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Gerenciamento da Inovação Tecnológica

publicado por Marcos de Araujo

Figura - Gerenciamento da Inovação TecnológicaIntrodução

Todos sabemos que somente através do emprego do conhecimento é que ocorre a transformação, seja na vida das pessoas, meio corporativo ou nações. Essa busca por novas formas de fazer e por novos horizontes através da superação dos obstáculos, chama-se inovação. Segundo Barbieri e Álvares (2004), inovar (do latim innovare) significa renovar ou introduzir novidades de qualquer natureza, logo, inovação significa “tornado novo”.

Seja pela sobrevivência humana ou corporativa, espelhada na redução de custos, melhoria dos processos, aumento dos lucros, dentre outros fatores, a inovação torna-se, cada vez mais, palavra chave para a competitividade.

Novas ideias, percepções e descobertas mudam o mind set fazendo surgir novas perspectivas. Inicia-se um jornada continua pela descoberta e aprendizado, colocando a busca pela inovação como um dos principais itens nas agendas dos governos, empresas, escolas e pessoas.

Âmbitos da inovação no mundo corporativo

Basicamente, dentro do mundo corporativo, podemos dizer que a inovação pode se apresentar nos seguintes âmbitos: 1-Produto/Serviço, 2-Processo/Método, 3-Modelo de Negócio ou 4-Gestão.

Quando alcançamos a inovação em pelo menos um destes quatro itens através do emprego da tecnologia, podemos dizer que ocorreram inovações tecnológicas. Por exemplo:  Utilização do comércio eletrônico para venda de produtos.

Neste exemplo, aplica-se (1) uma modificação do modelo de negócio com a implantação de um novo canal de distribuição fora do mundo físico das lojas; (2) a estruturação de uma nova forma de gestão no qual as vendas ocorrem  sem intermediários e vendedores, utilizando-se plataformas de tecnologia da informação com o uso da internet, trazendo modificações no âmbito de atuação geográfica outrora restrita ao local físico das lojas, (3) alterando os processos logísticos de entrega dos produtos em decorrência da virtualização, ou seja, substituição das lojas físicas. Imaginando-se que esta loja venda diversos tipos de produtos, dependendo do tipo de produto, por exemplo, sorvete, esta inovação também impacta, neste caso negativamente, a venda do (4) produto, pois o mesmo não poderá ser ofertado por este canal de comércio eletrônico.

Estas inovações impactam diretamente a administração dos negócios, os fluxos administrativos, a alocação de recursos, o processo decisório, os papéis/responsabilidades e os relacionamentos pessoais/empresariais.

Contexto Histórico

A questão tecnológica é objeto de estudo há muito tempo, pois desde os primórdios da mecanização, que gerava acúmulo de riqueza, existe esta preocupação relativa a competição. Freeman e Soete (1997) dizem que a situação de um país resulta do acúmulo das invenções, aperfeiçoamentos e esforços das gerações antecedentes, formando o capital intelectual da humanidade.

Outro ponto importante, também sabido, é que o processo de inovação está intrinsecamente relacionado com a tomada de risco, uma vez que carrega incerteza relativa aos esforços de criação de algo novo nos quais os resultados são desconhecidos, sendo praticamente impossível se prever consequências relacionadas.

Estas iniciativas de inovação da atualidade, baseadas nas oportunidades de utilização da tecnologia, utilizam muito o avanço dos conhecimentos científicos obtidos através das gerações, trazendo aumento da complexidade e portanto aporte de grandes investimentos e colaboração entre centros de pesquisas e governos, eliminando o caráter individualizado da descoberta muito presente no passado.

Projetos pilotos, implementações controladas de itens pesquisados em nichos específicos de mercado, Focus Group, atividades informais, dentre outras formas de testes, tem sido largamente empregados e são basicamente atrelados ao aprendizado baseado na utilização e na solução de problemas discutidos com clientes.

Atividades inovadoras e considerações

Atualmente a grande maioria das inovações são de ordem incremental, ou seja, aquelas em que os aprimoramentos ocorrem em base continua e não produzem um grande impacto econômico ou mercadológico, mas que ao longo do tempo afetam o processo produtivo impactando a estrutura de concorrência entre pessoas, empresas, governos e nações bem como a maneira pela qual as organizações gerenciam as incertezas e riscos.

Mas afinal, o que deve ser considerado uma atividade inovativa e de que forma estas atividades podem ser mensuradas e comparadas entre diversas empresas e setores?

Derivado do manual Frascati que foi criado em 1963 pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, e que evoluiu ao longo do tempo, em 1992 a própria OCDE lançou o manual Oslo. Consta portanto do manual Oslo os direcionamentos para classificação de atividades inovativas bem como os seus conceitos fundamentais e tem servido como guia para a coleta de dados relativos a inovação.

Inovação e desenvolvimento

Nos dias atuais, evidencia-se cada vez mais a necessidade de desenvolvimento educacional para a preparação de técnicos especializados e profissionalizados para responder a crescente complexidade tecnológica que vem sendo cada vez mais empregada nos diversos setores da indústria em seus sistemas de produção, além da especialização cada vez mais presente em todos os tipos de trabalho que exigem qualificação.

Desde 1960, ao longo das décadas, diversos pesquisadores efetuam estudos comparativos entre PIB e investimentos em inovação. Estes estudos apresentaram resultados que demonstram que países tecnologicamente mais avançados possuem gastos mais elevados em pesquisa e desenvolvimento bem como um maior número de patentes registradas e são economicamente mais evoluídos em termos e PIB per capita. Desta forma a inovação se caracteriza como fonte de criação de vantagens competitivas estruturais para os países que investem em pesquisa e desenvolvimento.

