Carreira

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A geração Y suporta pressão?

publicado por Alberto Parada

A característica dos jovens que fazem parte da geração Y é bem diferente das gerações passadas. Em sua maioria, demoram mais para sair da casa dos pais, passam mais tempo nos bancos das escolas e retardam ao máximo a entrada no mercado de trabalho; além disso, suas relações interpessoais são tão rápidas (semelhante ao tempo que demoram para mudar de opinião ou para aprender algo novo), sua facilidade de interagir (e utilizar) com as tecnologias que mal  acabaram de nascer dá a impressão de que foram apresentados a elas há muito tempo; odeiam manuais, preferem consumir vídeos explicativos, dificilmente passam algum tempo resolvendo problemas, utilizam-se de ferramentas de busca e encontram as soluções em algum fórum.

Quando iniciam no mercado de trabalho, a velocidade em querer subir no organograma e em querer mudar de departamento é a mesma; conhecem coisas novas e enjoam das antigas com a mesma facilidade; dificilmente reagem bem à cobrança e não é raro sair da empresa na primeira oportunidade de ganhar um pouco mais ou apenas pelo simples desafio de um projeto que, muitas vezes, dura poucos meses; possuem uma enorme facilidade em negociar, interagir e se relacionar virtualmente. Mas o mesmo não acontece com toda essa desenvoltura quando o relacionamento é olho no olho.

Tudo que foi descrito anteriormente leva alguns estudiosos menos deslumbrados (e pouco conservadores) a concluir que o excesso de proteção dispensada pelos pais (pertencentes a geração Coca-Cola) a estes jovens deu origem a uma geração mimada e protegida por excesso, fazendo com que eles tenham problemas em administrar situações adversas.

Por isso fica a pergunta: será mesmo que a geração Y não suporta pressão?

Se concordarmos com todas as afirmações acima chegaremos facilmente à conclusão que a resposta é sim, não suportam!

Porém, se olharmos por outro lado, será que é realmente necessário perder horas para a encontrar a solução de um problema, sabendo que alguém, em algum lugar do mundo, já passou pela mesma situação e pode nos ajudar a ganhar tempo ao invés de perdê-lo? Será que o fato de ter a necessidade de conhecer tudo que está ao seu redor, com o objetivo de poder usar para usufruir mais da vida, passando mais tempo fazendo o que gosta e menos tempo trancado dentro de um escritório é sinônimo de falta de resistência?

Que o mundo é outro e vem se transformando rápida e diariamente não é novidade para ninguém; que as gerações que ainda insistem em olhar se o funcionário chegou e saiu no horário ainda é quem dita a maioria das regras na maior parte das empresas também é verdade. Mas será que ter mais tempo para se fazer o que gosta ao invés do que o chefe gosta é pecado?

A resposta para tudo isso quem dará é o tempo e os desafios que esta geração terá que enfrentar assim que as gerações passadas saírem do comando e eles tiverem (querendo ou não) que assumir o manche e fazer com que o mundo continue caminhando.

Qual será o desafio que a geração que parece ter uma fome de conhecimento sem fim terá quando chegar aos quarenta? Quais serão os sonhos e desafios da meia idade? Como será o comportamento dos filhos da geração Y (netos da geração Coca-Cola)? Eles olharão para os lados perceberão que os pais, muitos inteiros e ativos graças aos avanços da medicina, não estarão mais com a mesma vontade de ajudar, até porque também aprenderam que viver e aproveitar a vida é algo muito bom; terão que se virar criar e educar seus filhos, desenvolver e consolidar a competência da rotina, postura e referência para não fazer com seus filhos aquilo que com certeza não gostavam que seus pais fizeram com ele.

Olhando por cima do muro do tempo para trás até onde nossos olhos alcançam e lembrando das histórias dos nossos avós, e depois virando a cabeça em direção ao futuro e nos apoderando de todas as pesquisas e “achismos” que somos capazes, concluiremos, sem muita dificuldade, de uma velha canção de alguém que nos deixou há muito tempo, mas que sua voz e sua letra continuarão ecoando em nossas mentes e nas mentes de muitas gerações e de quão  certa está quando fala que os jovens mudariam tudo e revolucionariam o mundo. O fato é que cada geração, à sua maneira, mudou e revolucionou o mundo, porém:

Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais!

