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O líder pavestruz

publicado por Diego Salim De Oliveira

Figura - O líder pavestruzVocê já ouviu falar no líder “pavestruz”?

Pavestruz = Pavão + Avestruz

Certamente você já identificou ao longo de sua carreira um líder “pavão”, que adoram passar a imagem de grandes estrategistas, líderes natos, profissionais de experiência e caráter incontestável, além de resultados formidáveis.

Existe também o líder “avestruz”, aquele que tenta passar despercebido no cargo. Extremamente inseguro, foge de todo e qualquer problema ou conflito, seja com superiores, pares ou subordinados. Ao notar qualquer sinal de problema, literalmente some como ninja na fumaça (ou ao menos deseja fazê-lo).

O líder “pavestruz” é a “quimera” resultante da junção do avestruz com o pavão.

Cheio de pompa, mostra-se extremamente competente, confiante, gosta de receber todos os louros pelo sucesso, mostra-se como um verdadeiro líder de sucesso, ama sentir-se amado e respeitado, gosta de portar-se como um líder de sucesso de reality show e até seu andar é majestoso.

Mas ao primeiro sinal de fumaça, diante de qualquer problema, dificuldade, conflito ou fracasso, mostra-se um verdadeiro avestruz. Finge não notar os conflitos internos em sua equipe e até mesmo as falhas de conduta ou caráter de seus liderados, faz de tudo para não envolver-se, pelo contrário, quer apenas cobrar o resultado, cada um que se vire para entrega-lo, e quando um problema ou erro torna-se evidente, a culpa é de qualquer um (em geral, um ou mais de seus subordinados), mas ele nunca tem culpa.

É o tipo de chefe que diz a todo tempo “somos um time” e “conte comigo”, adora dizer que “juntos conseguiremos”, “deixe comigo” ou “estou confiando em você”, mas que quando alcança o sucesso repassa para os níveis superiores a mensagem de que ele conseguiu, graças a ele se alcançou, que se não fosse ele a empresa não teria conseguido, e diante do fracasso primeiro tenta fugir e quando não é mais possível, elege um ou mais culpados, buscando a todo custo fugir de qualquer peso ou responsabilidade.

Aquele suposto líder que exige comprometimento total de sua equipe, mas evita compromete-se a todo custo.

Este é talvez um dos mais difíceis chefes de se lidar, aquele chefe que se vê como grande líder, mas que apesar de respeitado em razão de seu posto, é zombado pelas costas, não possuindo verdadeiro respeito ou confiança de seus subordinados.

Para os subordinados ele é um verdadeiro desastre, tornando a equipe insegura e altamente insatisfeita, além de favorecer e permitir a propagação de inúmeros conflitos internos, sobretudo conflitos velados.

Para a empresa então, nem se fala. Um total desastre. Uma tragédia anunciada.

Muitas vezes ele consegue bons resultados iniciais, mas não resultados consistentes e duradouros. Isto porque muitas vezes a equipe, pressionada para entregar resultados, por uma questão de sobrevivência, mesmo sem compartilhar dos mesmos objetivos que a empresa, sem sentir-se parte da empresa, da estratégia ou dos resultados e mesmo diante de inúmeros conflitos internos e até conflitos de interesse, acaba se esforçando para entregar um resultado que justifique sua permanência, seu emprego. Uma soma de esforços individuais, sem qualquer senso de união ou conjunto, mas que ao final do período, trazem resultados pontuais que muitas vezes justificam o emprego dos membros da equipe e do próprio “líder”.

Mas tratam-se de esforços que não se perduram, pois a crescente insatisfação e desmotivação gera um stress que literalmente cresce de forma exponencial, afetando o desempenho e até a saúde dos membros da equipe, destruindo o comprometimento para com a empresa e derrubando os resultados a médio e longo prazo.

Em alguns casos, quando novo na empresa, é comum o líder pavestruz ganhar a confiança de seus superiores e seus subordinados, fazendo um trabalho muitas vezes excelente nos primeiros meses, fruto de puro marketing pessoal, trabalho este que, a depender do ciclo de vendas dos negócios, pode gerar ótimos resultados no primeiro ano e até mesmo resultados consideráveis no segundo ano (já que em muitos casos, grandes projetos se prolongam por 6, 12 ou mesmo 18 meses). Mas, passado o deslumbre inicial, o próprio líder pavestruz, através de suas ações diárias, descontrói a imagem que vendeu de grande líder e excelente profissional, pondo em cheque até mesmo seu caráter. Aquela equipe inicialmente motivada, literalmente iludida, acaba percebendo que está diante de uma farsa e pouco a pouco os profissionais vão se desmotivando, a insatisfação aos poucos passa a ser notória na equipe, o que era um time unido em busca de objetivos comuns, passa a ser uma equipe destroçada, onde cada um coloca sempre em primeiro lugar a sua permanência no cargo e seus interesses pessoais. Começam a surgir as conversas de corredor entre os funcionários, propagando e multiplicando a insatisfação. Por fim, não tarda para que os resultados comecem a se deteriorar, que o nível de comprometimento se mostre em declínio, que as pessoas comecem a se ausentar do trabalho e até mesmo a ficarem doentes, e claro, que se inicie uma debandada em massa, com grande parte dos membros da equipe (em alguns casos todos) procurando novas oportunidades na concorrência.

