Carreira

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Há mesmo muita vaga e pouco candidato dentro da TI?

publicado por Fabiano Mello

Muito tem se falado e publicado por aí que o mercado de TI está aquecido e com muitas vagas e que há poucos candidatos… Seria trágico se fosse verdade e ouvir ou ler isso por aí dá uma impressão que os profissionais de TI são raros e as empresas clamam por mão de obra, mas quem está no meio disso tudo sabe que não é bem assim a realidade. Então não há inúmeras vagas abertas de TI? Há sim e realmente são muitas vagas, mas a grande maioria, ainda atrevo-me a arriscar uns 90%, são exigindo certificações (no plural), vasta experiência, fluência em algum idioma (de preferência dois) e em alguns casos conhecimento em segmentos diferente dentro da TI, algo como um Cardiologista ter que ser também um Neurologista e com alguma experiência em Ortopedia para lhe pagar salário de nível Junior, mas que deveria ser de pelo menos de um Sênior, quiçá de Coordenador. O que isso causa? Exatamente o que estamos vendo. Sim, poucos candidatos aceitando tais “ofertas”, mas o número dos que negam ainda é muito pequeno em comparação aos que se submetem aos baixíssimos salários e altas exigências. O mercado de TI, infelizmente, ainda é muito desvalorizado, mesmo as próprias empresas sabendo que sem uma TI eficaz, a empresa sequer engatinha, nem anda e muito menos corre. Acompanhando o mercado de contratações fortemente nos últimos dois anos, pude ver absurdos em ofertas de trabalho como “cargos” gerenciais dentro da TI pagando, acredite, R$ 900,00.

Isso mesmo, novecentos reais. Em outras palavras, um pouco mais de um salário mínimo e a vaga pedia conhecimentos, claro, de um gerente e todo gerente que aqui lê sabe o que é preciso para chegar a esse cargo, agora imagine ganhando esse “salário”. O mercado de trabalho chegou ao ponto de dividir os cargos. Antes passávamos por estagiários, trainees, analista jr, pleno, sênior, Supervisor/coordenador e gerente. Agora há Gerente Junior, Gerente Pleno e Gerente Sênior. Será que precisa disso tudo para pagar salários cada vez mais baixos dentro da TI?

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Autor

- Especialista em Gestão de equipes de Suporte Técnico, Service Desk, administração de redes, ordens de compra, contratos, gerenciamento de projetos, controle de pagamentos nacionais e/ou internacionais. - Certificado MCSE pela Microsoft, ITIL v2, v3 e Gestão de TI, Serviços e Processos pela Fundação Getulio Vargas. Linked in: http://br.linkedin.com/in/fmello Twitter: @fteixeiramello

Fabiano Mello

Comentários

24 Comments

  • Muito pertinente o artigo, ilustra a triste realidade do profissional da área de TIC. Creio que muita gente só continua na área porque realmente gosta.

    Ao ler alguns anúncios de vagas tenho a impressão que ao descer a barra de rolagem verei um trollface embaixo. Antes visse. O pior é que não estão brincando.

  • Pois é. Depois reclamam que “a TI” da empresa não funciona.

  • As empresas acabam pagando o preço dessa desvalorização do profissional mais cedo ou mais tarde. Com salários tão baixos os profissionais acabam escapulindo por qualquer “cascalho” a mais. Sem conseguir reter os profissionais a elaboração de planos de longo prazo fica mais complexa pois não podem contar com a experiência do pessoal que já estava lá.

  • como a próxima geração trata de gestão, seria bom para eles se lembrar de onde eles foram… e como eles foram desvalorizados por seus PREDESCESSORES.

    Brasil está se tornando um país desenvolvido, mas o atraso não é para a falta de vontade, há uma abundância de vontade em jovens e adultos jovens do Brasil. O atraso é da falta de valor atribuído as novas competências que foram aprendidas pelos jovens do Brasil – e de não ter um sonho e visão além do horizonte de hoje.

    Este é um artigo muito bom – a perspectiva para se lembrar é que todos no Brasil está passando por uma transição de um país em desenvolvimento a um concorrente global. É bom que Fabiano e outros discutir tais coisas, e que Augusto tenha fornecido tal um fórum para essas discussões.

