Gerência de Projetos

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Falta pensamento sistêmico em TI

publicado por Carlos Marcelo Lauretti

Como assim? Ora, profissionais de TI desenvolvem sistemas! Como se pode dizer que não pensam sistemicamente?  Mas é verdade.  O Pensamento Sistêmico é uma abordagem da realidade que surgiu em contraposição ao pensamento reducionista que busca entender a realidade através de suas partes, também dita “mecanicista”. O ser humano entende melhor um problema complexo reduzindo-o a problemas menores e oferecendo soluções para cada um deles. É o velho método Jack Estripador: vamos por partes.

Entretanto, entender melhor um problema complexo não significa necessariamente solucioná-lo melhor. Isto é típico ao abordar os problemas enfrentados pelos profissionais de TI. Nós estamos acostumados a pensar sistemas informatizados através de seus componentes, de suas partes. Fomos ensinados por uma racionalidade tecnocientífica a tratar os problemas desta forma. É mais fácil para nós, sentímo-nos mais confortáveis sabendo os limites de nossa responsabilidade.

Mas o que está errado nesta forma de pensar? Não, não está errada, mas ao pensar somente em suas partes, perdem-se as relações entre as partes, e é isto que não podemos nos descuidar. As abordagens sistêmicas e reducionistas não são antagônicas. É o mesmo que para entender um carro, nós o desmontássemos e colocássemos todas as peças a nossa frente para entender seu funcionamento. Sem dúvida, não seremos capaz de entender o que o radiador tem a ver com o bloco do motor. É preciso também entender as relações entre as partes.

A resolução dos problemas de TI segue o mesmo raciocínio. Uma das principais falhas que cometemos é esquecer momentaneamente que um sistema contém vários sistemas, que por sua vez se insere em outros inúmeros sistemas. E mesmo assim, os limites de cada sistema não são claramente definidos. Na maioria das vezes não sabemos onde um sistema termina e outro começa.

Queremos desenvolver um sistema por vez, queremos pensar um projeto de cada vez. Como profissionais de TI não estamos errados em pensar assim, e na maioria das vezes não temos outra alternativa. Temos projetos a completar, prazos e metas a cumprir. Mas as empresas para as quais trabalhamos têm sim outras formas de pensar TI.

A saída é o planejamento estratégico abordado de forma sistêmica. É enxergar TI a partir das relações entres os elementos que formam a TI de uma empresa. É enxergar as relações entre os diversos sistemas. É enxergar as relações entre o planejamento da infraestruturarede, servidores, estações – ao mesmo tempo em que se faz o planejamento dos aplicativos  – ERP, CRM, BI, e outros – e que tudo isso faz parte do “sistema maior” que é a própria empresa. É não esquecer as relações da própria organização de TI – gestão de pessoas – com isto tudo.

Pensar TI sistemicamente é planejá-la como um todo e não a partir de seus projetos isoladamente, ou melhor, antes de pensar cada projeto, é necessário pensar o conjunto de projetos. É mais que um ritual episódico, ou as conhecidas “reuniões anuais de planejamento”. É um pensar continuamente nas relações entre os diversos elementos que formam a Tecnologia da Informação e dela com seu ambiente, a empresa e seus stakeholders.

É um pensar de modo diferente.

Recomendação de leitura: Peter Senge, A Quinta Disciplina

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Autor

Profissional com extensa experiência como gestor de TI em empresas de grande porte dos setores de engenharia civil e editorial. Possui doutorado em Administração de Empresas, especializações em Gestão de Informática e Gestão do Conhecimento. Professor e pesquisador de Finanças Corporativa. Consultor em projetos de investimento em TI e valuation de empresas. email: lauretti.tiesp@gmail.com site: www.wedb.net linkedin

Carlos Marcelo Lauretti

Comentários

2 Comments

  • Prezado Carlos,
    Permita-me acrescentar uma questão ao tópico postado aqui por você com muita sabedoria e conhecimento.
    Além da falta de pensamento sistêmico (visão) por parte dos profissionais de TI, ocorre também a falta de conhecimento sistêmico por parte dos demais colaboradores das organizações.
    A experiencia nos mostra que muitos colaboradores só se preocupam em executar as suas tarefas diárias, com uma visão mais departamental/setorial (ex: contas a pagar, contas a receber, etc), sem a preocupação em conhecer e entender como estas informações são integradas/geradas a outros departamentos da organização (ex:tesouraria, contabilidade).
    Exemplificando: com a utilização de sistemas integrados (ERP), muitos colaboradores não se preocupam com a qualidade e integridade das informações inputadas no sistema, e isto tem gerado re-trabalho, com perda de tempo e gerando custos, pois tempo gasto com re-trabalho é custo. Muitos preocupam-se somente em executar sua tarefa e deixam para os outros a responsabilidade de verificar a qualidade e a integridade destas informações.
    Abcs.

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