Desenvolvimento

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Desenvolvimento Ágil não é desenvolvimento irresponsável

publicado por Francisco J S Fernandes

O método de desenvolvimento Ágil de software tem sido cada vez mais adotado pelas organizações por diminuir o risco do desenvolvimento por conta do desmembramento de projetos, as chamadas iterações. A ideia é interessante, e junto com outros métodos e processos, como a stand-up meeting do SCRUM por exemplo, tem se mostrado realmente eficiente. Os problemas começam quando as adaptações à ideia original criam verdadeiros processos kamikazes de desenvolvimento. É comum ver organizações e fornecedores de TI entitulando seus processos de desenvolvimento como ágeis. Mas ao se colocar uma lupa em tais processos, percebe-se que a agilidade foi atingida com a simples exclusão de atividades e fases do ciclo normal de desenvolvimento, e com elas, o extermínio sumário de entregáveis.

Entregar rapidamente sempre foi um desafio para a área de TI, que, quase sempre, está no caminho crítico da implantação de novos produtos e serviços. Há décadas atrás, o mote não era tanto entregar a jato. Até porque a tecnologia evoluía mais lentamente, a informação demorava a ser disseminada, e ritmo do mercado na maioria das indústrias era mais lento. A preocupação maior era a qualidade do que era entregue. Os esforços na melhoria de processos, na sua maioria, tinham como objetivo garantir que o esforço empregado tinha como resultado o que o cliente realmente queria. Era uma época onde testes não eram feitos como se deveria, não haviam muitos padrões de desenvolvimento nem melhores práticas a seguir, e tampouco os requerimentos eram detalhados como deveria. O resultado? Defeitos e mais defeitos que custam tempo e dinheiro para serem consertados.

Para garantir qualidade e reduzir a variação de esforço e custo por conta dos defeitos, foram sendo agregada aos poucos várias atividades ao ciclo de vida de um projeto. A garantia de um projeto entregue dentro do prazo, custo e esforço, era o objetivo das corporações. Até o cenário de TI começar a mudar. E TI mudou para acompanhar o ritmo dos negócios, que passou a ser mais dinâmico, junto com a tecnologia. Negócios online e a mobilidade tem feito com que as metodologias sejam adaptadas em busca de modelos mais ágeis para desenvolver, e entregando resultados com qualidade num prazo mais curto. Com modelos de desenvolvimento diferenciados, foi possível atingir estes resultados. Novas práticas levaram o encurtamento do desenvolvimento, com técnicas alinhadas ao desenvolvimento web, com desenvolvimento incremental e progressivo. Sou totalmente de acordo com o desenvolvimento ágil de software, mas é preciso usar com consciência.

Em primeiro lugar, não dá pra usar o desenvolvimento ágil para todos os projetos. Há um grau de maturidade e envolvimento entre equipe de desenvolvimento e negócios que precisa ser atingido para que a metodologia funcione. O erro mais comum é achar que dá pra implementar a metodologia para qualquer aplicação e negócio, sem levar em consideração alguns aspectos políticos na hora de envolver, por exemplo, o cliente. Se não houver o devido envolvimento das funções chaves do processo, fica difícil de atingir os resultados esperados. Não amigos, a culpa não é da metodologia que não funciona para todos. A culpa é da busca exagerada da economia, dos ganhos de produtividade, em detrimento a processos mais custosos e demorados, mas que são eficientes. Não estou de forma alguma fazendo apologia a nenhum dos dois lados. No meu dia-a-dia trabalho com diversas metodologias, e o que quero enfatizar é que não existe uma que possa ser adotada com 100% de sucesso e produtividade em detrimento às outras.

Nessa busca desenfreada pela diminuição de custos, outro fato tem acontecido: cria-se uma metodologia diferente da tradicional, cortando-se algumas fases, entregáveis e revisões, e dá-se o nome ÁGIL no final. Parece ótimo até as coisas começarem a dar errado. Olhando atentamente, a conclusão que chego é que estamos voltando ao início de TI nos anos 90, onde não existiam muitos padrões a seguir, as especificações vinham num papel de pão, o conhecimento estava nas mãos de poucos, e cada projeto dependia claramente destas pessoas para ser implementado com sucesso.  A busca por qualidade na entrega existe e sempre existirá. Revejam seus processos e os principais atores para garantir que as vantagens das novas metodologias se encaixem na sua organização, e que os resultados sejam os melhores possíveis. Boa sorte!

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Autor

Profissional de IT e apaixonado por tecnologia, Francisco é Arquiteto de Soluções com mais de 25 anos de experiencia no mercado de TI em diversas empresas como BID, HP, EDS, Fininvest, Unibanco, Banco Nacional e Sul America Seguros. Escrever é um dos seus hobbies e, além de tecnologia, é aficionado por música, viagens, fotografia e futebol. Meus contatos são: LinkedIn: http://br.linkedin.com/in/franciscojsfernandes E-mail: kikofernandes@gmail.com Twitter: @kikofernandes71

Francisco J S Fernandes

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