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Vagas a procura de um profissional

publicado por Luis Otávio Médici

Vagas a procura de um profissionalNo noticiário em geral é comum a veiculação de matérias mostrando filas imensas de pessoas procurando emprego, seguidas de depoimentos de gestores sobre as dificuldades de contratar profissionais especializados. Este fato, aparentemente paradoxal, nos leva a pensar sobre a dinâmica do mercado de trabalho e a capacidades de adaptação das instituições de ensino.

Começando pela fila daqueles que procuram emprego. Não tenho dados para embasar esta afirmação, porém minha percepção é de existem duas causas principais: as pessoas procuram empregos em funções que não existem mais ou possuem nível educacional insuficiente ou inadequado.

Apesar de serem causas distintas ambas as causas têm estreita relação com a mesma solução: educação. A boa notícia é que, quando uma função deixa de existir no mercado de trabalho, outra surge em outra área. A má notícia é que, para que um profissional acompanhe este movimento, torna-se necessário voltar aos estudos.  Buscar uma nova capacitação não é tarefa simples para quem não teve acesso a um ensino de qualidade e que não aprendeu a aprender. Neste caso, primeiro o indivíduo precisa corrigir deficiências, eliminar bloqueios do passado (pesadelos com matemática, por exemplo) e finalmente  partir para o aprendizado de uma nova profissão. Trata-se, portanto, de uma dupla jornada em regime de urgência. Difícil!

Agora o lado dos que querem contratar e alegam ter grandes dificuldades.  Para muitos gestores a boa notícia de que uma nova vaga em seu time foi aprovada é seguida pela dúvida de como ela será preenchida. Descrição da função feita, vaga publicada nos murais, sites de recolocação e redes sociais.  Muito rapidamente chega a primeira onda de currículos. A euforia inicial é logo atenuada com a constatação de que, muitos candidatos, se aplicaram para a vaga, sem nem ao menos se terem dado o trabalho de ler o texto do anúncio.  Feita uma primeira triagem de currículos começam surgir muitas interrogações: “Será que estou sendo muito exigente?”; “Será que a proposta de trabalho não suficientemente atrativa?”; “Será que eu estou procurando nos lugares certos?”, “Será que de fato existe alguém com este perfil?”, “Devo abrir mão de alguns requisitos para acelerar o processo de contratação?”, “Devo contratar alguém menos experiente e investir em treinamento?”, “Devo contratar temporariamente alguém mais experiente?” e assim por diante.

Consideremos agora os setores de tecnologia da informação e telecomunicações, mais especificamente as funções chamadas técnicas, onde predominam profissionais de exatas de nível médio ou superior.  Hoje em dia, mesmo aquelas funções mais técnicas, demandam do profissional conhecimentos e habilidades de comunicação, relacionamento interpessoal e gestão. A figura do “rato de laboratório” é um ser em extinção em times cada vez mais enxutos e motivados por inovação. Mais interrogações. Como estamos avaliando estes requisitos? Eles são mais ou menos importantes que os requisitos técnicos?

Também precisamos estar atentos aos profissionais de exatas com longas listas de cerificações e conhecimento de tecnologias com siglas de A a Z. O desafio neste caso é apurar se aquela pessoa é somente alguém bem informado ou se, de fato, ela tem as habilidades e atitudes para transformar aqueles conhecimentos em resultados e, quem sabe, em alguma inovação.  Estar informado equivale a tomar conhecimento de que algo existe. Ter conhecimento é se apropriar daquele tema com a segurança necessária para criar algo realmente novo e de valor.

Qual a saída então para as empresas com vagas em aberto por semanas, com caixas de entrada cheias de currículos, porém com pouquíssimos interessados realmente pertinentes?  Em minha opinião, parte da solução está em uma melhor integração entre universidade e empresas. Trata-se de uma relação ganha-ganha onde universidade recebe informações importantes sobre a dinâmica do mercado de tecnologia, e as empresas passam a entender melhor sobre formação de pessoas, tratando de forma diferente informação e conhecimento. A universidade não deve mais ser encarada pelas empresas como um parque de diversões de cientistas trabalhando em projetos utópicos (exagerando para reforçar o conceito). E as empresas não devem mais ser encaradas pela universidade como organizações em busca de lucros exorbitantes e que não têm interesse em pesquisas acadêmicas.  Enquanto não mudarmos estas visões, ambos os lados permanecerão perdendo, várias ideias não sairão do papel e muitas vagas permanecerão abertas a espera de um candidato.

[Crédito da imagem: Procura por profissional – ShutterStock]

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Autor

Engenheiro formado em engenharia elétrica pela Faculdade de Engenharia Industrial (SP) e pós-graduado em administração pela Fundação Getúlio Vargas (SP). Tem com 15 anos de experiência em sistemas embarcados e negócios internacionais, tendo atuado como engenheiro de aplicações, gerente de produtos e engenheiro de sistemas em empresas de telecomunicações, consultoria, representação comercial e distribuidores . Atualmente trabalha na empresa Arcon Serviços Gerenciados de Segurança.

Luis Otávio Médici

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