Desenvolvimento

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Qualidade em TI – A gestão da qualidade impacta a produtividade!

publicado por Paul Robert Bergami

Qualidade em TI – A gestão da qualidade impacta a produtividade!No  último texto argumentamos a respeito da efetividade dos treinamentos para a qualidade. Neste vamos discutir os impactos da gestão da qualidade na produtividade.

É evidente que sempre que adicionamos controles e atividades aos processos geramos uma sobrecarga  de trabalho e tarefas nos mesmos.

Quando introduzimos atividades e controles pertinentes à gestão da qualidade não é diferente, correto? A produtividade é impactada diretamente pelo acréscimo de tarefas, concordam?

Nas experiências que tive realmente notei impactos em um primeiro instante.

Assim que introduzimos a gestão da qualidade, as tarefas adicionais de controle, de inspeção, de verificação de conformidade, reporte de não-conformidade, entre outras, adicionam esforço e, como consequência direta, temos um acréscimo no tempo das atividades dos processos de desenvolvimento e manutenção de software. E este esforço adicional gera uma queda imediata e direta na produtividade da área de desenvolvimento.

O que observei na sequência foi que, após a estabilização dos processos da gestão da qualidade, ou ações para melhoria da qualidade, passado o período imposto pela curva de aprendizado, a produtividade da área retorna ao que se tinha antes.

Em outras experiências introduzimos métricas para apuração da produtividade, aliadas a metas de redução de retrabalho (manutenção corretiva) e para redução do esforço com testes, entre outras como redução de falhas em produção e majoração na taxa de aceite na implantação.

As métricas foram introduzidas no início das ações de melhoria da qualidade e as metas foram estabelecidas para serem alcançadas somente após 6 meses da implantação das ações, permitindo assim que se pudesse acumular massa crítica para a apuração de resultados.

O que foi estabelecido:

  • Reduzir em 50% os esforços com retrabalho;
  • Reduzir em 30% os esforços com  testes;
  • Reduzir as Falhas em produção em 75%;
  • Majorar o sucesso no Aceite em 50%;

Outra coisa foi a valoração destes indicadores para que a apuração de resultados pudesse ser reportada sob a forma de retorno sobre o investimento que a organização está fazendo nas ações de melhoria da qualidade de software.

Acionistas, assim como a alta direção da organização, gostam de números precedidos por cifrões ($$$)!

Estes custos podem facilmente ser estimados e seus ganhos valorados. Não é raro alocar vinte por cento dos esforços de desenvolvimento nas manutenções corretivas e, ainda, trinta por cento do esforço de desenvolvimento e manutenção nas atividades de testes. Em muitas organizações estas proporções são bem maiores.

Valorando os custos:

  • Se “N” = quantidade de desenvolvedores,
  • O retrabalho será = 20% * N; e,
  • Testes = 30% * 80% * N = 24% * N  (20% de N está alocado ao retrabalho)
  • O Custo da Qualidade será = 44% * N.

Tenho evidências de que ações de qualidade reduziram o retrabalho em 70% e incrementaram a produtividade dos testes em 25%.

Valorando as reduções:

  • Retrabalho = 30% * 20% * N = 6% * N; e,
  • Testes = 80% * 24% * N = 19,2% * N;
  • Custo da Qualidade = 25,2% * N.
  • Redução de Custo resultante = 18,8% * N

A redução de custos alcançada é, portanto, significativa e por si só já justifica a adoção destas ações de qualidade.

Nos tempos atuais, ou em períodos de crise, onde se clama por redutores de custos, as ações de qualidade são muito bem vindas sim.

Porém, nestes períodos, é necessário que se dê atenção a fatores tais como a urgência pelos resultados, que podem minar os projetos de melhoria da qualidade e portanto a correta apuração e demonstração dos resultados sob a forma de retorno sobre o investimento. A visualização da situação futura é de extrema importância.

Projetos de qualidade impactam a produtividade sim: em um primeiro instante com o aumento do esforço, mas em um segundo, com ganhos significativos de produtividade.

Isso também pode ser notado na redução das falhas em produção e no maior sucesso nas implantações, que certamente são refletidos na satisfação dos usuários e clientes!

Em nosso próximo texto vamos falar sobre Qualidade em TI – Terceirizar testes, nem sempre!

[Crédito da Imagem: Produtividade – ShutterStock]

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Autor

Professor de Qualidade de Software, Auditoria de Sistemas e MBA/TI, Economista pela FEA-USP com pós em Qualidade e Produtividade pela POLI-USP, especialista em qualidade de software para usuários e fornecedores de TI. Mais de 30 anos como Gestor em TI para Bancos, Consultorias, Marketing, Serviços e Governo. Focado em soluções pragmáticas de TI que aliam resultado e satisfação de clientes e acionistas, experiência internacional em London/UK no desenvolvimento de aplicativos bancários mundiais e Nova York/USA em consultoria para conformidade à Sarbanes & Oxley. br.linkedin.com/in/bergamipaul/

Paul Robert Bergami

Comentários

3 Comments

  • Muito bom artigo, infelizmente na grande maioria das corporações, a qualidade do produto de software é negligenciada, com a justificativa de queda de produtividade. Como resultado, a área de desenvolvimento de software sofre uma sobrecarga muito grande porque os produtos foram entregues, quando estes o são, abaixo das expectativas dos usuários como por exemplo : funcionalidades não implementadas ou implementadas fora de conformidade, requisitos não funcionais relacionados à security, safe e escalabilidade inadequados.

    • Paulo César,

      Em muitas empresas a história se repete: há resistências quanto ao gasto e quanto ao impacto com qualidade.
      A melhor forma, realmente, é estruturar um projeto com base ROI – retorno sobre o investimento para demonstrar o ganho pela qualidade. Além disso há que se medir para poder demosnstrar os gasto com a não qualidade, com a não conformodade.

      Grato, Abraços.

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