Segurança da Informação

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Os espiões estão interessados em Nós?

publicado por Antônio Sérgio Borba Cangiano

Os espiões estão interessados em Nós?A NSA tem um orçamento de 11 (onze) bilhões de dólares ano e possui 30.000 (trinta mil) empregados, tem instalações fora de Fort Meade, Marylan em: Georgia, Texas, Hawaii e Colorado, onde possui melhores serviços de rede e ainda tem pessoal distribuído escutando “POSTS” ao redor do mundo. Para comparação, a título de níveis de serviços, o SERPRO que roda: o Imposto de Renda, a Nota Fiscal Eletrônica, a Folha de pagamento da Administração Pública Federal, o Pregão Eletrônico, o SIAFE – sistema de planejamento e execução orçamentária em tempo real, o Registro Nacional de Veículos (RENAVAN),  Carteira Nacional de Habilitação (RENACH) dentre outros gigantes, tem um orçamento anual em média  cerca de 1 (um) Milhão de dólares e 11 (onze) mil Empregados, possui grandes instalações em São Paulo, Rio e Brasília, e outras grandes mas com menor poder computacional em quase todas as capitais Brasileiras, e por último porém não menos importante possui pequenas instalações em todas aduanas Brasileiras cobertas por “backbone WAN” , a rede nacional. Esse serviço todo para 190 milhões de Brasileiros e para a maioria das empresas no  território Nacional e filiais, o orçamento anual da empresa tupiniquim representa cerca de 10 % do orçamento e 33% dos empregados da NSA.

No planeta  existem 7 bilhões de seres humanos e aproximadamente pouco menos de 7 bilhões de celulares, são seis bilhões de e-mails enviados a cada hora, 1,2 (um,dois) petabytes de dados atravessam o mundo na  internet a cada minuto, o equivalente a dois mil anos de musicas tocando continuamente ou o conteúdo de 2.2 (dois,dois) bilhões de livros, a NSA consegue monitorar 1,6% (um,seis) o que equivale a 35 milhões de livros. – fonte: How to Get Ahead at the NSA – Daniel Soar

O Brasil é a 6a. (sexta) economia mundial, e o “.br” está densamente populado na posição de quinto lugar perdendo para os: 1) “.net”- networks, 2) “.com”- Commercial, 3)“.JP”-Japan, 4)“.de”- Germany, fonte http://ftp.isc.org/www/survey/reports/2013/07/ . O Brasil está em rede, são 33.691.951 (trinta e três, seiscentos e noventa e um e novecentos) milhões de “.br’s”, esse é o dado do primeiro semestre de 2013.

Se o Brasil está  na internet, o que interessa aos espiões?

Os mais otimistas dirão interessados em possíveis ataques terroristas, motivados pelo Onze de Setembro e conformam-se protegidos pelo “Big Brother”, outros menos, dirão  interessados em políticas e negócios, e portanto individualmente  salvos por não tratarem desses assuntos. Os demais dirão que apenas em quem tem diálogos por e-mail com os americanos e residentes que teclam palavras tais como: Al Quaeda, Taliban, American Airlines etc..

Os paranóicos  dizem que  todos são vigiados todo o tempo, e  deixam de usar e-mail,  nuvem de computadores, e imaginam que eles podem estar lendo até os seus pensamentos e temem  que aquele e-mail raivoso que enviou para o Procon pode cair na malha. O senso comum para quem acompanha a mídia mundial, onde até o Papa e o Vaticano não se safam, acham que a espionagem é para detectar qualquer informação sobre movimentos, sejam eles: negócios, políticos ou terrorista. Enfim, é difícil saber ao certo.

