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Na Suécia, o futuro já chegou. Viva o passado!

publicado por L.Midas

Estou ficando velho. Lembro-me da época em que a internet chegou ao Brasil e pipocaram as chamadas “Provedoras de Internet”. A gente usava o (caríssimo) modem de 9600, tinha até uma trilha sonora ao fundo (tchííí, tchóóó, tzúúú e tudo ficava silencioso e a gente estava então, na tal internet). De lá prá cá, as operadoras, que naquela época ficavam a ver navios (pera aí, quer dizer que as tais provedoras de internet, em si, já naquela época eram as OTT “over the top players” de hoje em dia???) tomaram as rédeas desse negócio e passaram a controlar o acesso do usuário à internet. De quebra, ainda inventaram o triple/quadruple play. Uma única conta e toma-lhe o acesso à internet, telefonia fixa e móvel e TV.

No meio tempo, as empresas de TV a cabo e satélite também colocaram suas manguinhas de fora e estenderam sua tecnologia de forma a também poderem prover o tal do triple/quadruple play. Com uma significante diferença: Enquanto as operadoras de telecomunicações geralmente têm a obrigação legal de prover acesso para empresas competidoras (O chamado LLU – Local Loop Unbundling), no caso das empresas de TV à cabo ( por serem “locais” e não terem monopólio) o mesmo não ocorre na maioria dos casos.

De qualquer forma, o ponto da história é que as operadoras, sejam elas originalmente TV ou telefonia, lograram cooptar o usuário provendo-o dos quatro serviços ao mesmo tempo em que se esforçaram ao máximo para tentar evitar que concorrentes tivessem acesso à infraestrutura (de uma maneira ou de outra, porque mesmo no caso das próprias telcos a lei geralmente não aplica à serviços que não a telefonia propriamente dita). Em conclusão, meu apartamento aqui na Suécia tinha TV a cabo da empresa ComHem (via cabo coaxial). Era impossível eu assinar a concorrente Boxer ou a Canal Digital simplesmente porque meu prédio era servido pela ComHem e ponto final. Quisesse assinar Boxer eu teria de me mudar para outro prédio em uma outra área servida pela Boxer e assim por diante….

Eis que me mudei para um apartamento novinho em folha. Ao comprar o apartamento, o corretor me disse: “nesse prédio é um sistema novo. Você pode escolher livremente quem será seu provedor de telefonia, TV, internet e qualquer outro futuro serviço. Não se preocupe porque quando você receber as chaves receberá também um set-top box. Em instantes, você mesmo pode iniciar qualquer um desses serviços”.

Claro, eu já tinha ouvido falar desse novo tipo de conceito. Já tinha até feito uma apresentação sobre isso. Consiste em uma empresa fazer um rollout de fibra ótica em certa localidade e, ao invés de prover os serviços propriamente ditos aos usuários, na verdade o negócio dessa companhia consiste em prover apenas a conectividade. A tal empresa (no meu caso chamada OpenNet) mantém toda a parte de infraestrutura, e abre essa infraestrutura para as provedoras de serviços, no caso serviços de telefonia, TV e internet. Como usuário, nunca recebo uma fatura da OpenNet. Na verdade, ao escolher um provedor de TV, este deve fazer um repasse para a OpenNet como pagamento pela utilização da infraestrutura. Obviamente, caso eu opte por não usar nenhum serviço, a OpenNet não receberá nada pelo investimento que fez de colocar a infraestrutura à minha disposição. Porém, o risco deles é pequeno: Nenhuma das operadoras de telefonia tradicional ou de TV a cabo tradicional se animaram a fazer uma conexão com o prédio em si. E ainda, como descobri mais tarde, meu apartamento está em uma zona de sombra da operadora celular escolhida pela empresa onde trabalho: Basta cruzar a porta de entrada e as barrinhas indicadoras de sinal desaparecem completamente. E te garanto que ficar na sacada a menos 5 graus em pleno Abril tentando achar um sinal não é tão divertido quando parece!

Foi nessa hora, morrendo de frio enquanto tentava conectar meu laptop utilizando a conexão via celular que descobri que o futuro não era tão brilhante conforme constava na brochura da OpenNet….  (Tenho de parar por aqui mas na próxima coluna finalizo a história.)

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Autor

L.MIDAS é analista de negócios de uma das maiores multinacionais do setor de telecomunicações e orador frequente em conferências sobre novas tecnologias, novos negócios e seu impacto no cotidiano das pessoas. O autor, natural de Belo Horizonte (MG) reside há mais de 10 anos em Estocolmo, Suécia, com sua esposa e três filhos. Seu primeiro romance, "Redes Sensuais", foi definido pela escritora Chirlei Wandekoken como “Uma trama inteligente, moderna e altamente sensual que retrata os impactos das Redes Sociais nos relacionamentos de forma cosmopolita e abrangente”. http://www.facebook.com/LMidas.Homepage http://www.facebook.com/RedesSensuais Michael Dahlén, autor de Nextopia (www.nextopia.info) e cinco outros livros, considerado um dos mais influentes pesquisadores do mundo na área de comportamento de consumidores, criatividade e marketing assina o prefácio da obra e afirma: “Um romance provocante que expõe os efeitos colaterais da internet” NOVIDADE: AMOSTRA GRÁTIS DE REDES SENSUAIS - Link para download de um "test-read" das primeiras 150 páginas da obra. http://ge.tt/78mDJLP Comentários, fotos, fórum de leitores na página: www.facebook.com/RedesSensuais

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