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O neo-iluminismo

publicado por Carlos Nepomuceno

Segundo o pai (ou seria a mãe?) dos burros 2.0, a Wikipédia, o Iluminismo foi:

Movimento cultural de elite de intelectuais do século XVIII na Europa, que procurou mobilizar o poder da razão, a fim de reformar a sociedade e o conhecimento prévio.

Os iluministas acreditaram que quanto mais inteligente fôssemos, mais a humanidade avançaria em um processo evolutivo em direção a um mundo melhor. A base dessa crença girou em torno do papel impresso.

Quanto mais livros, melhor.

Já disse aqui que toda teoria que não se mostra eficaz, necessita de uma revisão filosófica, pois a filosofia define a potência e a onipotência humana.

Os iluministas acreditavam, por exemplo, que o homem é muito mais razão que emoção. E quanto mais usassem a razão, melhor seríamos.

Não é o que pensa a Lilian que me escreve, motivada pela entrevista que concedi para o Jornal Hoje da Tv Globo:

Mais de um ano depois eu me deparo com este post e simplesmente descreve a minha realidade …  não consigo viver sem o Facebook, nem longe de qualquer aparelho eletrônico com acesso a internet, já procurei grupos que pudesse me ajudar sem sucesso, e só tive exito quando comecei a terapia. Com todas a facilidade do mundo virtual as pessoas  passam mais tempo no computador que com a Família  Atualmente vivo uma luta diária contra meu desejo do Facebook. neste exato momento tive uma crise e ao ler o post e os depoimentos veio a minha memoria  tudo que quase perdi por causa do Facebook. Quantos trabalhos da Faculdade com nota baixa feito nas coxas para suprir meu desejo de estar incluída no processo. O emprego que quase perdi. Infelizmente as pessoas não veem como um vicio,acham que é irresponsabilidade e imaturidade, assim como eu pensei no inicio, em pensar que isso começou porque eu queria acompanhar a vida de um paquera pelo facebook… Obrigada por dividirem essas opiniões e experiências comigo… mais uma hora “ciberlimpa”.

Vocês poderão dizer que a Lilian é exceção. Não acho.

É preciso redefinir a base do pensamento iluminista. Eles acreditavam que o ser humano é uma ilha de emoção cercada de razão por todos os lados. Acredito, por experiência própria, que somos uma ilha de razão cercada de emoção por todos os lados.

As tecnologias cognitivas, onde se inclui o livro e a Internet, têm um forte poder de melhorar a nossa qualidade funcional de vida.

Foi o livro que permitiu um controle melhor sobre os processos, bem como o computador.

Ou seja, o piloto automático da sociedade se estabelece, a partir dos processos que conseguimos construir. Desse ponto de vista, do piloto automático, podemos dizer que há algum tipo de evolução, com a sociedade criando leis que impedem determinado tipo de abuso contra o ser humano.

Além disso, melhoramos a forma de lidar com os processos, já que somos cada vez mais no mesmo espaço.  Se hoje, por exemplo,  conseguimos a carteira de motorista em uma semana e não mais em um ano, que era o tempo que levava quando eu fui tirar a primeira, na década de 1980, devemos muito ao computador.

O mesmo podemos dizer quando acessamos o banco, vamos ao cinema, compramos livros usados, tudo pela rede.

Obrigado Internet!

Porém, essas facilidades funcionais, que incluímos na vida dos nossos pilotos automáticos, não nos fazem ser pessoas melhores, apenas pessoas mais funcionais, num mundo cada vez mais habitado.

A melhora individual, ou coletiva, é justamente a capacidade que temos de olhar o piloto automático do lado de fora, conhecer o automatismo das nossas neuroses e saber lidar melhor com elas para nos humanizarmos mais, como diz a Lilian, mais uma hora “ciberlimpa”, ou com uma taxa maior de humanidade, já que nosso automatismo nos desumaniza.

Sim, acredito que o espaço de troca entre as pessoas que a Internet permite PODE ajudar nesse auto-conhecimento. Veja bem a caixa alta e o  negrito: PODE.

Desde que possamos equilibrar nossas vidas e saber lidar com ela de forma a não nos desumanizarmos emocionalmente, no centro de um discurso racional-humanizante.

Em resumo, a nova ecologia cognitiva que a Internet traz para o mundo, seguindo a pista de Lévy, nos condiciona, mas não nos determina.

O que nos determina, tanto em termos funcionais, práticos e emocionais, subjetivos, um reforçando o outro, é a nossa capacidade de lidar nos dois setores de forma harmôn

ica.

Nem tanto razão, nem tanta emoção.

Equilíbrio.

E isso é um esforço de saber usar a rede com sabedoria, evitando as sua armadilhas, como a que ocorreu com a Lilian de forma mais aguda, mas como acontece conosco todos os dias, quando não conseguimos passar nem dez minutos sem saber se alguém comentou algo sobre nós, ou interessante nas redes sociais.

Por aí,

que dizes?

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Minimum Way

Autor

Carlos Nepomuceno é Doutor em Ciência da Informação pela Universidade Federal Fluminense/IBICT Instituto Brasileiro em Ciência e Tecnologia com a tese “Macro-crises da Informação”. Jornalista e consultor especializado em estratégia no mundo Digital, desde 1995 com foco no apoio à sociedade a lidar melhor com essa passagem cultural, reduzindo riscos e ampliando oportunidades. Atualmente, se dedica a implantação de projetos de “Gestão de Desintermediação”, que é uma metodologia criada integrada para preparar pessoas, metodologias e tecnologias para o mundo das redes sociais digitais corporativas. Professor nos seguintes cursos do Rio: MBA de Gestão de Conhecimento do CRIE/Coppe/UFRJ, Gestão Estratégica de Marketing Digital e/ou Mídias Digitais nos cursos de Pós-graduação da Faculdade Hélio Alonso (IGEC), Mídias Digitais Interativas no Senac/RJ e Marketing Digital na Fundação Getúlio Vargas. Escolhido como um dos 50 Campeões brasileiros de inovação, pela Revista Info, em 2007. É também co-autor junto com Marcos Cavalcanti do primeiro livro sobre Web 2.0 no Brasil: Conhecimento em Rede, da Editora Campus/Elsevier, utilizado em vários concursos públicos, incluindo o do BNDES. Diretor Executivo da Pontonet, primeira empresa de Consultoria da Web Brasileira, fundada em 1995, que reúne em sua carteira mais de 340 projetos de consultoria estratégica em Internet, mais recentemente tem trabalhado na Vale, BNDES, Petrobras, Dataprev, Prodesp, Embrapa e Natura. Site: nepo.com.br

Carlos Nepomuceno

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