Carreira

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Carreira: Não tem preço? Tem, sim!

publicado por Israel Bovolini Jr

Vamos continuar falando sério hoje.

Baseado no que ando observando em nosso meio, cheguei a uma conclusão bastante triste: profissionais de TI não conhecem matemática simples.

“Como assim? Matemática é a base da tecnologia! Esse cara está doido!”. É, eu sei, parece loucura. Mas vamos aos fatos:

Um analista de sistemas pleno, para ser considerado como tal, deve (segundo o mercado) ter um Curso Superior terminado, pós-graduação terminada ou em vias de, alguns cursos de especialização, pelo menos mais um idioma, ter uma série de competências pessoais (dinamismo, pró-atividade, comunicação e todas as palavras bonitas que o RH ama), sem contar com a experiência de trabalho (algo em torno de uns 20 projetos das mais diversas áreas).

Já colocou na ponta do lápis o quanto se gasta para chegar nesse ponto? Vamos tentar no estilo daquela propaganda de cartões de crédito:

– 4 anos de Ciências da Computação (R$ 450,00/mês) na UNIPONE (UNIversidade POrcaria NEnhuma): R$ 24.000,00

– Gastos com a vida neste período: R$ 10.000,00 – vivendo barato

– 30 meses (R$ 700,00/mês) de Pós-Graduação na UNICONRHADO (UNIversidade CONceituada que o RH ADOra): R$ 21.000,00

– Gastos com a vida neste período: R$ 15.000,00 (afinal de contas, subimos de padrão, e material de pós é BEM caro)

– Curso de idiomas: R$ 6.000,00 – (24 meses a R$ 250,00, pra sair do verbo to be/não pedir uma Cueca-Cuela e ser minimamente entendido em reuniões)

– Cursos extra-curriculares: R$ 10.000,00 em uns 4 cursos, totalizando 18 meses, pra impressionar o RH

– Certificação: R$ 2.000,00 por 1 certificação

– Gastos com trabalho durante todo esse tempo (locomoção, alimentação, etc, etc): R$ 20.000,00

TOTAL: R$ 110.000,00

TEMPO GASTO: 78 meses, se você fizer idiomas + cursos extras + certificação durante a pós

– Salário do Analista após essa maratona: R$ 3.000,00 por mês (bruto)

– Colocando os santos descontos deste maravilhoso país, você vai ganhar cerca de R$ 2.400,00 por mês

Quanto tempo seria necessário para o ROI (procura no Google): 45 meses e pouco, ou seja, quase 4 anos. E isso se você não se atualizar, coisa que em nosso ramo é o equivalente a um suicídio com facada pelas costas.

Pra mim, NÃO TEM PREÇO.

Meu ponto hoje é: por que, de um modo geral, o profissional de TI não sabe se valorizar?

Como para quase tudo o mais, pra isso eu também tenho uma teoria: para o verdadeiro profissional de TI, a profissão é fácil. É gostosa. A gente É o último Chocooky do pacote. A frase que mais ouço dos técnicos em geral é: “Poxa, mas como aquele <palavrão> do usuário não enxergou isso?”. Pra mim, sofremos da megalomania inerente a um Pablo Picasso.

Para essa premissa, vou citar o Coringa, interpretado (magistralmente) por Heath Ledger em Batman: o Cavaleiro das Trevas.

“Se você é bom em alguma coisa, nunca faça de graça”

Genialmente simples, não? Todo mundo já ouviu a história do engenheiro que cobrou 100 mil para apertar um parafuso de uma máquina defeituosa, e escreveu na nota fiscal “Serviços Prestados: Apertar parafuso – R$ 100.000,00”. O cliente achou absurdo ele cobrar esse valor só por um serviço, e pediu para detalhar mais na nota. Ele escreveu:

“Serviços Prestados:

Apertar parafuso – R$ 0,01.

Saber qual parafuso apertar – R$ 99,999,99”

Então, se você investiu todo esse tempo e dinheiro em formação, por que aceitar um valor mequetrefe em paga de todo o seu conhecimento? Recomendo fortemente que os VERDADEIROS profissionais de nossa área aprendam uma habilidade indispensável: VENDA.

Negociar salário não é errado, não dá cadeia, não te envergonha, não dá espinhas, não faz cair cabelo, não afasta o sexo oposto (ao contrário), então por que não fazer?

Recentemente quase caí para trás ao ver uma empresa (?) oferecendo em sites de compra coletiva um “site institucional por R$ 32,50”. Sério, esse valor não paga nem hospedagem hoje. Mas a empresa ganhou no giro. Tenho certeza que houve uma porção de donos de empresas pequenas que aderiram a isso. Qual foi a vantagem competitiva dessa “empresa”? SOUBE VENDER. O trabalho vai sair ruim/atrasado/condizente com o valor? Provavelmente. O cara que ofereceu está ligando pra isso ou pro valor na conta dele? Eu creio que você sabe a resposta.

“Ah, mas com uma concorrência desleal (R$ 32,50) dessa, não dá pra competir”. Ué, ofereça o mesmo serviço a R$ 30,00 (se quiser um retorno rápido, mas que vai te dar um trabalho inacreditável, visto que você quer entregar algo bom) ou aprenda a se valorizar – que vai te dar um retorno mais modesto, mas CONSTANTE e CRESCENTE, se você estiver disposto a investir em você mesmo.

Percebe a dicotomia existente em todo profissional de TI? Ele é TÃO bom no que faz, consegue fazer as coisas TÃO melhor que seus concorrentes, mas ao mesmo tempo é TÃO modesto em valorizar JUSTAMENTE tudo isso? É, realmente é mais fácil reclamar.