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Autor

Fundador do : descomplicandocarreiras.com.br

Alberto Parada

Comentários

2 Comments

  • Parabéns Alberto pelo brilhante artigo. Temos passado diariamente, em casa ou no trabalho, a conviver com jovens desta geração, e digo mais, para nós da geração Coca-Cola não tem sido nada fácil. Os jovens de hoje tem um raciocínio rápido e uma necessidade cada vez maior de absorver novas tecnologias.
    Aristóteles Loredo – CIO Cruzeiro Esporte Clube

  • Caro Alberto.
    Tenho ouvido de vários profissionais bem sucedidos que a geração Y não deu certo. Que foi uma iniciativa frustrada acreditar que poderiam trazer novos ares aos ambientes empresariais. Bem, eu não tenho uma opinião totalmente formada sobre esses jovens. Creio que eles não foram talhados para qualquer ambiente profissional que temos por aqui. Me atreveria dizer que indivíduos com essa característica são movidos a desafios. Uma vez que tenham dominado ou resolvido uma questão perdem totalmente o interesse. Se são arredios a convivência em estruturas de poder e não gostam de horários só vem a confirmar a minha suspeita de que os ambientes propícios para eles, são aqueles em que infelizmente não possuímos nenhuma tradição. Ou seja, os ambientes de alta pesquisa tecnológica ou científica, onde tais profissionais são movidos pela descoberta e transformação. Grandes empresas no mundo mantém ambientes de absoluta inteligência para os negócios. Lá o que funciona é a ideação para o negócio. Não existe cerceamento a criação e tais profissionais trabalham dentro de seus mimos, como horários flexíveis. Nesses ambientes, se alguém está parado olhando para cima ou jogando bolinhas de papel em uma lata de lixo, considera-se que ele está pensando ou fazendo a criação mental. Em muitos casos suas ideias podem representar milhões de dólares de lucro. Acredito que a geração Y não está descartada. Apenas está no lugar errado. Ela veio de formação de alto nível em boas escolas, foram bem alimentados e criados dentro de um ambiente familiar até certo ponto isolacionista pois os pais sempre lhe ofereceram hiperatividade durante o dia inteiro e a noite, sempre com baixos diálogos, eram cobrados por resultados comparáveis aos de seus colegas, não se admitindo que fossem o segundo. Parte disso entra em seu comportamento do tipo “Se não sou o primeiro então não me interessa”.
    Acredito piamente que as empresas são feitas para pessoas normais e medianas. Quando se coloca alguém com tantas habilidades rápidas em contato com pessoas normais é obvio que vem o tédio e o desacerto. Eles não compreendem fora de seus quadrados.
    Concluindo, acredito que eles não são o amago da questão. A questão é estrutural e da própria vocação econômica do Brasil. Há pouco fomento para ambientes de inteligência, mesmo por que não desenvolvemos tecnologias. Somos usuários! E mais, preferimos o que vem de fora ao que produzimos em nosso território. Somos um país de comódites e não de produção de tecnologia, trabalhamos dentro de padrões adaptados e com conceitos muitas vezes antiquados. A geração Y não pode mostrar para que veio.
    Esse é um dever que temos que fazer. Criar ambientes para maximizar o uso das habilidades da geração Y. Então, talvez possamos perceber o valor desses hiperativos profissionais e aceitarmos os seus comportamentos diferenciados.
    Um exemplo que quero deixar para reflexão. ” A principal escola de formação de campeões de Tênis está nos Estados Unidos. Ela existe a mais ou menos 60 anos. Lá estudam jovens que passam a sua juventude sendo trabalhados para serem campeões. Moram lá e passam o tempo entre jogar tênis e estudar. O regime é praticamente militar. Se você não alcança os índices está excluído. O que custeia essa escola são altos investimentos de empresas esportivas e dos pais que lá colocam os seus filhos para serem campeões, pagando quantias elevadas. Federer, Nadal, Muray, Sharapova, Dyokovity, Sampras e muitos outros campeões passaram por lá. Além da formação para o tênis, recebem uma formação escolar de altíssimo nível. Lá estão muitos da geração Y, talhados para vencer, sempre vencer. Lá, se o talento não existe, ele é forjado, desde de que as características físicas e mentais existam ”

    Eis o que tenho a dizer.

    Bom tema e muito bem explicitado por você Alberto.

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