Carreira

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Como ser um mau Gestor

publicado por Luis Severo

Nesta primeira participação, vou abordar um assunto que não é muito agradável para muitos de nós mas, todos nós já nos deparamos com situações, no mínimo, parecidas em nossa jornada profissional. Vou exemplificar com a breve história de um profissional com este perfil que era o Gestor de contas de uma empresa de TI e tinha um cliente muito grande aqui do Sul. Por uma questão ética este profissional, doravante será tratado como Srª TP (toda poderosa).

A Srª TP tinha vários métodos, todos certificados por ela mesma para tratar projetos (equipes, contratos, propostas, métricas, etc.).

As equipes eram tratadas aos gritos. Sim, literalmente a cada convocação para ir a sua sala, o pobre vivente já colocava a toalha no pescoço e se preparava para ouvir os gritos da Srª TP. Basicamente todos os dias . As equipes que estavam lotadas no cliente, também eram convocadas a comparecer. Motivo: erros cometidos pela própria Srª TP na condução dos projetos. Sim porque além de ser a gestora de contas também se outorgava o posto de GP master embora nunca tivesse ouvido falar de PMI ou de qualquer metodologia para projetos pois ela tinha criado a sua e era a que valia.

Reuniões: em geral começavam as 11:30 da manhã ou as 20:00 horas. Isso mesmo. Como a Srª TP não tinha vida pessoal, convocava as equipes para reuniões nestes horários. O resultado era sempre o mesmo, um monólogo pois todos desejavam encerrar o mais rápido possível a reunião e ir almoçar ou ir para a faculdade ou qualquer outra coisa “inútil”. Sei que estes, muitas vezes,são luxos para nós de TI mas, em geral as pessoas sentem fome, tem filhos, vão ao supermercado, escola, etc. Atividades aos sábados e domingos (em geral dinâmica de grupo). Família? Nem pensar. Mas também, nós de TI já queremos demais…até família…

Toda a carteira de projetos da Srª TP, sem exceção, estava no vermelho. Projeto orçado em 4000 horas já estava em 19000 e nem havia sido concluída a 1ª fase.  Foram vendidas pela Srª TP duas fases. Após fazer um levantamento meticuloso de requisitos, sem custo algum pois trabalhei em casa à noite, fiz o orçamento de um novo sistema para o cliente baseado em Use Case Point e Function Point. Apresentei o projeto a Srª TP e após os gritos de costume em função de eu ter utilizado uma metodologia desconhecida para ela (aliás, ela não conhecia metodologia alguma sobre nada) ouvi o seguinte: das 12000 horas corte para 4000 (acho que este era um padrão) pois eu não vou conseguir vender as 12000 horas. Obviamente que eu não cortei porque este era o cálculo racional baseado em métricas. Detalhe, eu já tinha tido uma reunião com o cliente e este pediu que fosse feito em 3 fases. O projeto estava vendido. Bastava a proposta técnico financeira. Como terminou? Após os gritos de costume a Srª TP me disse que orçava por, pasmem, por feeling. Isso mesmo. Tenho o e-mail guardado até hoje em que ela determina que seja pelo feeling dela. A proposta foi apresentada em nome de outro Gestor por 4000 horas e o projeto fez água no 3º mês. Eu, bom perdi meu contrato PJ por não estar “alinhado as boas práticas e políticas da empresa”. Ainda bem que eu não estava.

Como a Srª TP fechava o mês nas suas planilhas? Algumas vezes ela determinava que as planilhas de horas das equipes sofressem “alterações” no quesito quantidade de horas dedicadas ao cliente. Talvez este também tenha sido um dos motivos da rescisão do meu contrato pois não o fiz. Aliás, eu coloquei na cabeça aquela “bobagem” de Ética e Responsabilidade Profissional e não consigo mudar.

O resultado destas práticas e outras que deixo de citar aqui tiveram como resultado o pedido de demissão de 46 membros da equipe de 50 que atendia o cliente. Em 15 dias. Calculem o tamanho do prejuízo. Somente em horas ABAP/SAP eram 1500/mês.

