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Qual é o valor da minha empresa?

publicado por Carlos Marcelo Lauretti

Uma das áreas de negócios que mais cresceram nos últimos anos são as empresas de serviços de TI. Multiplicam-se as empresas que desenvolvem software ou oferecem consultoria das mais diversas de soluções. Muitas destas empresas nasceram em torno do seu único proprietário e cresceram, transformando-se em grandes e lucrativos negócios.

Em determinados momentos da vida delas, seus sócios percebem que se tivessem mais capital poderiam ampliar seus negócios. Outras vezes, seus sócios têm outras oportunidades e gostariam de vender suas participações. Há ainda a situação na qual  outras grandes empresas vêm na empresa menor, com bons produtos, uma boa oportunidade para incorporá-los no seu portfólio de ofertas. E ainda, sempre há investidores em busca de boas oportunidades de onde colocar seus recursos.

Em todas estas situações, os sócios ou mesmo os investidores, precisam saber quanto vale a empresa, e mais do que isso, convencer os outros. Nestes momentos, os sócios, normalmente não habituados à valoração – valuation – de empresas, encontram alguma dificuldade, já que são profissionais de TI e não de finanças.

Uma das dificuldades que os sócios enfrentam é que, normalmente, o que dá valor a uma empresa de TI são os seus ativos intangíveis. Como valorar um software que ela desenvolveu? Como valorar o conhecimento dos seus profissionais? Como valorar a marca e o reconhecimento que ela tem no mercado?

Esta tarefa não é tão difícil quanto parece, basta recorrer às metodologias de valoração de qualquer empresa. Nunca se chegará a um valor exato, com precisão de centavos, mas se chegará a um intervalo dentro do qual poderá ser conduzida a negociação, com uma precisão razoável.

Primeiramente, precisamos deixar claro alguns princípios financeiros. Qualquer ativo financeiro, e uma empresa é um deles, vale o quanto ele proporcionará de fluxo de caixa líquido, descontado por um custo de oportunidade. Complicou? Não, não é tão complicado. Qualquer investidor só irá desembolsar uma importância hoje, esperando receber algo mais do que esta importância no futuro. Mas, quanto ele espera receber no futuro? Qualquer investidor racional esperaria receber uma importância equivalente à que ele obteria em outro investimento de mesmo risco. É por isso que se chama de custo de oportunidade. Quanto maior o risco, ou incerteza do fluxo de caixa, maior será o prêmio de risco exigido pelos investidores. Esta taxa pode ser obtida a partir do retorno oferecido por investimentos feitos em empresas semelhantes.

Desta forma, não importa qual é o valor do patrimônio da empresa. Não importa o valor de mercado dos seus imóveis, suas máquinas, seu mobiliário. Isto só importa se a empresa fosse ser liquidada, encerrada. Mas este não é  o caso. O que importa é o fluxo de caixa líquido que o conjunto de todos ativos proporcionarão aos seus proprietários. Belas instalações não são importantes, se isto não resulta em mais vendas. Não são importantes computadores ultramodernos se eles não aumentarem a produtividade dos colaboradores. Ou seja, o que importa é o resultado que os ativos proporcionarão para o fluxo de caixa. Porém, não devemos desprezar que esta é a decisão mais importante dos administradores: em quais ativos reais devo aplicar meus recursos para maximizar meu retorno?

Assim, o problema de valoração de uma empresa é estimar o fluxo de caixa líquido que eles proporcionarão para um horizonte mínimo de alguns anos e estimar os que se seguem, como o que é chamado em finanças, na forma de uma perpetuidade.

Fazer uma projeção precisa do fluxo de caixa, porém, não é uma tarefa tão simples, mas pode ser simplificada se elaborarmos cenários pessimistas e otimistas. Para o cenário mais pessimista, utilizam-se custo de oportunidade mais baixo, pois se supõe menos incertos. Ao contrário, para cenários mais otimistas, devem-se utilizar custos de oportunidade maiores, pois o risco é maior. Desta forma, teremos um intervalo onde se situará o valor da empresa.

Deve-se, também, analisar com cuidado a carteira de clientes e prospects. Devem-se ver as possibilidades de redução de despesas, a possibilidade de se desfazer de ativos fixos desnecessários, além de se analisar financeiramente todos os projetos de investimento que a empresa tem.

Fazer diversos cenários, otimista e pessimista, permite ver como as despesas respondem às variações das receitas. Empresas com custos fixos elevados têm maior incerteza sobre seus resultados e devem ter taxas de desconto maiores, ao contrário de empresas com custos preponderantemente variáveis.

O endividamento de longo prazo tem um tratamento um pouco diferente. Sobre o endividamento, não há incerteza, ou seja, em termos financeiros, não há risco. Independente do risco do negócio, eles deverão ser pagos. Eles diminuem o valor da empresa como se fossem quitados hoje, ou descontados por uma taxa livre de risco, como a taxa Selic, por exemplo. Como a taxa livre de risco é menor que o custo de oportunidade, o resultado é um valor presente maior do que se fosse descontado pelo custo de oportunidade.

Feita as estimativas do fluxo de caixa, basta trazê-lo a valor presente. Se isso for difícil para você, recorra a um profissional de finanças.

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Autor

Profissional com extensa experiência como gestor de TI em empresas de grande porte dos setores de engenharia civil e editorial. Possui doutorado em Administração de Empresas, especializações em Gestão de Informática e Gestão do Conhecimento. Professor e pesquisador de Finanças Corporativa. Consultor em projetos de investimento em TI e valuation de empresas. email: lauretti.tiesp@gmail.com site: www.wedb.net linkedin

Carlos Marcelo Lauretti

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