Carreira

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Status profissional + dinheiro = felicidade? Nem sempre!

publicado por Leonardo Corrêa

Por mais absurdo que isso possa parecer, nem sempre a receita status + boa remuneração resultará em felicidade e satisfação.

É bem verdade que dinheiro não faz mal a ninguém, ainda mais se vier em uma boa quantidade, mas acredite, isso será um fator motivador apenas no primeiro mês de trabalho, quando você receber aquele contracheque maravilhoso, talvez no segundo e terceiro mês também. Depois disso, se você não estiver alinhado e feliz com suas atividades rotineiras, o que era lindo pode se transformar em uma tortura diária.

No ano de 2003 fiz uma viagem para São Paulo e me hospedei na casa de um primo que não via há muito tempo. Eu estava em busca de alguma novidade do mundo tecnológico que ainda não tivesse chegado a Brasília. Queria investir em algo inovador. Trazer uma novidade comercialmente muito boa da cidade onde tudo acontece primeiro. Durante minha estadia conversamos bastante. Meu primo e sua esposa eram um exemplo de perseverança e sucesso profissional.

Ainda jovens iniciaram um provedor de internet na garagem da casa de seus pais. Na época era algo novo, não existiam muitos, e com o tempo cresceram, contrataram muitos funcionários, formalizaram a empresa, alugaram um bom escritório, se transformaram em uma empresa integradora de soluções, desenvolveram excelentes sistemas que foram comercializados para multinacionais da capital e interior, e se tornaram referência no mercado de TI paulista.

Com os negócios indo muito bem, conseguiram construir um patrimônio em apenas 10 anos. Compraram um excelente apartamento, dois carros, uma casa de campo no interior de São Paulo, constantemente faziam viagens para o exterior, enfim, era de se admirar. Ao ver tudo aquilo imaginei que eles eram muito felizes, e que por todas as visíveis conquistas, valia o stress de viver em um mundo tão competitivo.

Certa noite sua esposa me acordou gritando e pedindo ajuda. Meu primo estava ao lado da cama, desmaiado, se debatendo como uma estivesse em convulsão. O levamos as pressas para um hospital onde ele foi submetido a inúmeros exames neurológicos.

Posteriormente, após analisar todos os resultados, os médicos chegaram à conclusão que se tratava de uma crise resultante de um intenso momento de estresse.

Foi uma experiência assustadora! Nunca pensei que o trabalho pudesse fazer isso com uma pessoa. Dalí por diante, depois que voltei para Brasília, passamos a conversar com freqüência. Muitas vezes tive a impressão de que ele não era feliz com a rotina em que estava inserido. Grato, satisfeito por ter vencido e conquistado muitas coisas em um mercado competitivo onde muitas empresas fecham antes de completar dois anos de vida, mas infeliz.

O mais triste foi que alguns meses depois eles resolveram se separar. Depois de tantos anos juntos, lutando e vencendo juntos, resolveram vender a empresa, repartir o patrimônio e seguir cada um o seu caminho. Com o passar do tempo perdemos o contato novamente. Um distanciamento natural devido ao corre-corre diário.

Meu primo se matriculou em um curso profissionalizante de DJ, uma antiga paixão, concluiu o curso de formação para professores de Dança de Salão, deixando a TI para atuar em atividades menos estressantes e mais prazerosas.

Em 2008 voltei a São Paulo para fazer um treinamento e tive a oportunidade de reencontrá-lo. Conversamos bastante e pude notar como ele estava bem melhor, mais feliz, com uma qualidade de vida invejável. Em momento algum demonstrou arrependimento de ter trocado o status de Diretor Presidente, de uma bem sucedida empresa de TI na grande capital paulista, por uma vida mais tranqüila.

Bom, esse foi um caso extremo. Resolvi comentar para ilustrar uma situação de crise profissional e chegar ao ponto onde realmente gostaria.

Não estou querendo dizer que se você está infeliz com sua vida profissional, embora esteja empregado e ganhando bem, deverá mudar radicalmente suas atividades para se sentir realizado. Não! Contudo, há de se considerar que o exemplo do meu primo não é um caso isolado, visto que as muitas pessoas entram por uma porta de emprego pensando apenas no dinheiro, esquecendo de investigar antes quais atividades diárias terão que desempenhar, quais são os desafios propostos e as possibilidades de crescimento que aquele posto de serviço poderá lhe oferecer.

Nem sempre o salário menor é sinônimo de oportunidade pior!

Trazendo isso para o ambiente de TI onde atuo, vejo que cada colega tem um anseio específico. Para alguns, a oportunidade de ser treinado e se qualificar (certificações) vale mais que um salário alto. Para outros, a boa remuneração traz uma sensação de valorização e reconhecimento. Em outros casos, um ambiente de trabalho agradável e flexível que permita fazer outras coisas prazerosas como dar aulas em cursos e faculdades, ou atuar como consultor autônomo, é fundamental. É interessante como cada profissional se sente estimulado de uma forma tão particular.

Tenho dois amigos atuando na área de Telecom. Um deles pediu demissão de uma grande multinacional porque viaja demais, e isso, para ele, era um problema. O outro recentemente me disse estar trabalhando no emprego que sempre sonhou. Viaja o Brasil todo tocando um importante projeto. Você entende isso?