Ao longo de minha jornada eu venho atuando em projetos críticos. Principalmente aqueles que já estão batendo a porta do Dep. Jurídico. Em todos houve consenso e negociação razoável e todos foram entregues, apesar dos problemas pois ninguém quer perder. Nem o cliente nem o contratado. Eu devo o sucesso destes projetos puramente as equipes que pude formar ou conduzir. As pessoas são movidas por muito mais do que R$ na sua conta. As pessoas também são movidas por apreciação e reconhecimento. Como Gestor, se tu tiveres alguma estrela na tua equipe, bata palmas para ela se ela te der os resultados. Não te importe com insignificâncias. O reconhecimento vem de trabalhos bem feitos e estes jamais são feitos isoladamente.

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Autor

Profissional da área de informática há mais de 22 anos no mercado com atuação em empresas nacionais e multinacionais, em cargos a nível gerencial, na área de informática e Tecnologia de Informação; Experiência em definição e implantação de programas de qualidade baseados em CMMI nível 2 e 3, CMM e MPSBr nível F e G; Ampla experiência em orçamentação de projetos baseado em Function Point e Use Case Point; Ampla experiência em gerenciamento de projetos, coordenação e gerenciamento de equipes, configurações de projetos e de sistemas; Experiência em negociações com clientes e fornecedores, habilidade em pesquisas científicas de necessidades de informatização e criação de software de solução; Grande experiência na área de Engenharia de software; Excelente experiência em projetos (definição e condução) na área de infra-estrutura.

Luis Severo

Comentários

6 Comments

  • Luis, bom dia! Excelente artigo…se precisar de conteúdo para os próximos, tenho histórias reais de gestores que provocam ulceras em seus comandados por incompetência e burrice…rs
    Brincadeiras a parte, excelente texto mesmo…espero que seja lido e refletido por muitos gestores.

    Uilson Souza
    Colunista do TI Especialistas

    • Prezado Uilson!

      Muito grato pelas palavras. Acredito que o que mais temos é conteúdo e histórias de Gestores deste calibre. rs. Qualquer contribuição ou crítica sempre será bem vinda. Eu tenho uma história muito engraçada de um Dir. de uma empresa que promoveu 08 sprints finais em um projeto de 06 meses.

      Um fraternal abraço e sucesso.

  • Luis,
    gostei do artigo. Para chegar a essa debandada geral, parece que não havia uma gestão diferente acima da Sra. TP e que evitasse a perpetuação dessa espécie. Será que essa empresa ainda existe?
    Parabéns.
    Abraço,
    Roberto Andrade

    • Prezado Roberto!

      O pior é que havia uma gestão superior. Haviam diretores e os mesmos sabiam de tudo. Eu não vou entrar na questão do porque a Srª TP continuar na empresa mas, chegou um momento em que ela foi demitida de madrugada e por telefone.

      Muito obrigado pelas palavras.

      Um fraternal abraço e sucesso.

  • Benvindo à Rede Luís
    Permita-me entretanto discordar de vc. Não devia chamá-la Sra. TP mas TPM.
    Corrigido este pequeno detalhe, acho que o personagem é muito comum. Inclusive os Srs. TPM.
    Vc deve ter estórias interessantes. Mas o divertido é superar isso tudo e fazer o projeto funcionar.
    Abraços

    • Prezado Ivan!

      Muito grato pelas boas vindas. Estou acompanhando e dando alguns pitacos na discussão que tu abriu sobre a prostituição na nossa área. Extremamente oportuna assim como as tuas colocações e de tantos outros colegas.

      No meu post eu fiquei tentado em usar TPM mas, por uma questão de ética pessoal evitei a todo custo para que as meninas não se sentissem ofendidas. Aliás, eu já trabalhei com cada Sr. TPM que deixaria qualquer menina com injeva. risos.

      Realmente eu tenho muitas estórias nesta caminhada que é bem menor do que a tua. E concordo plenamente que é divertido superar estes empecilhos e entregar o projeto a contento.

      Um fraternal abraço e precisando prega o grito.

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