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O que virá depois da Nuvem?

publicado por Roberto Andrade

A Nuvem está chegando, mas o conceito não é de hoje. Quem não se lembra dos tradicionais provedores como EDS, que se propunham a cuidar de todo o processamento de dados do cliente, liberando-o para se concentrar no propósito e crescimento dos seus negócios? Afinal, ter que lidar com o ônus e complexidade em prover a própria computação pode ser comparado com a ideia de cada empresa ter que gerar a sua própria energia elétrica.

O problema é que, naquela época, não existia uma infraestrutura de comunicações e capacidade de processamento que tornasse viável o modelo para muitos, senão para um pequeno grupo seleto de grandes e abastadas empresas.

A tecnologia evoluiu e o cenário vem ficando cada vez mais claro. Para viabilizar a concentração nos fins (negócios) e delegação dos meios (tecnologia), precisamos de recursos que garantam a transparência de TI. Faz tempo que Nicholas Negroponte (MIT) asseverava que a TI um dia seria provida da mesma forma que as utilidades (energia, água, telecomunicações), sem importar para o usuário final qual o processo de geração e entrega. Importando apenas o que fazer com ela.

Não estamos mais tão longe desse dia. Para tornar transparente a TI, precisamos de recursos que ajudem a simplificar e democratizar o acesso a ferramentas cada vez melhores e mais efetivas para resolver os problemas e desafios de negócio das empresas, seja qual for o tamanho delas.

Sobre democratizar o acesso, vamos começar pela entrega de processamento e armazenamento na justa medida da necessidade de cada um. Para isso, a Lei de Moore já provou que capacidade não é problema (evolução exponencial do poder de processamento). Já a tecnologia de virtualização de servidores garante máximo aproveitamento e alocação dessas capacidades.

Para tirar o processamento de dentro da empresa e viabilizar a compra apenas do que se necessita, sem o ônus do investimento, manutenção e atualização, precisamos de conectividade boa e barata. Isto tem evoluído mais lentamente no Brasil, mas não deve demorar muito a acelerar. Apesar de ainda disputarmos links limitados, somos um dos países mais conectados do mundo. Enquanto isso, países próximos já usam tecnologias algumas milhares de vezes mais rápidas, que não demorarão a chegar.

Sobre dispositivos e aplicativos que garantam a utilidade e usabilidade da TI, temos visto uma avalanche de netbooks, tablets, smartphones, além de aplicativos de produtividade e gestão que elevam cada vez mais o nível de experiência do usuário na ponta, além de tudo ficar mais simples de entregar e manter se usamos a virtualização de aplicações.

Enfim, não tenho dúvida que está próximo o tempo em que empresários e trabalhadores do conhecimento estarão cada vez mais concentrados em como serem mais eficientes, inovadores, crescerem e ganharem mais dinheiro. Os profissionais de TI continuarão a ter duas escolhas: Saber fazer a TI ou saber o que fazer com ela. Hoje, devido à proliferação de departamentos de TI pelas empresas, a maioria ainda se concentra em saber fazer a TI, sem sentir que podem estar postergando o interesse maior sobre sua aplicação ao mundo real.

 

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Autor

Iniciei minha carreira em 1984, ocupando diversas posições na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Desde 1996, tenho atuado na implantação e expansão de unidades de negócio de empresas de TI na região norte/nordeste. Considero-me um gestor preocupado em traduzir complexidade, ambiguidades e incertezas de uma forma que viabilize a realização de potencial das pessoas, alinhada com os objetivos estratégicos da organização, mas sem perda da tensão criativa necessária às grandes conquistas.

Roberto Andrade

Comentários

3 Comments

  • Roberto
    Seu artigo foi bem posto mas a conclusão foi impecável.
    Primeiro vejo a desenvoltura com que vc coloca a importância da conectividade ou comunicação de dados.

    Muitos TI têm resistência ao C (TIC). Talvez pelo medo de ter que enfrentar a comunicação ou pior ainda o conteúdo. Que é o que interesse afinal ao usuário.

    Afinal o armazenamento, processamento e transmissão de dados só tem sentido na medida em que gera impacto, aplicação ou utilidade ao mundo real.

    Falou bem.

  • Roberto é justamente pela maioria dos profissionais/empresas se concentrarem no “saber fazer a TI” que é tão difícil convencer as cúpulas organizacionais da capacidade que o alinhamento entre TI e o core bussiness tem de agregar real valor as suas realidades. Existem um número imenso de cases que provam o quanto “saber o que fazer com ela” modificou as perspectivas de crescimento, faturamento, satisfação do cliente, custos etc.

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