O novo foco: otimizar antes de escalar
Em um passado recente, muitos times digitais operavam com uma lógica clara: lançar mais recursos, alcançar mais usuários, conquistar novos mercados. Tudo ao mesmo tempo.
Só que agora, com orçamentos mais restritos e uma pressão crescente por rentabilidade, essa abordagem perdeu força.
Hoje, a prioridade é outra: fazer mais com menos.
Antes de pensar em expansão, é preciso garantir eficiência, retenção e resultados concretos no core business.
O impacto direto das demissões e congelamentos de vagas
Muitas empresas estão operando com times mais enxutos, algumas por corte de pessoal, outras por decisões estratégicas de contenção.
Isso tem consequências diretas para produtos digitais:
- Menos pessoas para executar.
- Mais cobrança por resultados.
- Mais pressão por clareza nas prioridades.
Nesse contexto, falta de foco custa caro. Projetos mal definidos ou mal dimensionados rapidamente se tornam gargalos operacionais.
E mais: estruturas que pareciam funcionar bem durante a fase de crescimento acelerado agora revelam falhas, integrações frágeis, dívida técnica acumulada, dependência de processos manuais.
As empresas que resistem melhor são aquelas que já vinham investindo em bases tecnológicas sólidas, modulares e escaláveis.
Estratégia global? Só se for adaptável
Existe um erro comum: pensar que um modelo de marketplace bem-sucedido em um país pode ser replicado em outro sem ajustes significativos.
A realidade é outra.
Cada mercado tem sua própria lógica:
- Infraestrutura logística.
- Comportamento de consumo.
- Regulação.
- Nível de bancarização.
- Relação com tecnologia.
Nos EUA, por exemplo, entrega em 24h é padrão. Na América Latina, o pagamento parcelado ainda é dominante. Na Europa, preocupações com sustentabilidade e privacidade de dados moldam toda a experiência de compra.
O que mudou na forma de medir sucesso digital
Antigamente, falávamos muito de “número de usuários”, “tempo médio no site”, “taxa de conversão”. Claro que ainda são importantes.
Mas hoje, o C-level quer ver:
- Qual é o payback do CAC?
- Qual impacto essa funcionalidade tem na margem?
- Como esse investimento reduz churn ou aumenta LTV?
- Isso nos ajuda a operar com menos custo?
A influência crescente dos marketplaces chineses: AliExpress e Temu
Em paralelo a tudo isso, marketplaces chineses como AliExpress e Temu estão moldando o comportamento do consumidor no mundo inteiro.
B2C ≠ B2B
Existe uma ilusão perigosa: tratar o B2B como se fosse B2C com pedidos maiores.
Na prática, B2B exige:
- Cotação personalizada.
- Pagamento via boleto, fatura, prazo.
- Aprovação interna.
- Conformidade regulatória.
- Atendimento consultivo, muitas vezes humano.
O que as empresas mais maduras estão fazendo
As empresas que estão lidando bem com esse novo cenário têm algumas atitudes em comum:
- Planejamento contínuo: revisões trimestrais de roadmap substituem os ciclos anuais engessados.
- Entrega incremental: em vez de grandes replatformings, optam por modularizar e entregar valor em ondas.
- Visão financeira desde o início: business case não é só para apresentação ao board — é parte do dia a dia da squad.
- Robustez operacional: segurança, estabilidade e governança deixaram de ser “infraestrutura” para se tornarem temas estratégicos.
Conclusão: não é sobre ser o maior, mas o mais preparado
A transformação digital não parou. Mas agora ela exige mais inteligência, mais disciplina e mais respeito pelas diferenças entre mercados.
Porque no final das contas, marketplaces não são apenas tecnologia. São sobre pessoas, confiança e hábitos de compra.
E esses mudam de país para país, e de segmento para segmento.
Este artigo foi publicado originalmente em https://brandao.consulting