Durante minha carreira, tive a oportunidade de entrevistar muitos profissionais de TI de diversos níveis, de picaretas a quase-ciborgues, e percebi que a maior parte deles quase pede desculpas ao falar de suas realizações; não sabe detalhar seu papel nos projetos, destacar os pontos fortes, enfim, convencer o entrevistador de que seria uma boa idéia contratá-lo. Não se iluda: quando alguém te contrata, ele não está vendo os seus lindos olhos azuis – ele está vendo que você pode representar um acréscimo substancial no faturamento mensal da empresa. E se ele puder pagar menos por isso, ótimo, mais faturamento. O bônus dele por te contratar só vai subir.

“CrenDeusPai, mas esse cara é um mercenário, arrogante, janotinha, almofadinha, <coloque a ofensa aqui>“. Eu pergunto: a quantas anda sua conta bancária?

Enfim, hoje fica um conselho: aprenda seus pontos fortes, e saiba vendê-los. Tecnologia não é arte ou hobby, é BUSINESS. O artista-estereótipo diz que vale a pena passar fome pela arte. Eu já sou da opinião de que dinheiro não traz felicidade, mas te ajuda bastante a sofrer em Paris.

Sucesso!

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Minimum Way

Autor

Trabalho na área de tecnologia há 12 anos, tendo sempre um perfil generalista, atuando desde o levantamento de requisitos, passando por análise de sistemas, desenvolvimento, implantação e fazendo acompanhamento pós-venda. Atualmente me dedico à liderança e coordenação de equipes de desenvolvimento, procurando sempre extrair o máximo de cada um e aplicando seus talentos para que todos saiam satisfeitos. Acredito que não exista um profissional cujos talentos não possam ser aproveitados em algum aspecto de um projeto, basta saber estimulá-lo a isso. LinkedIn: http://br.linkedin.com/in/ibovolini

Israel Bovolini Jr

Comentários

9 Comments

  • Israel, compartilho do vosso ponto de vista e gosto dos seus posts, que no mínimo nos faz refletir o obvio.
    Continue assim, meu caro colega.
    Um abraço, Fabiano Dias

    • Concordo com você Israel, o grande problema é na grande maioria os profissionais de TI são nerds, capacitados tecnicamente, mas quando o assunto passa para área de humanas para por aí. Não sabem se vender, não sabem negociar.
      Tenho vários amigos assim, inclusive um deles é meio sociopata, evita o máximo possível de falar com pessoas, se puder trata tudo por internet para não ter contato com pessoas.
      Em relação ao custo que você colocou é por aí mesmo, se não for mais. Bons cursos são caros, mesmo os de graça, pq é de graça a mensalidade, mas você precisa investir em livros, cursos, bons computadores e por vai.
      Eu acho um absurdo os salários da área, vejo emails solicitando profissionais altamente capacitados com certificações Microsoft, Oracle e o salario uma miséria.
      A conta não fecha, eles esquecem que o profissional de TI precisam comer, querem constituir uma família entre outras necessidades básicas de sobrevivência.
      Mas é isso aí, quem tem que acordar são os profissionais, e não os contratantes.

      Abraços

  • Israel,

    excelente artigo!

    Compartilho em muitos aspectos a sua visão, enquanto anunciam em noticiários que não existe mão-de-obra capacitada para TIC e outras áreas que estão com alta demanda, esquecem de ver os pífios salários oferecidos aos profissionais da área de tecnologia – mero detalhe, não?

    Como muita gente está se formando achando que o cenário da TIC é o mesmo de 4 anos atrás acaba aceitando a condição, enquanto isso profissionais mais gabaritados preferem trabalhar como freelancers ganhando mais do que estariam se estivessem empregados, e nem é preciso ser muito esperto para manter uma boa carteira de clientes, basta trabalhar direito.

    Enfim, é tudo uma questão de para onde a maré vai, e falando em maré, enquanto isso no mercado de Óleo e Gás, altamente inflacionado, uma pessoa com nível técnico pode ganhar até 5.000 ou mais de salário. Quando a demanda diminuir e o mercado estiver abarrotado de gente se formando na área e os salários caírem veremos as mesmas reclamações.

  • Israel,

    Eu também já havia feito essas contas… Em suma não acho que se eu “negociar” vou conseguir algo diferente. Já me candidatei a muita vagas e sei o que o mercado está disposto a pagar. Cansei de jogar truco com propostas de emprego. Tenho agora bem claro a visão de que solução mesmo está em outra área. Lei da oferta e procura.

  • Israel,
    Didático e muito bem humorado seu artigo.
    É exatamente isto que a maioria dos verdadeiros profissionais de TI devem saber. BUSINESS
    Eu mesmo demorei muitos anos para aprender a lição.
    Abraços
    Rapanelli

  • Israel, ótimo post.
    concordo plenamente com a sua opinião; vendo o mercado de trabalho, vagas de oportunidades etc. Fico perplexo com o valor que as empresas pretendem pagar a um profissional muitas vezes de nível Especialista ou Analista Pleno, valores que são verdadeiras esmolas, o profissional além de ter que saber todas as linguagem de programação, mexer em todos os sistemas, configurar todas as tecnologias, saber falar todas as línguas, recebera o montante de 2K ou na melhor das hipóteses 3K.
    Chega a ser um mercado de profissionais de baixa auto estima, as empresas estão trabalhando com uma margem fora da realidade.

    Att
    Bruno

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