Michael Porter (1993) em seu primeiro capítulo do livro “A vantagem competitiva das nações” informa que se faz necessário uma nova teoria sobre vantagem competitiva ressaltando que inovação é o elemento central. Obviamente os resultados da pesquisa e inovação estão diretamente relacionados com o nível de empregabilidade pratica das novas descobertas e de fatores estruturais econômicos e sociais de uma nação, ou seja, investir valores significativos em pesquisa não garantirá o sucesso inovativo.

Portanto, inovação depende de um conjunto planejado e estruturado de ações que permitam o seu desenvolvimento e aplicação. Tal conjunto de ações estão relacionadas com o papel que diversas entidades ocupam no mercado tais como centros de pesquisa, laboratórios, universidades, institutos governamentais, empresas, escolas, governo, dentre muitos outros.

Inovação no Brasil

O processo de inovação no Brasil é relativamente novo quando comparado com países desenvolvidos. Começou de forma mais estruturada e almejada somente após a segunda guerra mundial com foco básico em infraestrutura para receber investimentos em forma de empresas que se alojaram no pais a partir de 1950.

A tecnologia basicamente foi importada, uma  vez que não existia indústria de base no país, muito menos centros de pesquisa e desenvolvimento instalados. Especificamente nas áreas predominantemente estatais de Óleo & Gas e Energia, percebeu-se a evolução técnica e a implementação de processos inovadores que partiam da adaptação da tecnologia importada para a tropicalização dentro da realidade brasileira.

Iniciativas a partir da abertura de mercado

Para outros segmentos do mercado, somente a partir da abertura de mercado ocorrida durante o governo Collor na década de 90 é que a inovação começou a ser mais seriamente discutida visando-se basicamente o aperfeiçoamento competitivo de industrias que estavam praticamente sucateadas no país.

Existiam iniciativas governamentais no país desde os anos 70, com políticas e incentivos para o desenvolvimento tecnológico.  No entanto, quando se analisa profundamente estas iniciativas, percebe-se que muito protecionismo foi gerado, como no caso específico da reserva de mercado da indústria da tecnologia da informação que gerou grande atraso para o país como da estatização do mercado de telefonia que amargou profundos problemas entre oferta e demanda, sem comentar os problemas com a qualidade dos serviços prestados.

Somente no ano de 2006 uma lei foi elaborada pela governo visando incentivar  inovação a partir da concessão de incentivos fiscais para empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento.

Conclusões

Inovação é um processo complexo, estruturado e que permeia a participação de toda a sociedade, principalmente o governo com investimentos em pesquisa e desenvolvimento bom como com a implantação de políticas de incentivo e educação.

Com múltiplos aspectos, a inovação vem em caráter histórico ganhando cada vez mais importância e notadamente esta na agenda dos países como item de preocupação para a melhoria da competitividade.Diversos pesquisadores, autores, executivos e empresários vem ao longo dos anos dedicando atenção ao tema, o que de forma incremental, possibilitou a evolução da humanidade ao patamar hoje alcançado.

Portanto, é imprescindível que tenhamos uma melhor compreensão do que configura o processo de inovação no prisma do cidadão comum, empregado, estudante e empresário, para que estejamos aptos a atuar na sociedade do conhecimento e preparados para evoluir e se adaptar a rápida transformação a qual estamos submetidos.

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Autor

Marcos de Araújo - Executivo Sênior, possui 34 anos de experiência profissional, dos quais 17 anos em posições executivas, gerenciando áreas tais quais Gestão de Demandas/Portfólio, Escritório de Projetos e Programas, Tecnologia da Informação, Governança de TI, Mapeamento e Gestão de Processos, Planejamento, Relacionamento com o Negócio, Desenvolvimento de Produtos, Consultoria, Outsourcing, Security & Risk e Data Analytics. Atuou em projetos nacionais e internacionais relacionados à implantação de sistemas, processos e novos produtos, bem como a mudanças organizacionais em empresas multinacionais tais como EY, Deloitte, Fidelity, Hewlett Packard, Deutsche Bank (Maxblue), American Express, Paramount Lansul, Ciba-Geigy, dentre outras. Como consultor empresarial, atendeu clientes tais como McDonald's, C&A, Petrobras, Machado Meyer, Fotoptica(Grandvision), TSYS, Telefônica, Anglo American, Billabong, Tecsis, Hewlett Packard, Dow Chemical, Unilever, Bimbo, Nestlé, AVX Electronics, dentre muitos outros. É graduado em Administração de Empresas com ênfase em Análise de Sistemas (FASP-1993), especializado em metodologia do ensino (FECAP-1996) e pós-graduado em Administração da Qualidade (FECAP-1997). Especializou-se também em Management (Mauá-1998) e MBA Executivo em e-Business (ESPM-2003). Especializado em Project Management pela Bentley University (2017) e Mestrando em Administração de Empresas com foco em Gestão de Portfólio, Programas e Projetos e o Alinhamento Estratégico Organizacional (2017-2018). Consultor empresarial e instrutor de diversos cursos gerenciais e técnicos ministrados no Brasil, atuou também como professor na pós-graduação em Gestão de Projetos do SENAC e na pós-graduação em Gestão de TI da Uni-Anhanguera. É ex-professor universitário da FIT, FASP, Uninove e Trevisan Escola de Negócios.

Marcos de Araujo

Comentários

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  • Artigo extremamente oportuno para a fase difícil pela qual estamos passando.

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