Formação vs. Experiência vs. Certificações

Publicado por Raul Santos Neto  /   4 de janeiro de 2011  /   Em Carreira, TI Corporativa  /   8 Comentários

Olá,

Quais as diferenças entre estes 3 “pilares” e por que eles fazem parte de um todo, de um “conjunto de qualificações”?

Quando digo formação, não estou falando necessariamente apenas de formação “acadêmica”. Estou falando da formação cultural do indivíduo. É claro, aqui também entra “onde” e “o quê” ele estudou (colegial, faculdade, cursos, etc.), mas principalmente as informações com as quais ele teve contato: que livros leu, que filmes assistiu, que viagens ele fez, em que países morou, que pessoas ele conversou, que jornais, blogs e revistas ele acompanha, quais museus ele já foi, etc.. Um profissional não precisa necessariamente ter cursado uma faculdade (ou até completado o 2º grau!) para ter uma boa “formação”. Se o indivíduo estuda, lê, é bem informado, teve bons contatos, leu bons livros, etc., etc., ele pode sim ter uma ótima “formação”. Uma pessoa que morou fora e teve contato diário com o idioma Inglês, pode ter se tornado fluente, tendo um conhecimento muito maior do idioma, do que qualquer pessoa aqui no Brasil que estuda há anos em uma qualquer escola conceituada. Ou um profissional que participou de projetos críticos para a gestão de projetos, ser melhor gerente do que um recém certificado pelo PMI. Estes são apenas exemplos, não quero generalizar, mas acho que já deu pra entender o que penso sobre “formação”.

Agora, quando digo “experiência”, digo “tudo o que uma pessoa vivenciou, de maneira positiva ou negativa”. Veja que isso envolve muita coisa que fez parte da “formação” do indivíduo, mas uma maneira fácil de separar formação e experiência, é mensurar isso em anos. “Quantos anos uma pessoa ficou exposta ao dia a dia de um DBA”, por exemplo? Ou, “há quantos anos um indivíduo é programador?” Um profissional que programa há 10 anos, muito provavelmente tenha “vivenciado” muito mais desafios do que outro que programa há apenas 2 anos, por exemplo. Ou um profissional com passagens em 5 empresas distintas, com diferentes culturas, processos e gestores, provavelmente vivenciou muito mais coisas do que outro que está há anos na mesma empresa. E isso é uma coisa que não dá pra disputar ou querer se comparar com o colega. Por mais brilhante que um cara seja, por melhor programador que ele seja após apenas 2 ou 3 anos de profissão, não tem como ele ser mais “experiente”, ter “vivenciado” mais coisas do que um cara que está há 10 anos no mercado. É claro, como sempre há exceções: há caras que trabalham há 10 anos, encostados, apenas sobrevivendo, sem se expor à nenhum desafio. Mas estas são (ou deveriam ser) as exceções.

E pra fechar os 3 “pilares”, digo “certificações” (ou credenciais), para todas aquelas avaliações que “certificam”, que “credenciam” uma pessoa a desempenhar determinada função, ou atuar com determinado produto, tecnologia ou metodologia. E isso vale para os certificados de idiomas, os da Microsoft, os do PMI, Cobit, ISO, Oracle, etc., etc., etc.. Um exemplo bom é o seguinte: você ser “credenciado” ou “habilitado” a dirigir (sua carteira de motorista) não o faz, de maneira alguma, um bom ou experiente motorista, certo!? Você faz as suas aulinhas, estuda o seu livrinho sobre sinalização e primeiros socorros, faz as suas provinhas e pimba: você está apto, credenciado, certificado, habilitado a dirigir! Só isso. A “experiência” virá com o tempo e você poderá ou não tornar-se um “bom motorista”.

E é aí que os 3 pilares se completam. É aí que você precisa pensar e se preparar nos 3 pilares, tendo uma boa formação (seja ela acadêmica ou não), ter experiência (e paciência.. pois a experiência é medida pelo tempo e pela quantidade de “coisas” que você vivencia) e buscar “certificações” (a cereja do bolo!). Não dá para parar e se contentar sendo “bom” ou “completo” em apenas um dos pilares, você precisa sempre buscar o desenvolvimento em todos eles. E isso não vale apenas para sua vida profissional! Para a sua vida pessoal, também é essencial ter uma boa “formação” (cultura!)!

Para as empresas, a regra é a mesma: é errado avaliar um profissional apenas por um dos pilares. O cara pode ter uma ótima formação (graduação, pós, MBA), quem sabe até ótimas certificações (ótimas, ou muitas!) porém não ter experiência. Ou então ser um cara muito experiente, que vivenciou diversas coisas na carreira, porém que não tem uma boa formação (não sabe conversar, não tem assunto, não lê, não estuda, não troca informações, não se atualiza). E que tal um cara apenas certificado? Focado 100% em um assunto específico, mas sem uma visão mais completa sobre outros assuntos?

Pois é, o assunto é longo, mas é algo a se pensar, e quanto mais firme e estável você estiver em cada um dos 3 pilares, mais completa será a sua trajetória profissional e pessoal.

Um abraço,
Raul Santos Neto

Raul Santos Neto

Raul Santos Neto, PMP, MCITP

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8 Comments

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  2. Hudson Afonso 4 de janeiro de 2011 10:03 Reply

    Artigo Muito interessante. Sou recém formado no Estado do Pará, e aqui ainda não tem muitas oportunidade para se adiquirir experiência. Se puder favor entrar em contato. Precisando de dicas para poder ter experiências profissionais.

    Obrigado

  3. Jose Parrot 10 de janeiro de 2011 11:01 Reply

    Boa, Raul.
    Artigo simples, curto e objetivo.
    Sem entrar em polêmicas, abordou o tema com equilíbrio.
    Gostei muito.
    JP

  4. Luís Antônio de Faria 14 de março de 2011 16:36 Reply

    Raul, eu estou concluindo o curso de BSI e o seu artigo abriu os meus olhos para o futuro.

    Obrigado e parabéns pelo artigo.

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  6. Fabio Martins Pimenta 7 de abril de 2011 11:41 Reply

    Muito Bom Raul, concordo plenamente contigo. As Empresas precisam se adequar ao Século 21 passando a analisar e avaliar não somente um ou outro pilar.

    Infelizmente ainda há aquelas que por não encontrarem uma Pós ou MBA no Currículo descartam um candidato com mais de uma década de experiência, consultoria e Certificações, lamentável.

  7. Douglas 9 de abril de 2011 18:19 Reply

    Gostei da idéia do artigo e da conclusão, só achei meio estranho comprar uma certificacao com uma carta de motorista. uma carta de motorista só pode ser comparada a uma certftcacao se voce comparar um motorista com uma pessoa nao habilitada a dirigir.

  8. Rafael Faria 26 de janeiro de 2012 18:20 Reply

    Muito bom mesmo o artigo. Eu ainda estou concretizando dois pilares e espero que em breve consiga mais um o acadêmico… a vivência está chegando e eu já me sinto legal, mas um novato, claro.

    Acho que este seu pensamento (artigo) deve chegar ao maximo de pessoas possíveis e também as empresas né rsrs.

    Abraço

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