestão que pode trazer perdas ou ganhos. Depende...O termo terceirização remonta à palavra outsourcing, que em inglês significa suprir-se de fontes externas. E isto é exatamente o que as organizações fazem quando usam a terceirização, abrem suas fronteiras transferindo serviços ou estendendo suas cadeias produtivas.

Dentro da atual realidade sócio econômica, onde a perenidade das empresas no mercado depende de inúmeras variáveis, a necessidade de manter a competitividade chama cada vez à terceirização.

Podemos diferenciar dois tipos de terceirização. Em primeiro lugar, aquela terceirização que transfere as atividades secundárias para um fornecedor com o objetivo de poder reduzir custos fixos e ganhar foco nas atividades finalísticas para obter maior produtividade e qualidade nas mesmas.

Um segundo tipo de terceirização, que está em pauta na nova lei, é a que transfere parte das atividades da cadeia produtiva para outras empresas, ocasionando a extensão da cadeia de valor. Embora a dona da cadeia comanda e fiscaliza a totalidade do processo esta nova modalidade de terceirização, na qual focarei neste texto, é um apelo a um novo desenho do modelo de governança, onde existe um verdadeiro compartilhamento de recursos e das competências necessárias ao processo produtivo ao longo de toda a cadeia.

Neste novo modelo, a terceirização lembra mais a uma “parceria” entre empresas onde a produção de bens e serviços por parte delas está integrada ao um mesmo core business.  Esta nova conjuntura obriga às organizações a repensarem suas condutas, e relacionamentos para se tornarem, em conjunto, competitivas no mercado.

A procura pela competitividade se sedimenta basicamente na possibilidade de incrementar estes três aspectos organizacionais: a melhoria na eficiência operacional, a aplicação de novas tecnologias e a inovação. Assim sendo, o que este novo arranjo está procurando é a administração conjunta de um recurso essencial para a produção econômica, componente dos três aspectos mencionados. Este recurso é O CONHECIMENTO.

O conhecimento gera eficiência operacional. Pessoas capacitadas, estimuladas a identificar, compartilhar e aplicar boas práticas, desempenham um melhor nível de produtividade, com altos padrões de qualidade.

O conhecimento é o principal componente para desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias. Tecnologia é conhecimento aplicado. Para a absorção de novas tecnologias a nível organizacional é necessário ter pessoas preparadas com as competências necessárias para rapidamente operacionalizar as mudanças.

O fluxo contínuo de conhecimento gera insights e ideias que formam as engrenagens para o processo de inovação. Este fluxo contínuo deve existir entre as organizações que integram a nova cadeia de valor estendida.

Fase ao exposto, está bem claro que o conhecimento é fator crítico de sucesso, garantindo a competitividade das empresas neste novo modelo de integração proposto pela terceirização das atividades do core business.

Por outro lado, e de acordo com a análise apresentada a seguir, o conhecimento reforça sua importância nesta nova conjuntura quando avaliamos o valor das organizações no mercado.

A seguinte tabela apresenta uma pesquisa realizada em relação ao valor de mercado das 500 maiores empresas americanas. Na composição do referido valor, os ativos intangíveis assumem progressivamente uma proporção cada vez mais representativa ao longo dos anos.

 FONTE: http://donnamurdoch.net/2014/07/26/2014-survey-shows-again-that-company-traininge-learning-is-the-least-valued-way-to-learn-at-work/

FONTE: http://donnamurdoch.net/2014/07/26/2014-survey-shows-again-that-company-traininge-learning-is-the-least-valued-way-to-learn-at-work/

A pesquisa a seguir mostra que 93,7%  do conhecimento que as organizações precisam para executar suas atividades está dentro da própria organização.Pesquisas recentes do Banco Mundial, mostram que 64% da riqueza mundial advém do conhecimento.  Fato que constata a relevância do conhecimento na composição dos ativos intangíveis organizacionais.

