Tecnologia Social

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Gestão e topologia de rede

publicado por Carlos Nepomuceno

Como tenho desenvolvido aqui no blog, vivemos sob o efeito de uma Revolução Cognitiva.

Uma Revolução Cognitiva é um fenômeno raro na humanidade que provoca mudanças profundas na sociedade pela chegada e massificação de uma nova tecnologia cognitiva desintermediadora capaz de alterar a topologia de rede existente.

Podemos ter mais clareza agora ao afirmar que todo o ambiente social (incluindo econômico e político) é regido pela topologia da rede de plantão, como vemos na figura abaixo:

Podemos dizer que todas as organizações tradicionais trabalham e trabalhavam na topologia de rede passada, mais vertical, centralizada, com um modelo específico de validação do mérito, baseado na indicação hierárquica.

Quem praticamente dizia quem tinha mérito no ambiente era/é quem estava/está no topo da pirâmide, o que com o tempo vai bloqueando o espírito inovador, trazendo estagnação e, portanto, crises, ainda mais com o aumento contínuo da população, pois os interesses do topo intoxicam o novo que quer surgir.

Em uma Revolução Cognitiva, a sociedade adere à nota tecnologia cognitiva desintermediadora e passa a viver do lado de fora das organizações uma nova topologia de rede, que é  mais horizontal, mais descentralizada, com um modelo específico de validação do mérito, baseada atualmente na indicação do mérito, através do Karma Digital.

Quem passa a definir também  (pois se soma) o mérito (em menor ou maior grau) é quem faz parte de um dado ambiente mais descentralizado, através dos cliques involuntários e das indicações voluntárias  (seguir, curtir, estrelar, comentar, etc).

Os atores passam a ser regidos pela nova cultura meritocrática, com um amplo leque de variações, mas condicionados pelas “paredes” da nova topologia.

Não somos tão onipotentes como achamos e nem temos o total livre-arbítrio que gostaríamos, pois temos que  viver dentro da topologia de rede de plantão, que nos condicionou e irá sempre nos condicionar.

A diferença entre as duas topologias é gritante, pois estamos aprendendo que é a topologia de rede quem define a cultura da sociedade (incluindo a organizacional), condicionando a política, a economia e o ambiente social e não o contrário.

Ou seja, a nova topologia é mais dinâmica e quem adere a ela fica mais competitivo!!!

A nova topologia de rede digital é mais sofisticada do que a anterior: com seus problemas e qualidades, que precisam ser dominadas para serem gerenciadas.

Já defendi aqui no blog várias vezes que a nova tecnologia digital desintermediadora é aceita, massificada, divulgada, espalhada, pois atende as demandas latentes de uma população muito maior do que a anterior, que quer se informar, trocar, aprender, se comunicar.

A nova topologia, que nos leva à uma nova cultura humana, traz para o mundo um ambiente mais meritocrático, pois permite:

  • – novas fontes de informação pela redução do custo de circulação de ideias;
  • – maior troca de ideias, em menos tempo que na topologia passada;
  • – criação de Karmas Digitais, que permite criar um novo modelo de meritocracia tanto para pessoas, como para documentos, sites, fotos, filmes, tudo que esteja on-line;
  • – além da eliminação radical das fronteiras de tempo e espaço, quebrando intermediadores ao longo de sua evolução.

A nova topologia é, assim, um novo e bem-vindo ambiente de inovação muito mais sofisticado e dinâmico do que a passado e por isso a sociedade, que é, por sobrevivência, evolucionista por natureza, tenderá ao longo do tempo a migrar para esse novo modelo topológico, criando novas formas de gestão tanto organizacional, como política e econômica, como já temos visto a experiência em diversas projetos-pilotos nativos, na área pública e privada.

A questão que está colocada é como o mundo faz uma migração da topologia passada para a nova?

O problema principal é que as organizações de plantão não conseguem AINDA perceber o que de fato está mudando e têm procurado promover a passagem alterando práticas que estão na topologia passada, acreditando que estão mirando para a nova, mas, de fato, não estão!

Afirmo:  não é uma mudança de comunicação, tecnológica, nem na gestão, mas topológica da rede humana!!!

E como se faz mudanças topológicas humanas?

(Não, não existe um livro “Mudanças topológicas para Dummies”) :)

É preciso, pelo que tenho experimentado, criar uma célula separada (zona de inovação 2.0) para que os novos e velhos problemas passem a usufruir de forma integral e sem toxinas da nova topologia, dentro de uma plataforma plena da tecnologia cognitiva desintermediadora.

É preciso entender, assim,  que as duas topologias são incompatíveis, pois criam critérios de validação de processos, pessoas, métodos e documentos de forma distinta. Ou seja, resolvem os velhos e novos problemas de maneira diferente!

  • Na topologia passada são poucas pessoas que definem o valor, dão ideias, definem o rumo dos processos – critérios mais fechados de ação e de decisão;
  • Na nova,  mais gente define o valor, dá ideias, define o rumo dos processos – critérios mais abertos de ação e de decisão, pois o modelo de validação permite.

Na zona de inovação 2.0 teremos um novo ambiente mais meritocrático e aberto, que permitirá a inovação com outra dinâmica, mais compatível com a sociedade do lado de fora.

Ou seja, são dois mundos que convivem em paralelo, mas com  dinâmicas de solução de problemas distintas!

Por isso, que viver o início de uma Revolução Cognitiva é tão pirante!

As organizações nativas, os pensadores 2.0 e a geração Y estão mostrando o caminho e é através deles que o novo mundo está chegando e se estabelecendo, com toda a resistência e incompreensão que temos assistido.

Por aí..

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Autor

Carlos Nepomuceno é Doutor em Ciência da Informação pela Universidade Federal Fluminense/IBICT Instituto Brasileiro em Ciência e Tecnologia com a tese “Macro-crises da Informação”. Jornalista e consultor especializado em estratégia no mundo Digital, desde 1995 com foco no apoio à sociedade a lidar melhor com essa passagem cultural, reduzindo riscos e ampliando oportunidades. Atualmente, se dedica a implantação de projetos de “Gestão de Desintermediação”, que é uma metodologia criada integrada para preparar pessoas, metodologias e tecnologias para o mundo das redes sociais digitais corporativas. Professor nos seguintes cursos do Rio: MBA de Gestão de Conhecimento do CRIE/Coppe/UFRJ, Gestão Estratégica de Marketing Digital e/ou Mídias Digitais nos cursos de Pós-graduação da Faculdade Hélio Alonso (IGEC), Mídias Digitais Interativas no Senac/RJ e Marketing Digital na Fundação Getúlio Vargas. Escolhido como um dos 50 Campeões brasileiros de inovação, pela Revista Info, em 2007. É também co-autor junto com Marcos Cavalcanti do primeiro livro sobre Web 2.0 no Brasil: Conhecimento em Rede, da Editora Campus/Elsevier, utilizado em vários concursos públicos, incluindo o do BNDES. Diretor Executivo da Pontonet, primeira empresa de Consultoria da Web Brasileira, fundada em 1995, que reúne em sua carteira mais de 340 projetos de consultoria estratégica em Internet, mais recentemente tem trabalhado na Vale, BNDES, Petrobras, Dataprev, Prodesp, Embrapa e Natura. Site: nepo.com.br

Carlos Nepomuceno

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