Existem profissionais atuando na área técnica, sonhando com uma oportunidade na área comercial, ou de gestão. Por outro lado temos líderes/gestores com saudades dos tempos em que só precisavam cumprir as demandas diárias e ir pra casa ao final do expediente.

Já vivenciei os dois lados da moeda em minha vida. Trabalhei em uma empresa de ambiente desafiador e agradável, porém com um salário muito baixo e um plano de carreira muito lento, que não me permitia oferecer uma vida com o mínimo de conforto para minha esposa e filhas. Em outro momento tive a felicidade de ser contratado e muito bem remunerado, mas por outro lado impossibilitado de fazer mais do que gostaria por motivos culturais e restritivos do local.

Isso nos mostra que a realização profissional vai muito além de um cargo importante e um bom salário.

Se soubermos o que verdadeiramente nos traz a sensação de produtividade e plenitude, teremos uma assertividade maior nas nossas escolhas.

Pense nisso!

Sucesso para todos!

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Autor

Analista de Processos de Negócio e Consultor em Análise e Reformulação de Currículos, graduado em Gestão da Tecnologia da Informação com extensão em Formação de Consultores Organizacionais pela FGV. Pós-Graduando em Gestão de Processos de Negócio (BPM) integrado à Engenharia de Software, certificado ITIL Foundation, CobIT 4.1 Foundation.

Leonardo Corrêa

Comentários

9 Comments

  • Leonardo,
    Eu atuo na área de TI desde 1995 e já tive experiência profissional de viajar, ficar dias longe da família, ser mal remunerado, etc. Hoje me considero bem remunerado e contente na área. Estou alocado em outsourcing e depois de todas as experiências que já tive, cheguei a mesma conclusão que você, precisava descobrir o que me fazia feliz e cheguei a conclusão que o equilíbrio é a melhor maneira de sentir-se realizado profissionalmente e pessoalmente. Equilibrar trabalho, família, qualidade de vida, é fundamental, muitos profissionais não estão mais dispostos a trocar qualidade de vida por salários ou cargos. Qualidade de vida hoje vale muito mais do que moeda corrente ou ascensão profissional.
    Escrevi um artigo relatando a situação, caso queira ler:

    http://www.tiespecialistas.com.br/2010/11/a-motivacao-da-equipe-nao-e-so-financeira/

    Grande abraço,
    Alexandre.

  • Lonardo,

    Atuo na área de TI há 25 anos. Não posso reclamar da minha vida profissional, pois como a maioria dos profissionais de minha época começou de “baixo”. Tive a oportunidade de atuar em diversos cargos técnicos e nos últimos anos, cargos com foco em gestão. O início foi muito parecido com a maioria das histórias de ascensão, muita dedicação, trabalho, estudos e pouco divertimento. Com o passar dos anos, vamos aprendendo a dosar melhor o trabalho versus vida particular e, mudamos nossos conceitos de sucesso e felicidade. Atingimos uma fase onde o sucesso e felicidade não estão relacionados somente ao salário. Sentimos a necessidade de poder partilhar e participar nossas conquistas com nossos entes queridos.
    Atualmente estou atuando a quase 2.000 km longe de minha família. Mesmo com o benefício de poder “retornar para casa” periodicamente, após alguns meses, passamos a ter o sentimento de que esta periodicidade é pouco. Sentimos que estamos perdendo mais do que o salário pode oferecer, momentos com a família, pode participar e estar presente de eventos e encontros que não se repetirão mais.
    Estou investindo para reverter a situação, inclusive considerando perdas financeiras para poder alcançar o equilíbrio de realização profissional X pessoal.

    Abraços,
    Márcio Nakahara.

    • Preza Márcio,

      Muito obrigado por dividir sua experiência conosco. Espero que muito em breve tenhamos boas notícias sobre essa mudança que pretende fazer para estar mais próximo da família.

      Equilíbrio (harmonia) é fundamental em todas as coisas!

      Grande abraço!

  • Olá Alexadre!
    Muito obrigado por compartilhar sua experiência não somente comigo, mas também com todos os leitores.

    De fato, no início da carreira estamos sempre dispostos a qualquer coisa para ganhar um bom salário. Com o passar do tempo. após constituirmos família, qualidade de vida se torna algo muito importante.

    Li seu artigo. Muito bom também! Parabéns!

    Um grande abraço!

  • Prezado Márcio,

    Artigo fantástico e de fato nos leva a refletir o que é mais importante: salário alto ou ambiente de trabalho acolhedor??

    Eu estou na área de TI a mais ou menos 5 anos, acredito que isso quer dizer que sou um bebê ainda nessa área, mas já passei por desafios nos quais tive que escolher, melhor salário ou um ambiente de trabalho mais prazeroso…É uma escolha muito difícil, por que às vezes você está trabalhando numa empresa que nem sempre ainda é muito reconhecida, não paga muito bem, mas você está com uma equipe fantástica, onde tem a liberdade de flexibilidade de horários, poder utilizar a Internet da forma que quiser, etc. Trocar isso por um salário melhor mas um ambiente mais limitado, o que escolher??

    Acredito que devemos sempre escolher de acordo com o nosso perfil e o que queremos também para o nosso futuro. Enfrentar novos desafios é sempre muito interessante, pois irá nos enriquecer tanto profissionalmente como pessoalmente.

    Um grande abraço!!

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