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O uso da internet como estratégia de manifestação pacífica

publicado por W. Gabriel de Oliveira

Uma manifestação social é uma apropriação do povo sobre poder de gritar visando a uma mudança naquilo que posto está.

Se compararmos com o universo da internet, é possível enxergarmos o mesmo comportamento de apropriação sobre o poder de gritar. Talvez por isso, apesar de contrário a muitas forças tradicionalistas, a internet potencializa a força das multidões. E durante um movimento de protesto nas ruas, a internet se tona os braços estendidos e atemporais dessa manifestação.

Manifestações sociais que ganham as ruas e gritos online são espelhos um do outro em diversas características, apesar de muita gente acusar a internet de ser um espaço paraativismo de sofá (sofarativismo). Ao invés de competirem, mais do que nunca ambas as manifestações devem se unir de forma estratégica. Afinal, ambas as movimentações só ganham força a partir da união de pensamentos, da convergência de linguagem e de um espírito comum de agir. A internet é sim um dos maiores instrumentos de manifestação, porém se deve compreender que seu poder trabalha diretamente apenas sobre as comunicações – e as comunicações não resolvem tudo, motivam a resolver.

Um manifestante conectado nunca está sozinho

Manifestante conectado nunca está sozinho. São textos, vídeos, áudios e diversas ações online que surgem de uma apropriação da sociedade sobre o poder de comunicação de massa. Se um manifestante conectado nunca está sozinho, a internet pode ser, então, o grito estendido que vem das ruas.

As manifestação podem usar a internet estrategicamente para se tornarem de longo alcance e atemporais. Esse uso estratégico se faz a partir de dois grandes trunfos:

  • a conhecida quebra de barreiras geográficas no intuito de falar cada vez mais alto e mais longe, para o maior número de pessoas e locais;
  • o poder da assincronicidade (acessar conteúdos a qualquer dia, hora e local, sem precisar estar ao vivo nem em tempo real).

O poder de quebrar barreiras e aumentar o volume da voz se dá quando a movimentação ganha um caráter universal, de forma que qualquer idioma seja entendido. Já o poder de assincronicidade está diretamente ligado ao tempo de vida útil das mensagens protestadas. Ou seja, se o grito da manifestação durar apenas enquanto as pessoas estiverem nas ruas, os poderes contrários ao movimento podem forçar a um cansaço, até que o movimento de dissipe ou entre num acordo qualquer, para que depois o povo esqueça aos poucos tudo aquilo pelo que se lutou. Com o poder de assincronicidade, basta publicar e organizar o conteúdo publicado que ele será facilmente achado anos depois, por qualquer pessoa, fazendo o debate sempre ressurgir à tona. Assim, a chama do movimento dificilmente acabará de vez.

É possível perceber diversas ações que traduziriam essas tais “manifestações conectadas de forma estratégica“. Seguem algumas delas:

  • Apropriar-se de materiais de comunicação já conhecidos e penetrados na mente do povo, como jinglesjargões não pejorativos, refrões de músicacenas de filmes ou atépropagandas comerciais, e parodiá-las com novas imagens, novas trilhas ou até nova locução, sempre com a finalidade de repassar a mensagem da manifestação. Isso facilita a aceitação da mensagem entre as massas;
  • Criar material multimídia com caráter universal, com frases curtas, de fácil compreensão e tradução, contendo imagens de entendimento rápido ou sons que não poluam a mensagem principal. Os materiais multimídia são os mais compartilhados em redes sociais;
  • Incentivar o uso de todas as redes sociais possíveis, mas dar maior atenção às redes sociais ubíquas (aquelas que podem ser usadas em diversos devices e compartilhadas entre inúmeras outras redes de forma automática);
  • Incentivar a criação de sites e blogs que sejam indexados pelo Google (OBS: as páginas internas do Facebook, por padrão, não são indexadas pelo Google. Como elas não aparecem na busca do Google, muito conteúdo se perde dentro do Facebook). Por isso, é interessante criar sites ou blogs que deem visibilidade ao Facebook através de javascript e iframe ou simplesmente centralizar o conteúdo publicado na rede social também no site ou blog;
  • Nestes sites e blogs criados, é importante haver listas das principais bandeiras do movimento, dos principais personagens-alvo e as razões de por que são alvos, para não ser vago e sem base, além de todo os materiais multimídia possíveis que relatem e descrevam o movimento (imagens, vídeos e áudio);
  • É importantíssimo fazer backup do material coletado e publicado, seja de textos ou multimídia, pois sites como YoutubeBlogs e até o próprio Google são vulneráveis a ações judiciais que venham a deletar seus conteúdos;
  • Criar um indexador de conteúdo do movimento (buscador próprio, aplicativo para celular para materiais do movimento, filtro de busca social etc.). Tudo isso para facilitar a localização desses materiais específicos por jornalistas e outras pessoas que precisem usá-los em matérias ou outras manifestações;
  • Todos os ambientes online criados deve ter o nome do movimento ou palavras-chave semelhantes. Isso facilitará a busca no Google por tais conteúdos. É importante que até o domínio do ambiente online (ex: o endereço do site ou do blog) também contenha tais palavras-chave ligadas ao tema do movimento;
  • Criar layout clean para os ambientes online. Isso ajuda a passar credibilidade e não se parecer com vírus ou ataque cibercriminoso. Diminuir esse medo é essencial para que o conteúdo do site seja aceito mais facilmente e reutilizado;
  • Publicar tudo com o pensamento de que tal material deve ser achado depois por uma pessoa que você não conhece. Significa que você deve ser fácil de entender, tanto no texto quanto no vídeo ou em qualquer outro material. É importante saber que tal ação ajudará a reconstruir a história anos depois, sendo útil para continuar o movimento.

Sabe-se que todos os grupos da sociedade civil tem o direito legítimo à manifestação pacífica. Seja por qual razão for, tal direito deve ser assegurado. Assim é a democracia. A forma, porém, de assegurar tal direito também quando o assunto são as comunicações hegemônicas é garantir a grandeza das comunicações do movimento. É assim desde as guerras antigas, quando as comunicações paralelas era uma das únicas formas de dar chance competitiva às tropas menos abastadas. Diante disso, a internet hoje é a principal aliada – mas ela pode ir muito mais longe se usada de forma estratégica, e não apenas como um canhão descoordenado.

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Autor

W. Gabriel de Oliveira é mestre em Marketing pela Universidade Federal do Ceará, Certificado Google Adwords (Search Advertising Advanced), atual coordenador de Marketing na Assessoria de Comunicação e Marketing da Universidade de Fortaleza, professor de pós-graduação e educação continuada, professor de turmas in company e cursos rápidos de Marketing Digital, Comunicação Integrada, Publicidade On-line e Mídias Sociais nas Empresas e também consultor de marketing e novas tecnologias. Atua na área de Internet e Marketing desde 2001. Trabalhou para multinacionais e empresas nacionais de grande e médio porte, com comunicação empresarial e marketing para meios digitais, em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Recife, Ceará e Lisboa/Portugal. Site: wgabriel.net

W. Gabriel de Oliveira

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