VoIP e o Asterisk

por Alexandre Keller
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Muito tem se escrito e falado sobre como instalar, configurar, detalhes específicos de suas características e aplicabilidade do Asterisk, mas muito pouco sobre os cuidados necessários ao utilizá-lo como servidor PBX dentro da empresa, seja integrado a uma central telefônica ou como a própria central.

Durante algum tempo VoIP era palavra proibida nos departamentos de TI, devido às péssimas experiências vivenciadas, mas graças a algumas, extremamente sérias e responsáveis, empresas, o VoIP tem retornado aos projetos e orçamentos, mas desta vez de uma forma organizada, planejada e projetada de acordo com as reais necessidades, aplicabilidades e retorno previsto, dentro de cada caso específico, pois as empresas possuem características, realidade e infra-estruturas únicas, onde geralmente o retorno e projeto aplicado a uma empresa não será o mesmo de outra.

Mas afinal de contas o que envolve um projeto de migração ou implementação de um servidor Asterisk em uma companhia?

Antes de mais nada devemos avaliar o que a empresa espera dos serviços oferecidos com o Asterisk, se o Asterisk irá substituir a central telefônica atual ou será integrado a ela, e em cada caso avaliar o retorno de cada funcionalidade implementada, por exemplo, não adianta você configurar o serviço de correio de voz com acesso via web, se a necessidade da empresa era entregar as mensagens de voz nas caixas postais dos usuários.

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Vamos analisar de uma forma geral os cuidados que se deve ter ao montar um projeto VoIP utilizando o Asterisk, pois ele merece tantos cuidados quanto o seu servidor de banco de dados, e é nesse ponto que a maioria dos usuários e consultores peca, ao dimensionar incorretamente a infra-estrutura necessária para as necessidades da empresa.

Mas como analisar e dimensionar corretamente cada item da infra-estrutura necessária, quando falamos da rede, estações de trabalho, servidor, headsets {fones de ouvido com microfone}, placas de comunicação e assim por diante?

Vamos partir de alguns princípios mínimos básicos para que os principais serviços funcionem, e posteriormente vamos detalhando um pouco mais:

  • Backbone {infra-estrutura} da rede: utilização de switches com qualidade comprovada e de preferência com possibilidade de gerenciamento. Os protocolos VoIP geram um tráfego bastante grande, e ao utilizar hubs todo esse tráfego é replicado para todas as portas de todos os hubs. Com os switches o tráfego é direcionado somente para o destino do pacote, não afetando o tráfego das outras portas.
  • Pontos a serem verificados para os clientes VoIP:
    • CODEC a ser utilizado: não se recomenda a utilização de outro CODEC, que não seja o G.729 para cliente VoIP, pois este CODEC tem ocupação máxima de banda de aproximadamente 30 Kbps, já incluídos o áudio da chamada e os cabeçalhos SIP da comunicação. Recomenda-se separar um pouco mais de banda, algo em torno de 40, 45 Kbps. Todos os ATAs, gateways, telefones IP e softfones PAGOS do mercado já possuem o CODEC G.729, o que não se aplica por exemplo ao X-Lite, que é um softfone Free.
    • Largura de banda: deve-se ter uma largura de banda mínima, tanto para Download quanto para Upload, garantindo assim a qualidade das chamadas.
    • Softfones:
      • Placa de som: a placa de som da estação de trabalho deve ser de qualidade e não compartilhar recursos com outros periféricos. Recomenda-se a utilização de headset USB com DSP, como os da marca Plantronics.
      • Estação de Trabalho: recomenda-se que a estação de trabalho esteja executando um sistema operacional compatível com o softfone a ser utilizado. A estação de trabalho deve ter memória mínima de 512 MB e processador compatível e suficientemente potente com todas as aplicações que estiverem sendo executadas no momento que o softfone for utilizado, pois ele, o softfone, é apenas mais uma aplicação rodando no sistema operacional, e como tal totalmente dependente do que estiver sendo executado simultaneamente.
  • Integração com a central telefônica:ao integrar o Asterisk à central telefônica através de um link E1, por exemplo, temos de verificar basicamente dois detalhes:
    • Se a central telefônica tem portas E1 disponíveis, e caso não tenha, se é possível a sua expansão para a adição de mais portas.
    • Sinalização a ser utilizada para a integração. Existem basicamente dois tipos de sinalização utilizadas com links E1:
      • MFC/R2: ainda é a sinalização mais utilizada no Brasil, respondendo por mais de 70% do mercado nacional. Atualmente, para o Asterisk e homologadas pela Anatel, existem duas placas de comunicação disponíveis: Digivoice e Khomp. Qualquer outra implementação não deve ser considerada oficial, pois nem mesmo a própria Digium, mantenedora do Asterisk, reconhece o driver utilizado para uso com o R2, o chamado Unicall. Assim sendo, procure hardware com drivers e software reconhecido e homologado pelas empresas competentes do mercado, ou seja, a Anatel.
      • ISDN/PRI: é um protocolo de sinalização mais moderno que o MFC/R2. Ainda pouco utilizado no Brasil, mas com um futuro mais promissor, pois é eventualmente substituirá o MFC/R2. Para este protocolo existe uma maior variedade de fabricantes de placas de comunicação, como por exemplo: Digium, Sangoma, Pika, Digivoice, Khomp, entre outras.
    • Em resumo, cuidado, pois você pode adquirir uma placa que não possua a sinalização adequada para a integração com o seu PABX.
  • Dimensionando o hardware do seu servidor: de uma forma geral podemos definir o servidor nos baseando em algumas informações históricas e testes realizados em laboratório pela Digium e em algumas características de funcionamento do servidor Asterisk:
    • A Digium publicou há algum tempo publicou algumas informações referentes aos limites de execução do Asterisk. Segundo essa documentação, para gerenciar 120 ligações completadas utilizando o codec G.729 através de 4 links E1 (cada link E1 possui 30 canais de comunicação), ou seja, transcodificando o áudio de G.729 para G.711u (codec padrão dos links de telefonia utilizados no Brasil), é necessário um servidor Xeon 3.0 Ghz com 2 GB de memória RAM.
    • Outro número interessante alcançado é o de 300 chamadas simultâneas usando apenas o codec G.711u, em um servidor AMD Semprom 2800 com 1 GB de memória RAM.
    • A informação que realmente define qual processador escolher para o seu projeto, é o de número de chamadas simultâneas processadas, e, dentro desse número qual a quantidade de chamadas que estarão sendo transcodificadas, ou seja, convertidas de um codec para outro.
    • Infelizmente, o dimensionamento do servidor é mais subjetivo do que definido através de fórmulas matemáticas, mas pode-se chegar muito próximo da necessidade real se for utilizado o bom senso e o estudo de dados históricos de utilização da telefonia dentro da empresa.

Após todas essas análises e verificações, a integração entre o Asterisk e uma central telefônica convencional pode ser demonstrada conforme o diagrama a seguir (figura 1):

 

Figura 1: Diagrama de funcionamento de um servidor Asterisk

Na figura 1 podemos verificar que qualquer ramal, seja conectado ao PABX, seja autenticado no Asterisk, pode se comunicar com qualquer outro ramal, ou “terminar” uma ligação, tanto na operadora de telefonia (PSTN-Public Switched Telephony Network) quanto no provedor VoIP. O Asterisk gerenciará corretamente todas as conversões de codec e protocolo necessárias para completar as chamadas e entregar o áudio na origem e no destino, baseado no plano de discagem programado no Asterisk, onde especificamos os tipos de canais de comunicação e as aplicações que serão executadas para completar tais chamadas.

De uma forma geral e bastante prática, esse é o funcionamento de um servidor Asterisk integrado a uma central telefônica convencional.

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