    Embora eu seja nos EUA, eu não serei por muito tempo – Estou ansioso para ter essas discussões em pessoa com muitos de vocês em São Paulo, BH, RJ, Curtiba, em todo lugar no Brasil…

  • Olá Fabiano,

    Excelente artigo,

    Como sempre digo, infelizmente no Brasil tudo é visto como custo inclusive salário para bons profissionais e a única fórmula utilizada para medir crescimento é dinheiro. Por isso vemos cada vez mais absurdos.

    Outro dia mesmo vi uma vaga onde se exigia; Curso superior completo, 03 Certificações e Inglês fluente e acreditem oferendo um salário de R$ 1.200,00

    Quer dizer você investe para se profissionalizar para receber propostas como essas.

    Espero que um dia mude.
    Abraços,

  • Fabiano,

    você está de parabéns! Seu artigo foi direto ao ponto da AUTOSABOTAGEM que as empresas cometem… Essa “tática empresarial” provoca:
    * Altos índices de absenteísmo;
    * Baixa qualidade;
    * Baixa produtividade;
    * Provocam e intensificam problemas de relacionamento;
    * CAUSAM ATAQUES INTERNOS à segurança da informação e por aí vai.

    Mas a autosabotagem não para por aí: O acúmulo de funções, os desvios de função, e a “contratação” cnPJ cria o fenômeno EUpresa (empreendedorismo). E qual a consequência disso para as empresas? AUMENTO DE COMPETITIVIDADE já que em algum momento nossos colegas de TI perceberão que abrir uma empresa para continuar trabalhando para os outros é inviável.

  • O setor está num processo de canibalização igual ao que aconteceu com telecomunicações, a qual época tive a sorte de pegar o apogeu. Depois, decadência total.
    O negócio é se reinventar, se mexer.
    O texto retrata a sintese do SABER MUITO e GANHAR POUCO.
    Eu desisti.

  • Muito importante este artigo revelando o que realmente acontece no mercado de TI. Uma realidade bem diferente das demonstradas nos canais de TV e nas Faculdades.

  • Cada área tem sua realidade… apesar de os cursos, qualificações e certificações não garantirem a nenhuma empresa um profissional de qualidade que trará retorno, isto é bem valorizado entre os profissionais de TI.
    Algumas outras áreas são mais objetivas quanto à eficácia de um profissional.
    Na área comercial por exemplo… é fácil “medir” um bom profissional, e isto não está relacionado à quantidade de certificações que ele tem!

  • Infelizmente a gente faz a computação por amor a pátria….

  • Há alguns anos venho acompanhando este movimento em TI de grande procura de “Jedis” e oferta de salários incompatíveis.
    A coisa tá tão escandalosa que várias consultorias sérias estão orientando as empresas, que analisem muito bem o que querem e amenizem as exigências dos candidatos.
    Só para exemplificar,já observei em muitas empresas,CEOs que não tem fluência em outra língua e nem por isso seus desempenhos são insuficientes. Também já observei empresas que exigem fluência em Inglês mas o dia a dia requer somente Inglês para leitura técnica.

  • É verdade, estou na área de TI como auxiliar de suporte e sou estudante de Tecnólogo em redes de computadores.
    Estou muito desmotivado com que as empresas tem tratado área de TI.
    Mas o que me matem na área é que sou apaixonado por informática, gosto muito de tecnologia e não me vejo em outra área que não seja TI.

  • Muito bom esse artigo. Só complementaria com o fato da profissão de TI não ter algum tipo de regulamentação. Isso é um dos fatores que faz com que o profissional de TI não tenha sua real importância reconhecida. Um advogado, médico ou engenheiro , tem sua profissão respeitada e, dificilmente, vê-se com esses profissionais os absurdos que vem ocorrendo com os profissionais de TI. É muita cobrança e responsabilidade para remunerações cada vez menores.
    Sei que a questão da regulamentação é polêmica, mas, pessoalmente, acredito que é de vital importância para que sejamos respeitados.