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Em resumo, uma empresa que estabelece uma parceria produtiva de terceirização, estará gerando um volume maior de conhecimento interno. Este conhecimento irá a integrar sua composição de valor no mercado, aumentando sua cotação.

Surge assim uma nova responsabilidade para a empresa que comanda a terceirização:  fazer a gestão deste recurso. Eis onde entra em jogo a Gestão do Conhecimento com a aplicação das suas práticas.  Práticas de Gestão do Conhecimento são processos organizacionais que tem como objetivo colocar em prática os “processos do conhecimento”. Vejamos alguns dos processos do conhecimento e uma breve análise da sua relevância:

Identificar conhecimento:  pontuar qual conhecimento é necessário para ser aplicado na cadeia produtiva, validar se o conhecimento existe nas organizações que formarão a parceria.

Guardar conhecimento:  armazenar o conhecimento para sua proteção, usar para posterior disseminação, garantir a geração dos ativos que valorizam a organização, reduzir os riscos da sua perda, evitar retrabalho, estabelecer os processos de melhoria contínua e inovação.

Disseminar conhecimento: garantir o desenvolvimento das pessoas envolvidas na cadeia de produção melhorando seu desempenho, garantir que o conhecimento não fique concentrado em algumas pessoas, permitir que o conhecimento chegue onde ele é necessário.

Compartilhar conhecimento:  impulsionar o processo de inovação, integrar as empresas que interagem a cadeia produtiva, estimular o desenvolvimento conjunto e a sinergia.

Aplicar conhecimento: usar o recurso onde ele é necessário gerando qualidade, produtividade e desenvolvimento profissional.

Organizar conhecimento: facilitar sua localização para reuso e construção da memória organizacional.

Criar parcerias implica em estabelecer regras que podem até gerar mudanças nos mecanismos de gestão e na própria cultura organizacional. A prática da terceirização pode ser positiva ou não conforme estas mudanças sejam implementadas em forma eficiente ou falha.

Se você pensa em terceirizar suas atividades core, já pensou em fazer Gestão do Conhecimento? No seu contrato de terceirização, estabeleceu junto a seus parceiros como será tratado o conhecimento aplicado/resultante das atividades terceirizadas?

Você já pensou em como identificar, criar e desenvolver as competências necessárias para ter um bom desempenho? Você está cuidando da valorização da sua empresa gerada por este ativo intangível? …

E você que oferece seus serviços como empresa de terceirização, já pensou em oferecer para seus clientes a Gestão do Conhecimento como um valor agregado ao seu serviço?

O apelo para as partes que participam do processo de terceirização repensarem seus modelos de gestão atuais é muito forte. Certamente, um dos pontos mais importantes a ser considerado é a gestão deste já constatado e valiosíssimo recurso:  o Conhecimento!

[Crédito da Imagem: Outsourcing – ShutterStock]

 

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Autor

Gerente de Projetos, Gestora de Qualidade, Especialista em Sistemas de Gestão e Gestão por Processos, Expert em Práticas de Gestão do Conhecimento e Inovação. Formada em Tecnologia da Informação pela PUCRS . Tem MBA em Gerência de Projetos pela FGV. Pós-graduada em Consultoria para Implantação de Sistemas ERP e Gestão por Processos pela UNISINOS. Desenvolveu sua carreira em grandes corporações como Mars, Dell e Hewlett Packard, onde desempenhou cargos de gestão vinculados a Qualidade, Desenvolvimento Organizacional, Gestão do Conhecimento e Inovação, Pesquisa e Desenvolvimento. Coordenou o Comitê de Práticas da SBGC-RS (Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento). Fundadora e Coordenadora do Grupos de Usuários de Gestão de Conhecimento da SUCESU-RS. Diretora adjunta dos Grupos de Usuários SUCESU-RS> Avaliadora do Prêmio Inovação do PGQP. Diretora da Beatriz Dehtear KM, empresa com larga experiência em implantação de Gestão do Conhecimento Organizacional em instituições públicas e privadas, nacionais e estrangeiras.

Beatriz Benezra Dehtear

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