Cloud Computing

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A adoção da nuvem pode ajudar em tempos de crise econômica, mas …

publicado por Alfredo Saad

Figura - A adoção da nuvem pode ajudar em tempos de crise econômica, mas ...Conforme amplamente discutido na literatura, a implementação de soluções de TI através da adoção da alternativa da computação em nuvem tem tornado possível a obtenção, por organizações de todos os portes, de relevantes benefícios, tais como:

  • O atendimento imediato a demandas elásticas por recursos de TI
  • A substituição de gastos de capital (CapEx) por gastos operacionais (OpEx)
  • O acesso a aplicações através de uma ampla diversidade de dispositivos e independentemente da localização geográfica do usuário
  • O ajuste dos preços incorridos de forma compatível com as flutuações de demanda

Discutimos também em artigos anteriores que a adoção da alternativa da computação em nuvem numa organização não acarreta a obtenção “automática” de tais benefícios.  Apenas a definição de uma estratégia adequada e a implantação correta de cada etapa do processo, através da identificação e tratamento dos riscos a elas inerentes, podem  resultar na consecução eficaz dos business drivers que motivaram a sua adoção, dentre os quais podemos destacar:

  • Um aumento do market-share no segmento em que a organização atua, através da obtenção de vantagem competitiva
  • Uma diminuição do time-to-market de seus produtos / serviços, através de processos inovadores
  • Um aumento na eficiência e produtividade de suas operações, através da otimização de custos, tempos e recursos

Como tudo isso se reflete no cenário atual vivido no Brasil, onde se configura uma aguda deterioração dos indicadores da economia, relativos a inflação, desemprego, atividade econômica, crédito e capacidade de investimento, dentre outros fatores ?

Por todo o potencial de benefícios almejados pela adoção da alternativa cloud, parece razoável concluir que ela pode contribuir, de forma relevante, para que a economia brasileira supere a crise ora prevalente.

Há, entretanto, uma dificuldade adicional a ser superada para garantir a eficácia da implantação da alternativa cloud no Brasil de uma forma ampla e generalizada: trata-se da inadequação e da insuficiência da infra-estrutura tecnológica disponível no país, conforme pode ser depreendido pela análise dos relatórios anuais publicados pelo World Economic Forum. O mais recente deles, publicado em 15 de abril de 2015, que reflete a posição de 2014, pode ser visto no link http://www.weforum.org/reports/global-information-technology-report-2015.

Este relatório anual, publicado desde 2004, estabelece um índice, chamado Network Readiness Index (NRI), que reflete o grau com que a economia dos países alavanca as Tecnologias de Informação e Comunicações (TIC) em benefício de sua competitividade. O NRI objetiva subsidiar a definição de políticas nacionais, ao identificar potencialidades e carências de cada país e sua evolução ao longo do tempo. O NRI consolida 54 indicadores em 10 pilares, por sua vez agregados em 4 grandes sub-índices (Ambiente, Prontidão, Utilização e Impacto).

Considerando ser a economia brasileira a 7ª. economia do mundo, seria razoável supor que os indicadores relativos a infra-estrutura de tecnologia e comunicações do país fossem compatíveis com sua representatividade no cenário global. Não é, entretanto, o que se observa ao se analisar os relatórios anuais do WEF, a partir dos quais passaremos a ressaltar alguns fatos:

– O índice NRI consolidado mostra uma degradação entre 2004, ano em que o Brasil aparecia como 46º. entre 104 países pesquisados e 2014, ano em que o país aparece como 87º. em 143 países pesquisados.

– Ao comparar os dois últimos reports, que refletem as posições de 2013 e 2014, constata-se um declínio em três dos quatro sub-índices pesquisados :

  • Prontidão: de 76º. (2013) para 91º. (2014)
    • Dentre os 3 pilares desse sub-índice o destaque negativo foi o pilar de Habilidades, com declínio da 91ª. posição em 2013 para a 108ª. posição em 2014.
  • Utilização: de 47º. (2013) para 60º. (2014)
    • Dentre os 3 pilares desse sub-índice os destaques negativos foram os pilares de Utilização em Negócios, com declínio da 41ª. posição em 2013 para a 52ª. posição em 2014 e Utilização no Governo, com declínio da 54ª. posição em 2013 para a 71ª. posição em 2014.
  • Impacto: de 57º. (2013) para 75º. (2014) …
    • Houve declínio nos dois pilares desse sub-índice: Impactos Sociais (de 58º. em 2013 para 73º. em 2014) e Impactos Econômicos (de 64º. em 2013 para 76º. em 2014)

– … contra uma pequena melhoria em um dos sub-índices:

  • Ambiente: de 116º. (2013) para 111º. (2014)
    • Houve melhoria num dos pilares dessa área (Ambiente de Negócios e Inovação), de 135º. em 2013 para 121º. em 2014 e declínio no outro pilar da área (Ambiente Político e Regulatório), de 78º. em 2013 para 95º. em 2014.

