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Análise Transacional

publicado por Rodrigo Lodeiro

Como obter o melhor resultado da relação interpessoal (parte 1 de 4)

Introdução ao problema da comunicação interpessoal

O Líder da equipe de Testes entra na sala do Gerente de Projetos e fala:

[LÍDER DE TESTES] – A área de Desenvolvimento entregou o módulo que meu time deve testar até sexta-feira, mas a equipe de Banco de Dados ainda não liberou acesso à base de homologação. Precisamos iniciar os testes ainda hoje, sob risco de atrasarmos a entrega ou liberar o produto sem ter sido completamente testado.

[GERENTE DE PROJETOS] – Este módulo atenderá um processo crítico do cliente. Nem considere a hipótese de deixar algum teste de lado. Qualidade é principal restrição. Eu havia alertado por telefone o Gerente de TI sobre a falta de reporte do pessoal de Banco de Dados e pelo visto ele não tomou a ação prometida. Vou pessoalmente conversar com ele.

Nem vamos entrar no mérito de o Gerente de Projetos estar sendo reativo. Ele tinha ciência do risco de atraso e deixou o problema estourar para ter a primeira conversa face a face com o Gerente de TI? Lamentável…

Mas vejamos outro aspecto da conversa acima: temos aqui apenas 7% da comunicação. Não sabemos se o Líder entrou na sala, cruzou os braços e empinou o nariz antes de falar com tom desafiador, ou se fez aquela cara de “eu sabia que isso ia acontecer”.

Não sabemos se o Gerente deu um soco na mesa e saiu impulsivamente para cobrar (na realidade “culpar”) o Gerente de TI ou se ele adotou o estilo “mea culpa” junto ao Líder de Testes, reconhecendo a falha (ou apenas tentando sensibilizá-lo).

São situações completamente diferentes utilizando as mesmas palavras! Até mesmo o silêncio às vezes carrega muita mensagem.

7% da comunicação são as palavras em si. 93% são os trejeitos, o tom de voz, o sorriso sarcástico, o olhar de sincera preocupação, o pé nervoso batendo no chão.

Esta série de 4 artigos abordará uma técnica muito eficiente para nos dar condições de conduzirmos as conversas para o melhor desfecho possível. Refiro-me à ANÁLISE TRANSACIONAL (AT).

O que é a Análise Transacional?

Método criado por Eric Berne em 1958, a AT é uma teoria da personalidade utilizada em psicoterapia para mudança de atitude e compreensão sistemática dos sentimentos e atitudes próprios e dos outros. Desta forma, desenvolvemos maior capacidade para lidar com conflitos e “prever” as reações alheias aos estímulos (verbais e não-verbais).

Uma das ferramentas da AT é o estudo dos chamados “Estados de Ego” e estuda a troca de estímulos e respostas entre as pessoas. Eles são: PAI, ADULTO e CRIANÇA.

Os Estados de Ego são PAI, ADULTO e CRIANÇA.

Estados de Ego4

O PAI pode ser CRÍTICO ou PROTETOR, enquanto a CRIANÇA pode ser NATURAL, REBELDE ou SUBMISSA.

Temos, em nossas atitudes, componentes destes 3 Estados de Ego. Conforme nossa personalidade, caráter e maturidade, um desses estados acaba sendo predominante em determinada situação. Também temos a característica de oscilar entre um estado e outro rapidamente, conforme o decorrer de nossas interações com outrem. Quando eu digo “rapidamente”, me refiro às diversas mudanças de postura e humor que podem ocorrer em segundos!  Vejam este caso (mais real, impossível).

Há alguns minutos eu estava falando ao celular (viva-voz, certamente) em uma avenida de São Paulo e, ao final da conversa, vi que eu tinha passado da rua que eu deveria ter entrado. Corrigi o caminho, entrei num estacionamento, o manobrista estava varrendo o chão e não comentou nada ao ver-me dirigindo ao subsolo e deixar o carro lá. Quando retornei para pegar o tíquete, ele me informou de forma imperativa que “lá embaixo é só para mensalista”. Sem nada falar, mas provavelmente com fisionomia de desgosto, entreguei a chave na mão dele, como quem diz (não-verbal): “então vá lá e coloque o carro no local certo, afinal você não me orientou quando poderia”. Na hora ocorreu-me um remorso pela minha atitude e, quando ele me entregou o tíquete, eu agradeci com um sorriso sincero, tentando transmitir um clima de paz. Entrei em uma cafeteria. Notei que o moço do caixa repreendeu a garçonete por ela não ter me atendido de imediato. Ela veio a mim com ar de culpa, ao que eu pedi um “café com leite desse tamanho”, fazendo um gesto que indicaria um copo de 50 centímetros de altura. Ela sorriu e atendeu o meu pedido (em parte, pois o copo tem “apenas” uns 20cm). São 8h de quarta-feira e estou aguardando o horário de uma reunião, aproveitando para tomar um café e escrever este artigo.

Nestes minutos eu transitei centenas de vezes entre os Estados de Ego (pois muito mais coisas não relatadas ocorreram). Com relação aos fatos que apontei na narração, eu passei por:
Estados de Ego3
O estudo de AT vai muito além do aspecto de Estados de Ego. Na realidade, existe todo um embasamento científico que sustenta a teoria. No entanto, minha proposta neste artigo visa compartilhar este conhecimento de forma simples e de aplicação imediata. E, para minimizar o risco de falhas conceituais, eu tive a honra de contar com a crítica de um profundo conhecedor sobre o assunto, o mestre Jankel Fuks. Obviamente, qualquer falha que houver no decorrer desta série de artigos deve ser atribuída a mim.

Na segunda parte deste artigo iremos entender a relação entre Estado de Ego e Maturidade, exemplificar o assunto com situações do dia-a-dia e explorar como este estudo se aplica na nossa interação com outras pessoas.

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Autor

Rodrigo Lodeiro, nascido em 30/03/73 em Porto Alegre/RS, reside em São Paulo desde 2002. Engenheiro Eletricista formado pela Universidade Federal do RS e Pós-Graduado em Gestão de Projetos com ênfase no PMI. Carreira iniciada como programador Assembler para equipamentos de Automação Comercial, atuou como Analista de Sistemas, Coordenador de Desenvolvimento de Sistemas, Gerente de TI e Gerente de Projetos, função exercida nos últimos 7 anos.

Rodrigo Lodeiro

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