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Transformando riscos em oportunidades de negócio

publicado por Alfredo Saad

Figura - Transformando riscos em oportunidades de negócioO conceito de risco surgiu na transição da Idade Média para a Moderna, ao longo dos séculos XVI e XVII. Até então, apesar do notável avanço já alcançado em outras áreas do conhecimento humano, ninguém ousava desafiar o desígnio dos deuses, que pareciam determinar os eventos futuros. Esse fato fazia com que os eventos observados fossem simplesmente associados à boa ou má sorte.

Uma arraigada visão fatalista impedia que sequer fosse imaginada a possibilidade de ações que aumentassem a probabilidade de ocorrência de eventos favoráveis ou diminuíssem a probabilidade de ocorrência de eventos desfavoráveis.

Os ares inovadores trazidos pelo Renascimento fizeram com que os pensadores da época desafiassem esse temor do futuro, levando-os a desenvolver e aperfeiçoar métodos quantitativos que antecipavam variados cenários futuros em
contraposição ao cenário único imposto pelo destino.

Um dos primeiros marcos foi a solução, por Pascal e Fermat, em 1654, acerca do enigma da divisão de apostas de um jogo de azar. Surgiram então os primeiros fundamentos da Teoria das Probabilidades, básicos para o conceito de risco. A partir daí, a recém criada perspectiva fez surgir, ao longo do século XVIII, inúmeras aplicações em distintas áreas, tais como cálculos de expectativa de vida das populações e até mesmo o aperfeiçoamento do cálculo de seguros para as viagens marítimas.

A evolução permanente dos métodos quantitativos trouxe, já na Idade Contemporânea, essas aplicações ao mundo corporativo. Textos escritos por Knight em 1921 (Risco, Incerteza e Lucro) e Kolmogorov em 1933 (Fundamentos da Teoria das Probabilidades), assim como a Teoria dos Jogos, elaborada por von Neumann em 1926 são bases para a evolução contemporânea do tema. Dentre as áreas abordadas desde então, podem ser citadas as decisões relativas à fusão e aquisição de empresas, as decisões de investimento e os estudos macro-econômicos.

A evolução da disciplina de gestão de riscos permitiu identificar quatro diferentes formas de reagir a um risco, a saber: aceitar, transferir, mitigar ou evitar o risco. Há, entretanto, uma quinta forma, inovadora, de reação: a de transformar o risco em uma oportunidade de negócio.

Um exemplo de aplicação desse conceito pode ser visto em contratos de terceirização de serviços de TI. Tipicamente, o cliente contrata o provedor de serviços para operar o ambiente de TI de sua organização com níveis de qualidade pré-definidos em contrato, os quais garantem que eventuais falhas não impactarão significativamente os negócios do cliente. Nesse cenário, é parte relevante da atividade do provedor de serviços o continuado esforço para identificação e tratamento das vulnerabilidades no ambiente de TI operado e que possam vir a afetar as atividades do cliente.

Sabe-se que cultivar no cliente a percepção de que o provedor atua proativamente na identificação dos potenciais fatores de riscos aos seus negócios aumenta significativamente a sua predisposição em contratar novos serviços. Mais ainda, o tratamento indicado para vulnerabilidades identificadas, muitas vezes, requer a tomada de ações que se encontram fora do escopo de serviços contratado.

Esse cenário caracteriza a quinta forma para reagir a um risco identificado: a geração de uma nova oportunidade de negócio, que pode ser viabilizada pela ampliação do escopo dos serviços contratados, com a finalidade de eliminar ou ao menos mitigar fatores que colocam os negócios do cliente em risco.

O exercício permanente dessa conduta proativa do provedor consolida, na percepção do cliente, a idéia de que o provedor é capaz de gerar um valor agregado relevante, que é o de assegurar que seus próprios negócios estão protegidos por uma efetiva gestão dos riscos de TI. Tal valor agregado extrapola largamente os limites comerciais estritos do contrato firmado, criando vínculos de confiança mútua valiosos para ambas as partes e que poderão gerar ações de parceria em áreas não exploradas nem vislumbradas anteriormente.

[Crédito da Imagem: Gestão de Riscos – ShutterStock]

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Autor

Alfredo Saad has been acting on IT area since 1970, taught more than 100 lectures in Brazil and abroad (USA, France, Portugal, Chile, Argentina & Uruguay). He has been acting on IT Strategic Outsourcing Services area since 1997. He negotiated and managed, as Varig's IT Technology Manager, the contract signed with IBM (1997-2004). In 2006 he published the book "IT Services Outsourcing" (Brasport Publishing House). He managed (2006-2009), as an IBM Project Executive, the South American section of Michelin's global outsourcing contract. Risk Manager of all IBM Strategic Outsourcing contracts in Brazil (2009-2014). From March 2014 on, he has been acting as an independent consultant, lecturer and writer on IT Outsourcing as the principal of his own company, Saad Consulting.

Alfredo Saad

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