Se para os profissionais isto é muito ruim, com o real comprometimento de sua saúde mental e até física, para a empresa pode ser ainda mais desastroso.

Isto porque em geral, quando se faz um ótimo trabalho, os resultados demoram para aparecer. E da mesma forma, quando se faz um péssimo trabalho, em muitos casos os resultados demoram a se deteriorar.

Sobretudo quando os resultados iniciais foram positivos e a imagem vendida por este “líder” à seus superiores foi excepcionalmente fantástica (este tipo de profissional tende a ser um expert em marketing pessoal, mesmo que instintivamente, sabe se vender como ninguém), a empresa tende a buscar explicações no mercado para a deterioração de seus resultados, demorando até que perceba que o problema está dentro e não fora.

Em muitos casos, quando este desastre ambulante é substituído, ele já conseguiu, mesmo que não conscientemente, destruir toda uma área, talvez até mesmo toda a empresa, causando sérios danos que direta ou indiretamente afetam a imagem e a saúde financeira da organização.

Para piorar, reverter o desastre é uma missão longa e custosa para seu sucessor e para a empresa.

Isto porque a equipe destroçada já não tem nenhum comprometimento para com a empresa, muitos já não vêm a hora de fugir dali, mesmo o gerador do problema tendo sido o chefe anterior, a desconfiança já afetou a visão que os colaboradores têm da empresa, destruindo a sua identificação com a empresa.

Quando se chega a este ponto, muitas vezes já não se é mais possível recuperar alguns profissionais, os quais por culpa da antiga liderança, tornaram-se tóxicos.

Estes profissionais “tóxicos”, vão contaminando os novos colaboradores e impedindo, de forma inconsciente, que um clima organizacional positivo seja reestabelecido, tornando o processo de recuperação mais longo e custoso para a organização.

Além disto, o próprio “líder pavestruz” tende a ver sua carreira em declínio, visto que após algumas passagens desastrosas em diferentes organizações, sua carreira e experiência profissional vão ficando cada vez mais difíceis de se “maquiar” e “vender” para novas companhias.

Em resumo, um perfil que destrói silenciosamente por onde passa, muitas vezes terminando por destruir a si mesmo como profissional.

Por isto, se você notar que um subordinado seu em posição de liderança tem esse perfil, minha recomendação é que avalie com cautela, mas sem morosidade, e se realmente for o caso, busque rapidamente uma substituição e tome ações para reverter a deterioração dos times e seus resultados.

Já se você se identificou e teme ser um líder pavestruz, a boa notícia é que nada está perdido! Todos nós temos condições de crescer e evoluir como profissionais e pessoas e ser capaz de notar e admitir nossas falhas é o primeiro e fundamental passo para corrigirmos nosso comportamento e superarmos nossas fraquezas. Portanto, não desanime, pelo contrário, busque livrar-se do ego, identificar suas falhas e reeducar-se para mudar seus pensamentos e sobretudo suas ações.

[Crédito da imagem: Líder – ShutterStock]

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Minimum Way

Autor

Profissional com treze anos de experiência no segmento de Tecnologia, graduado em Marketing e pós-graduado em Administração pela Universidade Paulista, com MBA Internacional (MIT - Master in Information Technology) pelas conceituadas FIAP e Singularity University (SU/EUA) e extensão universitária em Gestão da Força de Vendas pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Atualmente é aluno de MBA em Gestão Estratégica de Negócios na Universidade de São Paulo (USP), além de ter obtido mais de 30 certificações em TI. Com experiência nas áreas Técnica, Comercial, Marketing e Administrativa. Possui experiência em diversos temas e projetos, tais como: Cloud Computing, Alta Disponibilidade, Disaster Recovery, Business Continuity, Business Intelligence (BI), Virtualização de Servidores (x86, RISC e EPIC), Virtualização de Desktops (VDI), Virtualização de Aplicações, Virtualização de Storage, Otimização de ambientes de Bancos de Dados, SAN, LAN e WAN, Backup/Restore, Archiving, Data Centers Modulares, Data Centers Containers, Soluções de Processamento, Soluções de Armazenamento, Enterprise Resource Planning (ERP), Automação e Integração de Processos, Soluções de Mobilidade, Soluções de Gestão Comercial para Utilities, entre outros temas, atendendo grandes empresas dos setores público e privado. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/DiegoSalimDeOliveira

Diego Salim De Oliveira

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