Deve ser ressaltado, que independentemente da tendência de declínio ou melhoria, as posições observadas em cada um dos 10 pilares, tanto em 2013 quanto em 2014, são incompatíveis com o fato de que o país abriga a 7ª. maior economia do mundo. No pilar de melhor desempenho do país (Utilização em Negócios), por exemplo, estávamos em 41º. em 2013, posição degradada para 52º. em 2014, como visto acima.

Reconheça-se,  por outro lado, que os sofríveis indicadores mostrados pelo país tenderiam a ser algo abrandados se considerados isoladamente os grandes centros urbanos e industriais, que certamente apresentariam indicadores menos desfavoráveis. Note-se, entretanto, que o peso significativamente maior desses centros é predominante no cálculo da média do país. Contrariamente, indicadores menos favoráveis observados em regiões menos privilegiadas do país, por seu menor peso, têm baixa influência sobre o cálculo da média do país. Em resumo, os valores apresentados no relatório do WEF tendem a ser apenas levemente piores que aqueles observados nos grandes centros urbanos e industriais do país.

Tais indicadores regionalizados, entretanto, não estão disponíveis, sendo válida, entretanto, a afirmação de que as carências de infra-estrutura tecnológica deverão ser avaliadas, caso a caso, constituindo-se em potencial entrave para uma adoção maciça das novas tecnologias digitais no país, dentre elas a adoção da computação em nuvem.

Você concorda com os conceitos aqui emitidos ? Enriqueça a discussão com seus comentários.

[Crédito da Imagem: Adoção da Nuvem – ShutterStock]

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Autor

Alfredo Saad has been acting on IT area since 1970, taught more than 100 lectures in Brazil and abroad (USA, France, Portugal, Chile, Argentina & Uruguay). He has been acting on IT Strategic Outsourcing Services area since 1997. He negotiated and managed, as Varig's IT Technology Manager, the contract signed with IBM (1997-2004). In 2006 he published the book "IT Services Outsourcing" (Brasport Publishing House). He managed (2006-2009), as an IBM Project Executive, the South American section of Michelin's global outsourcing contract. Risk Manager of all IBM Strategic Outsourcing contracts in Brazil (2009-2014). From March 2014 on, he has been acting as an independent consultant, lecturer and writer on IT Outsourcing as the principal of his own company, Saad Consulting.

Alfredo Saad

Comentários

2 Comments

  • Alfredo, gostaria de saber, na sua visão, o que cada um de nós, profissionais da área de tecnologia podemos fazer para alterar esse cenário, sem esperar nada de nossos governantes?

    • Alexandre, ao analisar individualmente cada um dos 54 sub-índices propostos pelo WEF você poderá verificar que, do ponto de vista de quem poderia melhorá-los, eles poderiam ser grupados em pelo menos 3 grupos:
      – há sub-índices cuja melhoria poderia ser implementada tanto pelos profissionais da área (p.ex. via aquisição de skill e capacitação)
      – há sub-índices cuja mellhoria poderia ser promovida pelas empresas privadas provedoras de recursos de TIC, através de investimentos, inovação, etc (claro que na atual conjuntura, o gráu de confiança do mercado não parece incentivar essa atitude, inclusive por escassez na disponibilidade de crédito)
      – há sub-índices cuja melhoria depende mesmo do governo (alguns pela iniciativa do executivo, outros pela iniciativa do legislativo e outros pela própria atuação do judiciário)
      Ou seja, o esforço teria que ser conjugado a partir de uma estratégia e uma política consistente, com metas mensuráveis de curto, médio e longo prazo. Lamentavelmente o cenário de desorganização de nossa economia não parece criar um quadro animador. Aliás, a degradação da posição do país ao longo dos 10 anos em que o report do WEF vem sendo publicado reflete exatamente essa progressiva deterioração da economia e o desestímulo que afetou os eventuais agentes de mudança descritos acima.

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