Carreira

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Carreira: o que falta pra crescer?

publicado por Israel Bovolini Jr

Ah, a ironia. Como bons profissionais de uma área de Exatas (hein?), estamos acostumados com padrões, com algoritmos, com o famoso “entra porco e sai linguiça”. Então, alguém pode por favor explicar por que o fluxo abaixo normalmente não dá certo?

Eu posso tentar, se você permitir. Recentemente acompanhei a conversa entre um diretor e seu subordinado indireto (havia um gerente entre eles, que saiu da empresa), que foi mais ou menos assim:

Asdrúbal: Diretor Zé, precisamos conversar
Zé: Pois não, Asdrúbal
A: Eu estou na empresa fazem uns 5 anos, e agora que meu antigo gerente saiu eu gostaria de ser considerado para o cargo
Z: Asdrúbal, meu filho, claro que poderíamos pensar em você, mas acho que vamos trazer alguém de fora
A: Por quê?
Z: Quem é que eu vou colocar no seu lugar? Você é fundamental para o funcionamento da área
A: … (tela azul)

A princípio, Asdrúbal ficou possesso – e com razão. Afinal de contas, ele dava um duro danado nas tarefas do dia-a-dia, conhecia o funcionamento da área, tinha uma série de novas idéias, novos controles, tudo em cima. Nada mais natural que ganhar uma promoção com mais responsabilidade, certo?

Quase.

Faltou uma coisinha: preparar a sucessão. Uma carreira nunca é construída por uma só pessoa. São as relações entre pessoas que fazem umas subir, outras estagnarem e outras saírem. Em suma, Asdrúbal era tão bom no que fazia no seu dia-a-dia que tornou-se indispensável para aquela função.

Asdrúbal deveria trabalhar duro, sim, mas NUNCA manter o conhecimento e o jeitinho de fazer as tarefas só para si. Deveria ter olhado para seus colegas e dado uma de Capitão Nascimento: “pro cara ficar no meu lugar, ele tem que… tem que… sei lá, tem que fazer as coisas do jeitinho que eu faço”. Se ele tivesse pensado em sucessão, teria tido o tempo de mostrar para seu diretor que, além de conduzir o dia-a-dia, ele tem condições de pensar de forma macro e organizar a área de acordo com as idéias novas que ele tinha.

Creio que todos já ouviram uma frase mais ou menos assim: “Vista-se de acordo com o cargo que você quer ocupar, não com o cargo que você ocupa”. Como não dá pra trabalhar vestido de astronauta ou cowboy, o que quero dizer é: execute suas tarefas, mas pense para a frente. É muito fácil e cômodo se deixar ocupar pelas tarefas do dia-a-dia e deixar o crescimento de lado. Não estou dizendo para dar uma de entrão e querer mandar no lugar do chefe, mas mostrar que você TEM CAPACIDADE para liderar não mata ninguém. Claro que seu gestor direto pode ficar com medo, se ele for moleque, e pode te mandar embora. Mas a ATITUDE que você demonstrou e o APRENDIZADO que adquiriu serão aproveitados no próximo emprego.

Pelo amor de tudo o que você acha sagrado, não fique só na propaganda. O profissional que cresce tem que saber, sim, como lavar o banheiro, mas tem também que saber que lavar o banheiro é um passo para algo maior. A medida certa sempre é a do meio: PLANEJE, PREPARE, EXECUTE, DIVULGUE. Não seja um Dr. Octopus, com vários braços para várias tarefas. Escolha as batalhas que vai lutar, lute bem, e planeje o que fazer depois que conquistar. Alexandre, o Grande – não o Collin Farrel – conquistou o império que tinha baseando-se em uma premissa: não se tornar um ditador; preparar o terreno para pessoas que dependessem dele, mas deixar o micro-gerenciamento na mão dessas pessoas. Ele executava, mas sabia quando era hora de focar suas energias em algo maior. Lição a ser aprendida, pessoal!

A propósito: Asdrúbal continua na mesma posição, sob um gerente contratado de fora. Mas já mudou de atitude, e está mais próximo do papel de um líder, coordenando seus pares e deixando-os trabalhar “no seu lugar”.

Sucesso!

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Minimum Way

Autor

Trabalho na área de tecnologia há 12 anos, tendo sempre um perfil generalista, atuando desde o levantamento de requisitos, passando por análise de sistemas, desenvolvimento, implantação e fazendo acompanhamento pós-venda. Atualmente me dedico à liderança e coordenação de equipes de desenvolvimento, procurando sempre extrair o máximo de cada um e aplicando seus talentos para que todos saiam satisfeitos. Acredito que não exista um profissional cujos talentos não possam ser aproveitados em algum aspecto de um projeto, basta saber estimulá-lo a isso. LinkedIn: http://br.linkedin.com/in/ibovolini

Israel Bovolini Jr

Comentários

2 Comments

  • Excelente! rs
    Muito bom o artigo! Parabéns Israel!
    Um abraço

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