Tecnologia

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PDM – Padrão Descritivo de Materiais como vantagem estratégica

publicado por Marcos Liranco

PDM - Padrão Descritivo de Materiais como vantagem estratégicaEm 1995, entrei na área de logística, mais precisamente no setor de almoxarifado. Encontrei um ambiente com vários problemas, inclusive tecnológico, mas o que trouxe mais transtornos, sem duvida, era a nomeação de um produto e sua inclusão no sistema. Aparentemente era uma atividade simples, mas como não havia critérios, os problemas eram enormes no futuro. As consequências eram duplicidades, dificultado com isso a correta identificação dos produtos. Para piorar, as demais áreas da empresa, sem um acesso rápido ao material físico, não entendia o que estava acontecendo. O setor de compras não sabia qual descrição usar, e muitas vezes acabavam comprando errado, e a contabilidade tinha inúmeros problemas nos fechamentos.

Em 2002, tive a oportunidade de ir para o setor de compras, e os problemas pareciam ser maiores. Como não existia um critério para nomear os materiais, os mesmos eram descritos não levando em consideração informações importantes, o que resultava em erros nas compras, e consequentemente, devoluções e prejuízos. O entendimento com as outras áreas, nessa questão, era muito difícil e muitas vezes a recepção do almoxarifado acabava recebendo o produto errado, pois até mesmo o fornecedor não entendia o que queríamos de fato.

Em 2006, entrei em uma empresa especializada em cadastro de materiais, com projetos desenvolvidos para as principais empresas do Brasil. Neste momento, constatei que esse problema era maior do que imaginava. Cheguei a participar de projetos que havia um mesmo produto, descrito de forma diferente, em mais de 100 vezes. Contudo, neste momento a situação era bem diferente. Com a utilização de um programa especifico e a utilização dos chamados PDMs (Padrão descritivo de Materiais) é mais fácil identificar essa duplicidade e consequentemente, impedir que novos produtos sejam cadastrados sem critérios já estabelecidos. O PDM é uma estrutura com características chave, para identificação e compra de produtos de forma inequívoca. Seu preenchimento é obrigatório, seguindo critérios de inserção de conteúdos. Este sistema fornece travas, criando uma rotina que resulta na padronização das descrições dos produtos, possibilitando dentro de um workflow, a integração com o ERP. Este trabalho resulta na melhoria de qualidade e agilidade nos processos de compras, redução de custos (a organização olha para um único produto, não existem duplicidades), além de facilitar o cumprimento das exigências fiscais (SPED e NOTA FISCAL ELETRONICA), classificando com mais precisão o NCM e o IPI.

Além disso, os compradores podem utilizar, com maior segurança, outras modalidades de compras como internet, EDI, cartão crédito, Leilão e comércio eletrônico, com a velocidade e confiança que o mercado exige.  Por fim, com aumento do nível de precisão das informações, a cadeia logística torna-se mais ágil, propiciando as empresas que constataram suas vantagens estratégicas, um elevado poder de competição.

A experiência em inúmeros projetos de padronização revelam números relevantes. Como a economia de 3% a 7% em compras centralizadas, além de reduzir de 10% a 30% o valor do estoque e do capital imobilizado (ASTREIN, 2013).

[Crédito da Imagem: Descritido de Materiais – ShutterStock]

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Autor

Sou Coordenador de Projetos e Consultor SAP MM. Formado em Logística Empresarial, com MBA em Estratégia Empresarial, pela UNIVERSIDADE PAULISTA; MBA em Sistemas de Gestão Empresarial ERP SAP, pela FIAP. Possuo experiência de mais de 15 anos na area de Logística, atuando como Gestor de Almoxarifado, Gestor Compras e Analista de Materiais. Especialização • Administração de Materiais (SENAC), • Administração e Organização de Almoxarifado e Armazem (SENAC), • Administração e Planejamento da Produçáo (SENAC), • Administração Financeira (SENAC), • Negociação em Compras (SENAC), • I Jornada de Logística e Supply Chain Management (ESCOLA POLITÉCNICA DA USP), • Indicadores da Qualidade (FUNDAÇÃO VANZOLINI), • Logística: Abastecimento, Distribuição e Terceirização (FGV Getulio Vargas). Portal: www.liranco.blogspot.com.br; Perfil: www.linkedin.com/in/marcosliranco.

Marcos Liranco

Comentários

4 Comments

  • Realmente, escrever livremente o nome dos materiais acarreta muitos problemas. Parabéns pelo artigo.

  • A área de logística é muito movimentada. Muitas vezes, não temos tempo suficiente para estas questões, o resultado disto é desastroso no futuro.

  • Eu não sou da área de logística e, até então, esse tema me parecia não muito relevante. Após ler o artigo, mudei minha concepção. Realmente um padrão descritivo de materiais ajuda muito nessa questão. E também, ao final do artigo, o autor nos traz um dado importantíssimo: redução de 10 a 30% no custo de estoque. Gente, em algumas empresas estamos falando de alguns milhões de reais e isso é tudo que um CEO quer ouvir em sua empresa. Parabéns pelo artigo. Um dos melhores que já li aqui no site.

  • Marcos, parabéns pelo artigo! O que isto nos traz de relevante é que devido a programas estabelecidos pelo governo tais como o SPED e o HARPIA, este é um processo pelo qual a cadeia de ponta a ponta será submetida. Os itens genéricos, aqueles que comumente são utilizados para “matar” nota fiscal estão com os dias contados. Os ganhos ao se adotar a padronização de materiais são perceptíveis, a não existência de um item genérico no cadastro de materiais, permite a empresa desenvolver projetos derivados como SPEND ANALYSIS e STRATEGIC SOURCING e tudo isso reflete na ultima frase do seu artigo e tudo inicia-se pela padronização de materiais.

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