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Equipe multidisciplinar

publicado por Flávio Steffens

Uma das características principais do “novo modo de trabalhar” tem a ver com a utilização de equipes multidisciplinares. Diversas empresas que dependem de criatividade e inovação vem utilizando este conceito no seu dia-a-dia.

Você sabe o que são estas equipes e quais são os benefícios de tê-las em sua empresa? Acredite, é mais simples do que parece.

Antes de mais nada, vamos diferenciar uma equipe multidisciplinar de uma equipe multifuncional.

Em uma empresa de software, existe uma equipe de cinco programadores. Apesar de programadores, cada um desempenha uma função diferente na empresa: um faz a programação de interfaces, outro faz a programação back-end, outro faz a programação de scripts, e assim por diante. Apesar de trabalharem em funções diferentes, eles ainda são programadores, com o mesmo background técnico.

Esta é uma equipe multifuncional.

Em uma agência digital de web existe uma equipe composta por um programador back-end, um programador de interfaces, um designer, um gerente de projetos, um gerente de contas e um produtor. Todos trabalham em funções diferentes, mas possuem backgrounds completamente diferentes: dois são técnicos, um é artista, um tem a visão geral do projeto, outro tem a visão do cliente e outro é responsável pelas ideias criativas.

Esta é uma equipe multidisciplinar.

O pulo do gato em uma equipe multidisciplinar está exatamente no background de cada um.

Num ambiente onde só técnicos discutem, é normal que o raciocínio seja quase sempre lógico, ou da mesma forma. A linguagem também é a mesma, podendo ser bastante técnica. Isso induz às pessoas a enxergarem o projeto, o problema e as soluções pela mesma ótica. O óbvio acaba se tornando quase que um mal necessário.

Já num ambiente multidisciplinar a discussão costuma tomar caminhos completamente diferentes. Em primeiro lugar, um designer, ou técnico ou um gerente de projetos não irão utilizar a mesma linguagem que falam entre seus pares. Pois isso tornaria a discussão totalmente indigesta para os demais. O simples fato da pessoa ter que utilizar uma linguagem mais coloquial e simples, já o faz caminhar pelas suas próprias crenças e motivações por um outro caminho.

Adicione a isso o fato de que outras pessoas com experiências, conhecimentos e pensamentos diferentes estarem ouvindo o problema e raciocinando-o com as suas próprias visões. Os insights que surgirão ultrapassarão a barreira do óbvio. As soluções serão propostas por outros caminhos até então não imaginados. E os resultados costumam ser demasiadamente criativos e diferenciados.

Uma equipe multidisciplinar é, portanto, uma forma de resolver problemas e trazer soluções de uma forma mais rápida, criativa e eficaz. E não é um exagero. Para isso, vou me basear em dois casos:

Li na revista Wired que um centro de pesquisas biológicas nos Estados Unidos estava estudando o comportamento de uma determinada proteína. O problema é que eles necessitavam “coar” esta proteína, utilizando um aparelho complexo. E esta proteína, infelizmente, não se separava das demais substâncias da forma correta. Devido ao tempo que tinham, o grupo de pesquisa tentou resolver o problema dividindo os pesquisadores em dois grupos. Um deles era um grupo multifuncional, composto por cientistas especialistas naquela proteína. O outro era multidisciplinar, composto por cientistas de diversas naturezas.

O grupo multifuncional trabalhava de forma teórica, discutindo por horas, dias e semanas as formas como deveriam abordar e atacar o problema. Depois de muita discussão, resolviam aplicar os testes e … falhavam. Recomeçavam do zero e voltavam para o mesmo processo. Eles levaram meses para resolver o problema.

O grupo multidisciplinar trabalhava de forma menos teórica. Durante as reuniões acontecia exatamente o que foi citado (o problema era abordado por uma linguagem mais simples) e as discussões eram trazidas sobre óticas diferentes. Eles decidiram colocar em prática logo alguns testes. E com base nos resultados, eles foram analisando e aprimorando. Chegaram à solução em poucas semanas.

O segundo exemplo é pessoal.

Quando trabalhei em uma agência digital, recebi um projeto que tratava da construção de um grande empreendimento na cidade.  Usualmente eu fazia uma rápida reunião de briefing com todos envolvidos (multidisciplinar) e em seguida o projeto seguia no modelo “cascata” onde cada disciplina aguardava sua parte e executava.

Mas daquela vez , pelo tempo que tínhamos, decidi envolver todos (programadores, designers, produtores, gerente de conta) em todas as reuniões. O efeito dessa pequena mudança foi absoluta: as reuniões duravam em média 30-40 minutos, e eram muito produtivas. Os produtores, responsáveis pela parte criativa, traziam suas ideias do projeto. Designer e programadores já davam o feedback na hora, bem como o gerente de conta, que representava o cliente. Estes feedbacks não eram apenas “gostei” ou “não gostei”, mas mais do que isso: eles acrescentavam sugestões (boas ou ruins, não importava) e já podiam dar as suas visões sobre o cenário proposto.

Se o designer sugeria colocar um botão arredondado com um efeito tal, o programador já na hora dizia se era viável fazer aquilo de uma maneira simples, dentro do prazo. Essa discussão já fazia com que o produtor viesse com uma ideia de usar fotos dos usuários ao fundo. Que já tinha o seu pré-layout rabiscado pelo designers e na hora decidíamos se aquilo poderia funcionar ou não. Caso alguém não concordasse com a ideia, a discussão era estendida até que o seu argumento fosse assimilado pelos demais, ou esta pessoa simplesmente enxergasse a solução como correta.

A energia foi tão boa e tão grande que a proposta foi aceita com satisfação pelo cliente, o projeto foi desenvolvido em tempo recorde e, mais do que nunca, todos envolvidos se orgulhavam e se motivavam com o resultado. Infelizmente o empreendimento ao qual o projeto fazia referência acabou sendo embargado, e o lançamento do projeto – que envolveria um evento especial, também foi adiado por tempo indeterminado. Todos envolvidos no projeto, quase 1 ano depois, lamentavam o fato de não poder tê-lo colocado no ar e recebido o feedback do público. A ansiedade era grande.

Tenho esta experiência como muito bacana e como a consolidação de que a interdisciplinariedade funciona e muito bem. E mais do que isso. É simples, barato e está ao alcance de todos. Não é preciso nenhuma técnica para utilizá-la. Apenas o respeito das opiniões e o incentivo para que todos falem o que pensam, independente se for correto ou não.

Uma equipe multidisciplinar, portanto, pode ser o combustível que faltava para motivar alguns dos seus colegas e colaboradores. Pode ser o responsável pelas suas novas soluções e inovações. Tudo o que você precisa é pôr isso em prática. Experimente. E compartilhe a sua opinião sobre o assunto.

Um abraço!

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Autor

Flávio Steffens de Castro é empreendedor na Woompa (www.woompa.com.br), criador do crowdfunding Bicharia (www.bicharia.com.br) e gerente de projetos desde 2006. Trabalha com métodos ágeis de gerenciamento de projetos desde 2007, sendo CSM e autor do blog Agileway (www.agileway.com.br).

Flávio Steffens

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