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Empresa familiar pode ser profissional?

publicado por Roberto Carvalho

Bom dia à todos.

É um fato de que as pequenas e médias empresas vem tendo taxas de crescimento substanciais ao longo dos últimos dois, tres anos. O mercado vem crescendo, a classe C passou a ter acesso ao crédito de forma mais fácil (mas ainda muito cara), e entrada de novos fornecedores, especialmente os asiáticos, fez com que houvesse uma oferta maior de produtos de consumo. Mesmo o ramo automobilístico tem mostrado este fenômeno.

Acontece que estamos todos assistindo a uma mudança de status em nossa economia. Para quem tem mais de trinta anos, lembra-se de que as regras de mercado sempre foram de certa forma ditadas pelas grandes corporações, que regulavam estoques, definiam preços, contratavam um número maior de pessoas e também um sem-número de empresas satélites, normalmente empresas de menor porte. Em alguns mercados esta relação sempre foi caracterizada pelo canibalismo da maior contra a menor, que sofriam as variações de “humor” de seus (muitas vezes) único cliente.

Com esta mudança, as pequenas e médias empresas, e porque não dizer as micro empresas também vem tomando um espaço maior na economia. Juntas, já empregam mais do que todas as “Grandes” corporações. Já movimentam mais também. Entretanto, essas empresas são em sua grande maioria fruto da iniciativa de um indivíduo que lá atrás acreditou em um determinado negócio e hoje, heroicamente, está ai no mercado. São estruturas familiares, que funcionam de uma maneira menos formal, sem muitos controles, modelo de gestão, etc. O ponto mais frágil que vejo é que por ser familiar ela tem dificuldade em se profissionalizar, além do fato de criar sócios que são irmãos, primos, sobrinhos….e isto, considerando que existem relações pré-existentes, com conflitos pré-existentes, não raro põe abaixo todo um empreendimento, além é claro das relações familiares.

Temos um exemplo claro que foi o que ocorreu anos atrás com o Grupo Pão de Açúcar. Fundamentalmente, por motivos de família esta empresa quase quebrou. Não sei a quantas anda o convívio familiar, mas a saída para a crise foi a profissionalização, a transferência da gestão, a saída de um dos membros (ou mais de um), a criação de comitês e a efetiva profissionalização de toda a corporação.

É sem dúvida uma atitude que demanda de coragem, apesar de que acredito – mas posso estar errado – que os empresários só chegam a esta conclusão quando estão no limite de perder tudo o que tem, quando todas as outras alternativas foram tentadas e frustradas.

Considere um processo longo, penoso e árduo, tanto para quem está na Empresa quanto para aqueles que se sentam à mesa do jantar com voce. Pense nisso, para que voce não cheque à este limite também.

Obrigado pela leitura

@carva45
Visite: http://blogrobertocarvalho.blogspot.com/2011/04/empresa-familiar-pode-ser-profissional.html

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Autor

Profissional de desenvolvimento humano. Atua com Coaching, mediação de grupos e de suas dinâmicas. Analista de perfil comportamental, com larga experiência no mercado corporativo. Co-autor do livro "Condicionados para o sucesso - Mudando Paradigmas"

Roberto Carvalho

Comentários

3 Comments

  • Roberto
    Vc tocou num ponto crucial, com muita competência.
    Sabemos que esta é a ponta de um iceberg.
    Em minha experiência, sem qualquer tradicionalismo, a família, de qualquer nível social é o grande empregador de mão de obra. A pequena empresa familiar é a principal responsável pelo emprego e renda do país.
    Infelizmente apenas duas em cada cem, sobrevivem após cinco anos, segundo o Sebrae. Mas ressucitam de novo com outro negócio mais à frente.
    Apenas destaco que as grandes corporações, também são familiares. A Andrade Gutierrez, Camargo Correia, Votorantim, Pão de Açúcar, mesmo com executivos profissionalizados são comandadas por famílias.
    O mesmo ocorre no exterior onde, p. ex. o Grupo Fiat é comandado pela família Agnelli. A morte de um sobrinho, o suicídio de um filho, a sucessão do velho Comendador por um sobrinho de 26 anos e um tio com mais de 80 são demonstrações de que a família ainda constitui a principal base da sociedade e dos negócios.
    Continue com o tema. Interessantíssimo.

  • Ps. Estou replicando comentário pois esqueci de assinalar para me notificar respostas por email. Desculpe. Mata o véio (rs).

  • Ivan

    Muito obrigado pela rica contribuição. Efetivamente, muitas empresas são familiares. Em muitas temos um caso de sucesso e em outras não. As Empresas que voce citou mostram bem isso. Lembre-se de que o grupo Pão de Açúcar quase quebrou, por uma questão familiar, o que nos faz refletir sobre a relevância e importância da família dentro do contexto profissional.

    Vou seguir sua sugestão e continuar no tema!

    Mais uma vez, obrigado pela contribuição

    Grande abraço

    Roberto Carvalho
    @carva45

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