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Gestão sustentável de projetos

publicado por Marcus Gregório Serrano

Muito se tem falado sobre sustentabilidade. Com a recente realização da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+ 20) o tema ganha espaço na mídia. E o que se percebe, infelizmente, é que algumas organizações encaram o tema como modismo e investem tempo e esforços em algumas poucas ações, buscando apenas desfrutar dos benefícios do chamado “marketing ambiental”. No entanto, a atenção com o uso de recursos naturais não é modismo: é um ponto chave para o contínuo desenvolvimento dos países e suas organizações.

A questão da sustentabilidade extrapola a preocupação com o uso dos recursos naturais. Portanto, é importante destacar o que é sustentabilidade e o que é desenvolvimento sustentável:

  • Sustentabilidade: característica daquilo que é sustentável. Sustentável, por sua vez: aquilo que se pode sustentar; que tem condições de se manter ou conservar;
  • Desenvolvimento sustentável: o desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades. Significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os habitats naturais. (Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – Relatório Brundtland, 1987).

 

Desenvolvimento Sustentável Global

Desenvolvimento Sustentável

Assim, estamos aqui falando de perenidade – das pessoas, das organizações e dos países – sob aspectos ligados a desenvolvimento econômico, cultural, social, educacional, de saúde, dentre outros. E ao falar em perenidade, lembro-me de uma célebre frase de Paul Dinsmore: “o sucesso das organizações hoje se deve aos seus processos. O sucesso das organizações amanhã dependerá de seus projetos”. Traduzindo: a perenidade (sustentabilidade) está impregnada nos projetos que estamos gerenciando agora.

Muitos pensam: “Minha organização não é extrativista. Não é uma grande indústria. Não realiza atividades que degradam a natureza. Por que devo me preocupar?” A resposta é: todos nós deixamos uma marca! Algumas organizações realizam projetos e atividades que impactam mais que outras, mas todas precisam estar atentas ao tema. Afinal, quanta energia seu escritório consome? E o carro que te leva até lá? E seus datacenters? E seus sistemas de refrigeração? Quanto papel está sendo desperdiçado? Quanto esforço humano está sendo mal direcionado e que poderia ser alocado para novas ações e resultados de alto valor agregado?

 

Gerenciamento sustentável de projetos

Antes de tudo, preciso informar: nada de novo está sendo dito nesse texto. Estes conceitos já existem! Nossa pretensão aqui é simplesmente destacar que a sustentabilidade é uma questão muito mais abrangente do que cuidado com o meio ambiente. Ou seja, o meio ambiente é um dos fatores a serem considerados, mas não o único. Além disso, queremos também ressaltar como podemos incluir uma agenda sustentável na gestão de nossos projetos.

Dito isso, podemos entender o gerenciamento sustentável de projetos como aquele que busca o equilíbrio entre dimensões como saúde financeira dos empreendimentos, eficiência no uso dos recursos (humanos, financeiros, equipamentos e insumos) e meio ambiente.

Várias ações sustentáveis podem ser adotadas durante o gerenciamento de projetos. Vejamos alguns poucos exemplos:

  • Utilização de processos produtivos mais eficientes e sustentáveis. Por exemplo: não basta o carro, produto do seu projeto, poluir menos. Qual a composição de suas peças? Qual será a destinação final das mesmas?
  • Atenção às estimativas: lançar mão de técnicas (e não meros chutes) para realização de estimativas no projeto. Isso economiza tempo, recursos e dinheiro.
  • Adoção de políticas sobre consumo de papel: relatórios, atas de reunião e comunicados são instrumentos necessários.  Mas em alguns casos também podem ser substituídos por documentação digital e ficar disponíveis em uma intranet ou mesmo nas nuvens. Aliás, essa iniciativa tende a otimizar o consumo de hardware e de energia elétrica para mantê-los funcionando.
  • Racionalização de deslocamentos: projetos que envolvam equipes geograficamente distribuídas podem fazer uso das tecnologias da informação para a realização de reuniões virtuais.
  • Definição de critérios de seleção (pontuação) de fornecedores que englobem aspectos como uso de materiais recicláveis, descarte de seus resíduos produtivos, eficiência energética, dentre outros.
  • Adoção de práticas e padrões de processos como os preconizados na ISO 14001

 

Várias outras ações sustentáveis podem ser adotadas durante o gerenciamento de projetos. Porém, essas práticas devem ser exercitadas em sua integralidade, cobrindo todas as áreas de uma organização. Assim, não basta que os produtos dos projetos sejam sustentáveis: é crucial que também os processos de gestão e produção (toda a cadeia de suprimentos) também o sejam.

A cultura de sustentabilidade, em seu sentido mais amplo (dimensões econômica, social e ambiental), deve fazer parte do dia a dia das pessoas. Os benefícios dessas ações serão colhidos por nós mesmos e serão também o legado que deixaremos para as gerações futuras.

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Autor

Consultor e professor. Graduado em Sistemas de Informação, é especialista em Gerenciamento de Projetos. Certificado PMP® (Project Management Professional) pelo PMI - Project Management Institute e PRINCE2® Practitioner pelo Governo Britânico. Presidente do PMI-ES (seção capixaba do PMI - www.pmies.org.br) e Diretor Executivo da Macrogestão Consultoria e Ensino (www.macrogestao.com) Docente em cursos de capacitação, graduação e pós-graduação. Atua em atividades (consultoria e assessoria) ligadas a planejamento estratégico, gerenciamento de projetos, implantação de Escritório de Projetos (PMO) e metodologias de gerenciamento de projetos, dimensionamento de sistemas, dentre outros.

Marcus Gregório Serrano

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