Para imaginar o que está na mira e qual o interesse, vamos analisar dois casos. Primeiro caso é o da eleição Mexicana onde o programa da NSA –  SILVERZEPHYR (SIGAD – US-3273), analisa  fontes de interesse, ele entrega dados da America central e do sul onde serve dados de telefone, metadados de fax e registros da internet tanto conteúdo como metadados. No foco o interesse é sobre os governantes do México. Esse caso foi apresentado no Fantástico no mês passado por Glenn Greenwald, um dos principais jornalista do caso “Snowden”. A apresentação foi do estudo de caso para mostrar os benefícios de criar gráficos de contatos, uma forma útil de visualizar e analisar a estrutura de redes de comunicação. Isso permite ver ponto a ponto e com que frequência duas pessoas se comunicam. Os slides apresentaram duas semanas de informações do final de 2012 da campanha presidencial contra Enrique Peña Nieto , que liderava as pesquisas sobre as comunicações dos seus nove assessores mais íntimos. Usaram o banco de dados MAINWAY que permite análise de metadados de  telefones e relacionamentos entre números – S2C41 o qual produz  gráficos de contatos “dois pontos” ( two-hops), para mostrar quem comunicou com quem e com quais outros cada um se comunicou. Uma análise posterior com outro programa denominado DISHFIRE, que extrai mensagens “interessantes” mostrou quem nessa rede é mais significante, incluindo alvos desconhecidos até então, com isso tudo foi possível, com precisão, definir antecipadamente os ministros, secretários e influentes do novo governo eleito. Seis meses depois do governo eleito todos listados pela análise haviam sido empossados. Quanto valeu essa informação em primeira mão?.

O segundo caso menos expressivo, mas mais próximo da realidade do cidadão comum: O New York Times publicou uma história que o MAINWAY, estava sendo usado para criar gráficos sofisticados de conexões sociais entre os Americanos. No dia seguinte o concorrente The Guardian, não suportando o furo anterior, e detentor das informações vazadas por Snowden, colocou na página frontal matéria que MARINA, outro sisteminha, tinha a capacidade de analisar 365 dias passados do comportamento de uso do Browser. O material publicado não é muito importante, basicamente  power point com apresentações técnicas para treinamentos nesses sistemas. Mas o que é importante ressaltar, é que o seu browser com conteúdo de até um ano atrás pode ser analisado, se contiver dados de navegação, cookies, Apps, sites e tudo que puder ser peças de quebra cabeças para investigar  uma condenação ou absolvição de quem estiver na mira. Cuidado com quem você esbarra virtualmente na rede.  Isso pode soar terrível, se você usou palavras chaves que  peneiradas te condenem.  Não vamos pela linha paranóica, gostamos da internet, e nossa vida lá é um livro aberto. O que devemos apoiar é o marco civil da internet no Brasil e incentivar uma efetiva governança internacional da internet. Ainda tem tempo, a internet é  uma novidade atual da humanidade, e tem provocado uma tensão entre emocionalidade e  racionalidade global que ao fim acertará os seus rumos. Assim é a nossa esperança e batalhamos para que assim o seja.

[Crédito da Imagem: Espiões – ShutterStock]

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Autor

Mestre em Engenharia de software: redes de computadores pelo IPT - USP, Bacharel em Ciências Econômicas e em Ciências de Computação, ambos na Universidade Estadual de Campinas. É Certificado pelo PMI em Gestão de Projetos – PMP e Conselheiro de Administração e Fiscal – IBGC/CCI. Experiência em empresas multinacionais, nacionais e públicas de grande porte: IBM, Ericsson, Unisys, Atos Origin e no SERPRO como diretor de gestão empresarial. Atuação executiva nas áreas de TIC, Finanças e venda de soluções. Conhecimento e habilidade nas áreas de: Planejamento, Gestão, Comercial, Projetos, Certificação Digital, Viabilidade Econômica/Financeira, Segurança e Sustentabilidade. Hoje exerce cargo de Assessor da Presidência do ITI – Instituto de Tecnologia da Informação – responsável pela ICP Brasil. Autarquia supervisionada pela Casa Civil do Governo Federal. Participa da câmara de segurança e é membro substituto ambos no CGI.BR.

Antônio Sérgio Borba Cangiano

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