  • E o pior que não discordo desses salários ridículos para a “média”. Existe ainda muito profissional de TI fraco no Brasil, o problema é que as empresas não sabem medir isso, daí nivelam por baixo. Elas querem um cara foda e estão dispostas a pagar pelo cara foda, mas como não sabem encontrá-lo no mar de currículos, jogam um salário baixo pra correr menos risco.

    E o pior de tudo é que a gente evolui devagar na empresa, se o gerente entrasse nessa roubada de aceitar 900 reais mas, mostrando serviço, ao final dos 3 meses tivesse o salário reajustado pros justos 7 a 9 mil, tudo bem. Mas subir desses 900 vai ser difícil…

  • Fabiano, parabéns pela abordagem, realmente o ideal seria a criação de uma base salarial bem definida e talvez regulada através de sindicato e tudo mais.

  • Galera eu chutei o balde, fiz algums processos seletivos e me insultaram com o salário de cerca de 700 reais para uma vaga de analista de informática, infelizmente meu investimento na faculdade e meu artigo publicado foram em vão vou começar do zero, não quero contaminar os colegas mas talvez mudar de área seja uma opção, boa sorte a todos.

  • Sou formado em TI, também tenho Pós e vários outros cursos na área. Eu recebi uma proposta da maior empresa de TI do mundo localizada em Hortolândia, primeiramente fiquei entusiasmado, pois uma empresa desse porte e tão reconhecida é um privilégio. Um entusiasmo que durou pouco, porque me ofereceram um salário de R$1.100,00!! Eu assustei e negociei, então aumentaram para R$1.200,00. Como é possível uma empresa desse porte oferecer um salário desses e ainda para pessoas qualificadas! Assim não dá!

  • Will, essa empresa seria a HP? Eu já vi vagas dela oferendo R$ 700,00 para uma vaga de Assistente de Suporte Técnico. Isso é uma piada!

  • Caros amigos e colegas,
    Creio que posso apontar talvez não o único, mas o principal motivo dessa injustiça: a recusa dos recrutadores em reconhecer seu desconhecimento da área de TI (já que esta evolui continuamente).
    Quantos recrutadores sabem o que vem a ser “Desenvolvimento de Software” ? Banco de dados, suporte ? ITIL, etc ?
    Profissionais desatualizados, aqueles de cabelos brancos principalmente, continuam desconhecendo a realidade do nosso mercado, principalmente o custo dessas certificações.
    Certamente que eles fazem seus próprios cursos (aquele de avaliar o candidato pela expressão corporal por exemplo), mas nenhum se anima a saber o que vem a ser a rotina de trabalho ou o que o profissional realmente vai precisar no desempenho de suas funções, ou as ferramentas de trabalho.

  • uuuufa Que bom que o povo começou a enxergar isso. Minha cidade é pequena mas tem muitas fabricas e industrias e pagam absurdamente pouco. o Maior salário que vi quando estava buscando emprego foi 1.200,00 mas ai diz assim: você pode chegar até 4.000,00! só se for vendendo droga nas madrugadas depois da programação. Você pode chegar a 4.000,00 mas nem o seu chefe que ta la a 10 anos não ganha nem 2.000,00. Um dia meu pai chegou perto de mim e disse puxa meu filho eu nunca estudei na vida sou pedreiro e ganho 130 por dia 2.800,00 por mês e você ganhando 1.200,00 e ainda faz hora extra e não recebe nada, o pessoal depois emenda um feriado e ta tudo certo te pagou as horas extra. Depois disso abri uma micro empresa e trabalho individual. Ai tem gente que ainda tem coragem de falar assim, mas o seu pai trabalha no sol pega peso e tudo, ta certo…. Mas tem amigo meu que trabalha de porteiro ganha 1.800,00 e só fica sentando apertando um botão para abrir e fechar uma porcaria de portão eletrônico.

  • Realmente para ganhar mais têm que ser uma junção de Jedi com Chuck Norris na área de TIC.

