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Procurando sistemas computacionais

publicado por Luis Otávio Médici

Procurando sistemas computacionaisDurante muitos anos o computador pessoal de mesa foi sinônimo de sistema computacional. No imaginário do usuário comum o único formato disponível para atender as sua necessidades de computação era o PC com gabinete (unidade de processamento), monitor (saída), teclado e mouse (entradas). O estabelecimento de padrões de formatos (ou form factors), interfaces e tecnologias tornou possível a redução do custo pelo ganho de escalda na produção de peças e partes padronizadas. Imagine a dificuldade que seria se cada fabricante de PC tivesse optado por definir interfaces proprietárias para teclado, vídeo ou mesmo placas de expansão. Do ponto de vista de software, pense na complexidade de se escrever um programa para um computador sem a padronização dos serviços oferecidos pela BIOS.  Em termos de interoperabilidade, quão difícil seria atender a necessidade de se interligar periféricos diversos sem a padronização da interface multiuso USB. A padronização explica bem parte do sucesso do computador pessoal em todo o mundo.

Uma mudança importante no paradigma da computação pessoal ocorreu com o surgimento dos primeiros computadores portáteis. Saem a mesa e a tomada e entra a bateria e o colo (literalmente laptop).  Apesar de alguns tropeços no início, a indústria de computadores portáteis cresceu adotando padrões do computador pessoal além de outros específicos para atender suas necessidades de autonomia, mobilidade e portabilidade (exemplo: disco rígido de 2,5”).

Outro grande impacto na forma como vemos os sistemas computacionais foi o advento dos smartphones e tablets. Quem poderia imaginar que se teria na palma da mão uma capacidade computacional equivalente ao um bom computador de mesa do início do século XXI.  Estas maquininhas poderosas ensejaram a criação de um novo mercado, com softwares ou Apps disponíveis em sistemas operacionais especialmente desenhados para elas.

Agora uma pergunta: será que os sistemas computacionais são utilizados somente em computadores pessoais (ou servidores), laptops, smartphones e tablets? Acredito que o leitor tenha tranquilamente respondido não. Porém, sendo esta a resposta, onde mais estão eles então?  Resposta: estamos cercados por eles. Temos sistemas computacionais no forno de micro-ondas que aquecemos o leite, no elevador que esperamos para descer até a garagem, no rádio que ligamos no carro, no portão eletrônico da garagem, no semáforo que insiste em ficar vermelho, na câmera de vigilância da rua, no radar de velocidade escondido atrás do viaduto, no leitor de crachá da entrada do prédio do trabalho, na tela que mostra propaganda no elevador, na máquina de café vital para o longo dia, no projetor utilizado na sala de reunião, no controle do ar condicionado cuja temperatura sempre é motivos de polêmica, na máquina de injetar plástico da linha de produção, no equipamento do dentista que você pensou ter adiado, no leitor de bilhete de integração do ônibus lotado, no medidor de água ou  energia, no drone do canal de TV fazendo uma tomada do céu da cidade no fim da tarde …  Realmente eles são muitos e se escondem bem.

Chamamos estes sistemas sorrateiros de embarcados ou embutidos. Em inglês o termo utilizado é Embedded Systems. A ideia por de trás destes nomes é que o sistema computacional embedded não esta aparente e nem tem um aspecto convencional. O formato de um computador pessoal foi pensado para atender as demandas gerais de usuários domésticos ou corporativos. Por se tratar de um equipamento de propósito geral, o computador pessoal tem uma grande oferta de recursos que, em muitos casos, não usados em sua totalidade. O meu laptop tem leitor biométrico e Bluetooth, mas eu nunca precisei utilizá-los.  Os sistemas embarcados atendem necessidades específicas (conceito importante), então não é desejável que ele possua recursos que não são utilizados, pois estes agregam custos sem adicionar funcionalidade e podem causar falhas nos recursos que são realmente importantes. Um exemplo: a falha em um módulo de comunicação sem fio (wireless) instalado desnecessariamente em um sistema de controle de semáforo pode ser a causa de um problema grave no sistema como um todo.

Para atender a necessidades específicas os sistemas embutidos também precisam atender a requisitos específicos. Neste momento estou confortavelmente sentado no meu escritório escrevendo este artigo em uma mesa estável e em um ambiente com ar seco e temperatura agradável. O meu laptop está gostando disso.  O mesmo não acontece com o controle do elevador do prédio. Ele está instalado dentro de um quadro de energia quente e empoeirado, ao lado de outros sistemas de acionamento e motores de alta potência. Por estar preparado para operar em um ambiente como este (acredite, existem piores), ou seja, por atender a requisitos de especiais de temperatura de operação, alimentação, vibração, modo de instalação e de entradas & saídas, o controle do elevador pode ser considerado um sistema embutido.  Um exercício interessante é fazer a inversão dos papéis: imagine eu tentando elaborar um texto utilizando o controle de elevador (cadê a tela?) e o meu laptop tentando acionar o motor (onde eu ligo os cabos?). Eu desistiria do artigo e o elevador ficaria parado.

A redução do crescimento de vendas de computadores pessoais no mundo, seja pela maturidade do mercado, seja pela substituição por tablets ou smartphones, levaram os grandes fabricantes de processadores a olhar com bastante atenção para o promissor mercado de sistemas embarcados. Se pensarmos que cada sistema desse leva um processador, é fácil imaginar que este mercado potencial é gigantesco. Empresas como Intel* e AMD*, por exemplo, possuem unidades de negócios, portfólios de produtos e canais dedicados para atender o mercado de Embedded Systems. Já nós, profissionais da área de tecnologia da informação, temos que estar atentos e este movimento, treinando nossos olhos para identificar estes sistemas, pois eles podem ser objeto do nosso próximo projeto.

[Crédito da Imagem: Sistemas Computacionais – ShutterStock]

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Autor

Engenheiro formado em engenharia elétrica pela Faculdade de Engenharia Industrial (SP) e pós-graduado em administração pela Fundação Getúlio Vargas (SP). Tem com 15 anos de experiência em sistemas embarcados e negócios internacionais, tendo atuado como engenheiro de aplicações, gerente de produtos e engenheiro de sistemas em empresas de telecomunicações, consultoria, representação comercial e distribuidores . Atualmente trabalha na empresa Arcon Serviços Gerenciados de Segurança.

Luis Otávio Médici

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