Gestão de Processos

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Maturidade em processos em MPE`s

publicado por José Luis Braga

As micro e pequenas empresas (MPE) representam um segmento importantissimo da economia, sendo responsáveis pela maior parte das ofertas de emprego nas economias desenvolvidas. E aqui no Brasil não é diferente. Por exemplo as MPE do setor de tecnologia, em particular as que desenvolvem software e prestam serviços em tecnologia da informação, suprem o mercado com soluções inovadoras em suas áreas de atuação, mantendo uma estrutura pequena e enxuta, atuando com competência. Aí vem a pergunta: é possível implementar processos organizados de desenvolvimento de software nessas empresas, seguindo algum modelo de maturidade organizacional como o nosso mpsBR ou o CMMI? Abaixo vão algumas considerações sobre a questão, baseadas na minha experiência como implementador e como orientador de várias dissertações de mestrado sobre este tema.

downloadNão existem restrições oficiais, técnicas, sobre o perfil da empresa que vai se candidatar a algum nível de maturidade, por exemplo do mpsBR. A princípio, qualquer empresa seja micro, pequena, média ou grande, pode se candidatar, seguir o processo de implementação de alguma forma, e ter sucesso na avaliação final. O processo de implementação é longo, geralmente 15 meses para o nível G  que tende a ser o mais difícil de ser implementado, porque introduz uma mudança cultural muito grande nas empresas. Na minha experiência, a curva de aprendizagem neste caso tem um vale do desespero muito profundo, exigindo muito esforço e dedicação da empresa como um todo, para ter sucesso na implementação. E, claro, isso custa dinheiro, o que vem a ser outra dificuldade para as micro e pequenas empresas, que normalmente enfrentam mais restrições financeiras. Então, temos ai uma encruzilhada: dá para fazer sim, mas temos desafios muito grandes, talvez intransponíveis para as MPE.

Ai então é que entra uma ideia que eu, como pesquisador e orientador, persigo há muito tempo: é possivel preparar adequadamente as MPE, em passos mais curtos e consequentemente mais baratos, para irem vencendo a mudança cultural aos poucos, até assimilarem parte da mudança e finalmente poderem se lançar em uma implementação de algum nível mpsBR com menos sofrimento? A resposta é sim, e existem vários caminhos para que isso aconteça. Antes de mais nada, é necessário estabelecer um perfil da empresa: equipe disponível (tamanho, formação, experiência), tipo de software ou serviço a que a empresa se dedica, tamanho do mercado, concorrência, etc. Há várias formas de estabelecer o perfil, e a partir dele, escolher junto com a empresa uma sequência do que denominamos boas práticas, para serem implementadas na empresa em uma ordem que leve, passo a passo, à mudança de maturidade e à melhoria na qualidade, permitindo subir degraus da escada da qualidade. Por exemplo, olhando para o mpsBR nível G, dois processos devem ser implementados seguindo o padrão internacional: Gerência de Requisitos e Gerência de Projetos. De longe, esses dois processos representam as maiores vulnerabilidades de empresas desenvolvedoras de software, e sua implementação inicial representa uma mudança de cultura muito forte nas empresas. Mas, há práticas que podem ser implementadas em passos menores, para que se chegue em algum momento a implementar os dois processos?

Claro que sim. Por exemplo, extração e documentação dos requisitos, com aprovação formal, já é um passo importante. E outro é gerenciar mudanças nos requisitos com mão de ferro, não permitir e muito menos aceitar solicitações de mudanças por telefone ou via conversas de buteco. Tudo formalizado e devidamente aprovado. Dai para a rastreabilidade de requisitos é um passo curto, e já teremos conseguido avançar bastante no processo.  As outras práticas começam a vir com mais facilidade, na medida em que se avança. Claro que fica mais lento, pode aumentar o sofrimento, mas fica um objetivo mais alcançável, com passos mais curtos e consequentemente mais baratos. Tenho visto algumas empresas adotarem Métodos Ágeis, achando que por si só eles resolvem o problema de qualidade. Se a implementação deles não for devidamente acompanhada pelas boas práticas e bons artefatos, pode resultar em nenhuma melhoria de maturidade. É ilusão achar que a maturidade é alcançada como num passe de mágica, e que algum processo em particular vai ser responsável pela mudança que é complicada. Como toda mudança cultural… na sequência, mais postagens sobre o assunto, aguardem.
Creative CommonsO conteúdo deste artigo está protegido segundo LicençaCreativeCommons: Atribuição;Uso Não-Comercial;Compartilhamento

Publicado originalmente no Blog do Professor José Luis Braga.

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Autor

José Luis Braga é Professor Titular do Departamento de Informática na Universidade Federal de Viçosa Formação Acadêmica Pós-Doutoramento - University of Florida - USA, 1999 Doutor em Informática - PUC/Rio - Setembro de 1990 Mestre em Ciência da Computação - DCC/UFMG - Novembro de 1981 Engenheiro Eletricista - PUC/MG - Agosto de 1976 Site: zeluisbraga.wordpress.com

José Luis Braga

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