    Pós-graduação e certificações e outras línguas são o mínimo para ganhar mais de R$ 3000,00. Nos negócios em que TIC não são área fim, nós somos e sempre vamos ser gastos, e o que todo empresário faz com os gastos? Corta ou diminui. Amém para a oração acima, de repente algo inesperado aconteça depois dessa publicação.

  • Ótima publicação.

    Coragem, meus amigos…

    Estamos todos nós, profissionais de TI, governo, empresários e usuários finais em busca de crescimento e, apenas nós, da área, temos a noção do que é necessário. Imaginem a complexidade… Compreendam que esta é uma área do conhecimento relativamente nova para a maioria dos mortais. Toda uma geração de seres humanos foi pega de surpresa, tamanha a evolução nesta área. Precisamos unir forças e entender o que este novo conhecimento pode nos trazer.

    Os “cabelos brancos” dotados de técnicas arcaicas de recrutamento precisam se atualizar…
    Os empresários precisam entender melhor em que a TI pode ajuda-los.
    O governo precisa regulamentar….. (acho esta a parte mais difícil)

    Tenhamos fé…

    Um grande abraço a todos,

  • Desvalorizar a mão de obra é umas das políticas do capital.

    Mas lembrem-se: o dinheiro remunera onde dá mais dinheiro.

    Se o capital desvaloriza os profissionais, é porque eles não geram o retorno assim esperado.

    Sim. Isso é verdade.

    Se eu lhe der R$ 1.000,00, e você me devolver R$ 1.500,00, eu não vou dar ele para outra pessoa se não houver retorno maior que R$ 1.500,00.

    Isso porque eu não estou falando de encargos sociais, dentre outros valores que o governo recebem e que deveria fazer parte de nosso salário.

    Se vc recebe R$ 1.000,00 e reclama, porque não faz a conta que o empregado poderia dar para você – VT, VA, Seguro, FGTS, COFINS, PIS, décimo terceiro – ele guarda para te dar depois… – etc?

    Vocês pensam que eu estou dando razão aos exploradores.

    Mas na verdade, estou abrindo o olho de vocês.

    Muitos acham que suporte técnico, help desk, cabeamento, etc, fazem parte de TI.

    Isso não é verdade. Fazem parte de infraestrutura. Alguns até fazem parte de eletrônica.

    Qual o grau de escolaridade que um “analista de help desk” precisa ter para trabalhar? Estou fazendo essa pergunta com base no dia a dia, não o que o RH pede.

    Resposta: um curso básico de informática, preferencialmente de montagem, manutenção e configuração de PCs.

    Um curso desses não dura nem um ano e pode ser considerado de nivé Fundamental – quinta a oitava série.

    Daí vcs já vem o quanto é facil ser profissional da área.

    Agora, qual o retorno que ele gera? Reiniciar o PC, porque a Internet não funciona? Isso qualquer criança, literalmente, sabe.

    Mas e em outras áreas? Programação, por exemplo?

    De fato, existem poucos profissionais qualificados. Muitos saem da faculdade fazendo “hello Worlds” e não sabem nada sobre Design Patterns, OO, ou bons padrões de codificação, como se aprende em ITIL ou COBIT – sinceramente, devo concordar que não sei o que são, mas sei que um deles é para isso,

    Muitos alunos saem do curso com o certificado, mas não sabem programar sem a sua IDE. Dá um eclipse para um cara que meche com Netbeans que ele se perde.

    Isso sem contar que no papel ele não faz nem ferrando.

    Mas e os experientes?

    Saber programar o botão que fecha a janela do Google Chrome não quer dizer que você saiba pegar uma tecla digitada no teclado, não importe em que programa o usuário está.

    Ter experiência em uma coisa não significa que você seja bom na área em que está.

    Existem poucas formas de saber isso, uma delas é através de certificações pagas por entidades como Oracle, Microsoft, dentre outras.

  • Eu sou gerente de projetos. Quando leio anuncios de gerente junior/pleno, eu penso: inventaram esses niveis para justificar o baixo salário, mas será que eles estariam dispostos a comprometer o projeto na mão de alguem sem experiência? Não.Tanto que no descritivo da vaga, os niveis pleno e junior ve, com exigências que só a experiência e as qualificações podem oferecer.

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