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O Agile e a mudança de cultura

publicado por Flávio Steffens

O Agile e a mudança de cultura

Todos querem Scrum. Todos querem XP. Mas poucas se preocupam antes em adotar os VALORES ágeis, pelo simples fato de que isso vai contra a “filosofia” da empresa. Querem exemplos? Então vamos lá.

Recentemente tive a oportunidade de conversar com um gerente de projetos de uma grande empresa gaúcha. Falei sobre os métodos ágeis e o gerente logo disse que eles estavam muito interessados em conhecer sobre o assunto. Os projetos de TI estavam atrasando, os clientes insatisfeitos, a equipe desmotivada, enfim… os sintomas clássicos. Mas antes de eu falar algo novamente, ele já veio questionando se os métodos ágeis não iam contra a “filosofia” da empresa. Eles tem uma “metodologia interna” que precisa ser respeitada, pois é de longa data e vem sendo revista e remodelada com os anos.

Então peraí: eles tem uma metodologia interna que é de longa data e vem sendo revista. Mas que mesmo assim os projetos atrasam, os clientes ficam insatisfeitos, a equipe desmotivada..? Há um extra a mais, que eu fui descobrir de uma pessoa que trabalha nesta empresa: a empresa é formal ao extremo. Tanto para coisas como roupas e aparência, até para horários de entrada e postura comportamental. Esse conhecido foi chamado a atenção por ter se atrasado DEZ minutos numa segunda-feira, depois de ter trabalhado durante o final de semana inteiro.

Daí eu me pergunto se vale a pena tentar explicar os métodos ágeis numa realidade assim. Uma mudança cultural extrema só na tentativa de explicar os valores dos métodos ágeis, imaginem então quando se falar em mudança de processos!

Outro caso: novamente outra grande empresa gaúcha. Recentemente um dos funcionários dessa empresa conversou comigo sobre os métodos ágeis. Expliquei para ele o Scrum, mas de forma bem superficial. Falei um pouco das vantagens, dos valores, enfim. Ele se demonstrou muito interessado no assunto.

Porém, em outro momento, conversávamos sobre outros assuntos, e surgiu a questão sobre restringir ou não o acesso a internet, para os funcionários. E ele foi categórico: “Os funcionários estão na empresa para trabalhar”. Essa foi a justificativa que ele deu para mostrar o porque da empresa bloquear praticamente TUDO. E mais do que isso: monitorar e chamar a atenção dos funcionários sobre qualquer coisa fora do normal.

Daí eu me pergunto: como uma empresa vai inovar se os funcionários são obrigados a seguir a cartilha, o óbvio? Será que um ambiente de “repressão” faz com que os funcionários sejam 100% produtivos durante aquele período? Lógico que não. Me arrisco a dizer que são menos produtivos do que em um ambiente liberal.

E ai? Como empresas com essas filosofias e culturas podem ter sucesso ao aplicar um método ágil?

Scrum não é apenas fazer iterações, colar post-its e fazer reuniões diárias. XP não é apenas escrever estórias, testar o seu código e refatorar. Se a empresa não pensar nas pessoas, na comunicação, no cliente, na transparência e, principalmente, na idéia de que a mudança e adaptação é o coração de qualquer empresa moderna, é melhor nem tentar. Esqueçam os métodos ágeis. Continuem com seu bom e velho waterfall, com sua burocracia, intransigência e rigidez. Sigam seu modelo de gestão industrial, pois é assim que vocês estão acostumados.

Afinal, é sempre bom ter cases e estatísticas para convencer empresas modernas a reagirem às mudanças.

O artigo original pode ser encontrado em: http://www.agileway.com.br/2009/12/15/o-agile-e-a-mudanca-de-cultura/

 

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Autor

Flávio Steffens de Castro é empreendedor na Woompa (www.woompa.com.br), criador do crowdfunding Bicharia (www.bicharia.com.br) e gerente de projetos desde 2006. Trabalha com métodos ágeis de gerenciamento de projetos desde 2007, sendo CSM e autor do blog Agileway (www.agileway.com.br).

Flávio Steffens

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