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Arquitetura Corporativa – Parte 4: Porque as empresas falham no EA?

publicado por Alexandre Eduardo Oliveira

Para encerrar o tema de Arquitetura Corporativa, antes de entrar nos tópicos do PMBOK, é crucial abordar o tema “porque as empresas falham ao tentar criar o time de EA (do inglês, Enterprise Architecture)?”.

Ao acompanhar alguns relatórios de consultorias especializadas, ler muitos livros sobre o assunto e assistir palestras a respeito do tema, fica bastante claro a dificuldade que as empresas enfrentam no processo de criação deste tipo de departamento.

As dificuldades e restrições estão, em sua maioria, relacionadas a:

  • Falta de clareza de propósito: ao criar um time como este, é fundamental que ele possua um propósito e valores bem definidos. A definição de valores que sejam aderentes aos valores da organização, e de um propósito que não vá na contramão do propósito geral da empresa, são atitudes prévias que demandam bastante energia e dedicação, e serão fundamentais para dar o primeiro passo nessa direção;
  • Falta de apoio do board: um pouco relacionado ao item anterior, a falta de apoio do board executivo fatalmente culminará no insucesso da implantação do time. A falta de apoio se dá pelas mais diversas causas, mas principalmente porque em muitos casos não fica claro para o board o valor proposto pela criação de um time de EA. A maior parte das vezes, o problema está na comunicação inadequada dos valores e propósito mencionados anteriormente, ou ao simples fato da cultura da empresa ou do corpo executivo que sempre trabalhou sem um departamento deste sob seu comando e obteve, na sua visão, bons resultados da área de TI;
  • Falta de um plano de projeto e um roadmap: não há como fazer brotar um departamento como este da noite para o dia. É um projeto estruturado, de longa duração, e que precisa de investimento e tempo para dar um retorno mais tangível. É necessário estruturar o processo de implantação na forma de um projeto com um roadmap bem elaborado com marcos importantes que sejam relevantes para a organização;
  • Falta de indicadores: é bastante complicado criar indicadores de performance para uma área como a de EA, principalmente porque os principais entregáveis desse time tem efeito no médio e longo prazo, numa cultura geralmente direcionada ao resultado (financeiro) de curto prazo;
  • Falta de recursos: sem a devida percepção de valor por parte da organização, fica difícil conseguir recursos financeiros para investir na criação de um novo departamento, seja ele qual for. A criação depende de contratações, locação de espaço físico (que hoje é um problema crescente para as empresas), etc.;
  • Perfis equivocados para os cargos de EA: a contratação de recursos para os perfis do time de EA precisa ser cuidadosa e assertiva. É preciso colocar as pessoas certas no lugar certo, a fim de evitar causar mais demora na percepção dos resultados gerados pela área. Sabemos que contratar pessoas é praticamente uma arte, por isso é de grande ajuda a contratação de consultorias especializadas no assunto;
  • Posicionamento equivocado do time de EA: é bem comum ver as empresas posicionando os times de EA embaixo das diretorias de Operações (foco = produção) ou de Processos (PMO, por exemplo, foco = procedimentos). Para que o time tenha a força que precisa para gerar e implantar mudanças, fomentar o reuso, a inovação, a TI como serviço, é preciso que esteja posicionado diretamente abaixo do CIO. O mesmo acontece em geral com os departamentos de segurança da informação, que precisam implantar politicas muitas vezes intrusivas aos demais times (como desenvolvimento, por exemplo) e às pessoas, e para isso precisa ter o empowerment necessário, sem o qual dificilmente conseguiria ter êxito em suas atribuições;
  • Conflitos de interesses: o departamento de EA tem que estar atento e bem alinhado com a estratégia organizacional (mais um motivo para estar abaixo do CIO). De outra forma, em algum momento fatalmente os conflitos de interesse começarão a surgir. A empresa querendo ir para uma direção (por exemplo, redução de custos) e o time de EA tentando avançar em outra direção oposta (por exemplo, tentando trazer uma tecnologia inovadora – e cara – para melhorar a performance das aplicações).

No próximo, e último, capítulo desta série de artigos, iremos falar um pouco sobre como as áreas de conhecimento do PMBOK podem ajudar a construir esse departamento.

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Minimum Way

Autor

Trabalha em TI desde 1998, passando por algumas empresas que agregaram muito a sua carreira, como JBS (Friboi) e BM&FBovespa, onde atualmente é coordenador da área de arquitetura corporativa. Ao longo desse tempo, atuou em projetos imensos, nacionais e internacionais, e teve contato com empresas e profissionais surpreendentes e inovadores. Com boa parte da sua carreira voltada a tecnologia, TI é sua vocação e paixão. Nos últimos anos descobriu um enorme prazer pela gestão de pessoas e de projetos de TI, e vem direcionando sua carreira nesse sentido. Email: ale.edu.oliveira@gmail.com

Alexandre Eduardo Oliveira

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