Entre 2011 e 2013 escrevi uma série de textos no blog TI Especialistas.
Recentemente, com o relançamento do espaço pelo Augusto Vespermann, aproveitei para revisitar cada um desses artigos — agora com a ajuda do meu inseparável GePeTo. A experiência foi divertida e, confesso, até surpreendente: algumas previsões envelheceram bem, outras nem tanto.
Hoje, mais de uma década depois, é curioso (e irônico) olhar para trás e ver o que fazia sentido, o que foi exagero e o que ainda continua atual.
2011 – O início: redes sociais e monitoramento
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18/11/2011: escrevi sobre a dificuldade das empresas em lidar com redes sociais. Critiquei o uso de scripts de call center no Twitter e defendi fluxos internos ágeis.
👉 Em 2025, ainda vemos marcas tropeçando em respostas automáticas que soam artificiais. Algumas coisas não mudam. -
05/12/2011: falei sobre métricas básicas (seguidores, alcance, perfis de influenciadores) e alertei contra o “flood” de conteúdo.
👉 Hoje chamam isso de “métricas de vaidade” e “conteúdo humanizado”, mas o problema segue igual. -
16/12/2011: arrisquei dizer que os browsers morreriam e os aplicativos dominariam.
👉 Acertei metade: os apps reinaram por quase uma década, mas o browser não morreu. Só virou praticamente um sistema operacional (o Chrome que o diga).
2012 – UX e o mantra do “fazer diferente”
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06/01/2012: critiquei a experiência de usuário nos consoles da Microsoft e nos updates de Android. Reforcei que updates sem aviso e funções inúteis eram um desserviço.
👉 Até hoje, quando o celular reinicia sozinho durante um update, lembro desse texto. UX ainda é a maior dívida das big techs. -
02/08/2012: escrevi contra a cartilha das “melhores práticas” e defendi que inovar é errar, corrigir e insistir.
👉 Essa continua sendo minha crença: inovar não é copiar o mercado, é desafiar o mercado.
2013 – Snapchat e o “Medium Data”
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11/07/2013: apresentei o Snapchat, descoberto pelo meu filho adolescente. Brinquei que, se isso pegasse, o Big Data viraria Medium Data.
👉 A profecia foi irônica, mas não tão absurda: o conceito de “conteúdo efêmero” mudou para sempre o jogo das redes. Stories, Reels, Shorts — todos nasceram dessa lógica.
O que fica de tudo isso?
Previsões certas, erradas, meio certas… não importa. O que esses textos mostram é que, desde lá atrás, já havia um olhar crítico para tecnologia, inovação e comportamento digital.
E se tem algo que aprendi em 14 anos é: as ferramentas mudam, mas os dilemas se repetem. UX mal resolvida, métricas de vaidade, inovação pasteurizada — continuamos falando dos mesmos problemas, só com nomes mais sofisticados.
Regularidade sempre foi meu calcanhar de Aquiles, mas vou me esforçar para falar com mais frequência por aqui. Afinal, se em 2011 eu já estava prevendo o fim dos browsers, está mais do que na hora de atualizar as “profecias”.
Agradecimento
Um agradecimento especial ao Augusto Vespermann, que está relançando este espaço e me deu a oportunidade de reler cada texto com um novo olhar. Sem esse convite, talvez essas “profecias” continuassem esquecidas — agora ganham uma segunda vida.