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Por que a TI resiste à inovações

publicado por Cezar Taurion

Figura - Porque a TI resiste a inovaçõesOutro dia estava lendo atentamente o relatório Global Innovation Index, na sua versão 2015, e com tristeza observei que o Brasil está na 70◦ posição. Precisamos fazer muito mais para termos condições de sermos competitivos e nos integrarmos às cadeias globais. Inovação é disruptiva por definição, e parte do princípio básico de questionar o “status quo”. É um tema que desperta atenção e foi maioria em uma pesquisa que recentemente fiz na lista de livros de negócios mais vendidos na Amazon. Não estamos aqui associando inovação a P&D, mas abordando a inovação que possibilite às empresas fazerem as coisas de modo diferente, criem novos produtos e serviços e até mesmo, novos modelos de negócio.

Levei o tema a um debate com CIOs e observei que, embora seja um assunto recorrente, pouco se tem feito. As empresas e obviamente TI, vem constantemente concentrando seus esforços em aperfeiçoar e tornar mais eficientes seus processos e modelos de negócios consolidados e muito dificilmente questionam o seu “status quo”. TI por exemplo, pelo seu viés operacional, se tornou uma máquina muito eficiente em garantir consistência, aderência a regras de compliance e disponibilidade. Por outro lado, mostra-se arredia às experimentações e disrupções. Seu pensamento fundamental é que os sistemas têm que dar certo e funcionar exatamente como planejado. Falhar não está em sua cartilha, e, portanto, conceitos como “fail fast” lhe são estranhos.

Por outro lado, vivemos uma era de transformações e torna-se cada vez mais nítido a ligação direta entre inovação e crescimento ou mesmo sobrevivência dos negócios. Foi emblemática a conversa que tive uma vez com um executivo de uma área que se denominava IT & Innovation. Ao responder que o que eu propunha não tinha sido feito antes em nenhuma outra empresa, mas ele seria o primeiro, recuou. Não é culpa dele, claro, mas demonstra a cultura da organização a que ele pertence, onde a tolerância à inovação e consequentemente à riscos é muito baixa. Inovação, na empresa dele, era incremental, ou seja, tornar o que é feito atualmente, serviços e produtos, mais eficiente. Sem questionamentos se isso será garantia de sucesso no futuro.

As inovações estarão cada vez mais sendo impulsionadas pela digitalização e em consequência o CIO está no epicentro do vértice destas mudanças. Apps contextuais, Impressoras 3D, IoT, computação cognitiva, veículos autônomos, etc., fazem uma lista quase interminável de disrupções à vista em quase todos os setores de negócio. Estas novas tecnologias permitem criar novos produtos e serviços e até mesmo novos modelos de negócio. Mas na maioria das empresas e em suas áreas de TI são vistas ainda como curiosidades tecnológicas, ainda distantes de sua realidade.

Mas o fato é que os clientes estão cada vez mais digitais, demandam inovações contínuas e melhores e mais flexíveis serviços e acessos à empresa. As que não entenderem estes sinais correm risco de perda de relevância e até mesmo, sobrevivência. Modelos de negócios consolidados nas últimas décadas não são garantias de sucesso para os próximos anos. Disruptores, geralmente startups que ignoram as “máximas” dos negócios atuais criam novos modelos de negócio que simplesmente derrubam empresas sólidas e bem gerenciadas. Vimos isso em industrias dinâmicas, como a de celulares, onde outrora líderes como Motorola, Nokia e BlackBerry perderam toda relevância. E já vemos isto começando a despontar em setores antes considerados bastiões frente a inovações disruptivas. Um exemplo é a tradicional e conservadora indústria de seguros. Neste setor já existem alguns exemplos de startups americanas e europeias, que mais cedo ou mais tarde, poderão gerar rupturas aqui também, como a Beagle Street, Bougth By Many, Metromile, Friendsurance e a australiana Life Insurance Made Easy (LIME).

Inovação não existe no vácuo. Isso implica que além de cartazes na parede incentivando a inovação, devem existir estratégias e ações que façam acontecer as boas ideias que surgem dentro e fora das empresas. Inovação não é uma estratégia por si mesmo, mas um meio para se manter competitivo. Um sinal que se fala muito em inovação, mas faz-se pouco é a análise de uma pesquisa que participei. Nela os CIOs de grandes empresas dizem enfaticamente que inovação é crucial, mas quando perguntados se havia budget reservado para inovar, a imensa maioria disse que não!

Olhar para outros setores de indústria é salutar pois é provável que muitas práticas inovadoras surjam primeiro em outros negócios. Se você olhar apenas para seus competidores, talvez todos sofram a disrupção juntos. A visão executiva deve ser: “se a disrupção é inevitável, é melhor que nós a façamos e não outros a façam em cima de nós”.

Os novos modelos de negócio proporcionados pela transformação digital exigem um pacto entre TI e negócios e não dá mais para TI avançar devagar neste processo. É necessário um sentimento de urgência prevalecer não só na TI como na alta gestão. As mudanças, inevitáveis, já estão às portas. Torna-se crítico entender que a era digital provoca rompimento dos modelos atuais. E não dá para negociar com disrupções!

Nas conversas com CIOs fica claro o desafio que eles enfrentam. Muitas empresas são reativas às inovações e em muitas organizações de grande porte, os processos e sistemas legados e os silos organizacionais são impeditivos de se moverem com agilidade. Infelizmente para muitas grandes empresas a competição nos próximos anos vai ser cada vez menos “grande derrotando o pequeno” e mais “o mais rápido derrotando o mais lento”. Claro, nem sempre o inovador (“first mover”) é o vencedor. Aliás, vários estudos apontam que ser “fast follower” pode ser vantajoso em muitos casos. Este artigo, “First Mover or Fast Follower? ”   da Harvard Business Review, sobre outra indústria consolidada, bancos, mostra isso. Vale a pena ler. Mas, por outro lado, também fica claro que se você ficar inerte ou usar a desculpa de ser “fast follower” para ser um retardatário, a sua chance de sobrevivência cai muito…

[Crédito da Imagem: Inovações – ShutterStock]

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Autor

Cezar Taurion é head de Digital Transformation da Kick Ventures e autor de nove livros sobre Transformação Digital, Inovação, Open Source, Cloud Computing e Big Data.

Cezar Taurion

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