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Eco Liderança de Sete Bilhões, mais Sete Bilhões e um centavo de euro

publicado por Davambe

Depois de muitas choraminhices os sete grandes animais: Elefante, Rinoceronte, Búfala, Hipopótamo, Crocodilo, Baleia e Girafa, reuniram-se para minorar o problema da ameaça de extinção na face da terra.

Ao olharem em sua volta perceberam o estrago que haviam feito na mãe terra, alguns a choramingar com medo do que será este lugar dentro de alguns anos se ninguém, nada fizesse.

Foi então que sem muita hesitação e rodeios, o rinoceronte decidiu calar a todos que choravam pela paz, tranquilidade e bem comum, tão procurados como a sombra em dia ensolarado. Por anos adentro se prometera benefícios para todos, a partir da aliança da ciência e tecnologia. Que dupla! Que estaria a serviço de todos, não se importando, se África, América, Ásia, Europa ou outro lugar. Há quem diga que todas as invenções tiveram um olhar nessa dicotomia: ciência e tecnologia. Todos esperam por esse milagre, como todas as noites esperam com a certeza de um dia maravilhoso, com o sol brilhante sobre o rosto límpido do universo.

“Sete bilhões de euros”, disponibilizou o rinoceronte, “para a nossa salvação.”

“Acordou com macaca, foi não marido?”, perguntou a rinoceronte, ainda curiosa com a comoção. “Como pode oferecer assim esse dinheiro, sem mais nem menos?”.

“Esposa, temos tanto e a espécie está em perigo”, disse ele, “Ainda há tempo para se fazer alguma coisa”.

“Tá de brincadeira”, comentou ela, “acha que pode salvar o mundo sozinho? O que destruímos juntos.”

Mas ele tinha pouca disposição para diálogo, levantou, foi a buscar um líder para gerenciar os sete bilhões de euros.

“Um Tigre!”, comentou um amigo indicando aquele felino pela sua capacidade e pela fama de ser o rei da floresta no sul do Oceano Índico.

“O Tigre? Estava a pensar no Leão”.

Passaram o dia trocando ideias sobre o líder ideal.

“Talvez a Jiboia!”

“Uma boa ideia, não precisará alimentar todo o dia, mas quantos anos vive?”

O que estava em questão não era economizar nem gerar lucros escandalosos através de uso incansável da ciência e tecnologia em busca do tão prometido bem estar coletivo. Que até então era à custa da própria animalização, sem resultados palpáveis. Os mais antigos costumavam dizer : “Sim, a ciência e a Tecnologia trarão benefícios para todos, para o universo!”, orgulhavam-se muito por isso, várias descobertas foram celebradas, mas que ainda há o sem grão de arroz a passar desnecessidades.

“O tempo de vida de um felino é muito curto, talvez fosse interessante alguém que tenha vivenciado os últimos cem anos.”

Esse discurso fez com que o Leopardo andasse para traz, sem tirar o olhar andou a ré.

A notícia de rejeição dos felinos para liderança caiu como deboche coletivo, “lá vem o fanfarrão”, dizia o coelho ao ver o Leão.

“O duro é que esse é um deles”

“Fanfarrão dos melhores.”

Num dos melhores dias, o capitalista dos sete bilhões descobre um réptil e convida o amigo para coletar sua opinião.

“Sabe gajo, acho que temos dinheiro suficiente”.

“Também acho!”, num gesto desesperador o Elefante Cinzano, também imita o gesto do Rinoceronte, oferecendo sete bilhões e um centavo.

O impasse de gestor continuava até que o rinoceronte achou interessante chamar o camaleão para ser entrevistado, afinal os pequenos eram os maiores sofredores e ninguém os tinha feito a proposta de liderar.

“Essa é boa, chamar o camaleão, esqueça isso!”

“Vamos ouvi-lo, embora ele viva pouco, pode ser que tenha alguma contribuição”.

As horas foram se somando; dias mais dias; semanas mais semanas; de repente os meses também imitaram os dias, um somando-se a outro, mesmo sem autorização, até que durante a entrevista com o camaleão, o Rinoceronte teve a ideia de chamar o Cágado. Era um réptil que podia contar algo do passado recente e pela sua sabedoria e limitação fosse um dos maiores contribuintes para contenção de destruição da floresta pelos animais de grande porte.

“O quê, Cágado vai gerir os recursos para salvar da extinção?”

“Cágado é o Líder com recursos suficientes para salvar o mundo.”

A notícia andou a correr muito rapidamente, ao mesmo tempo em que se tornou uma piada, ninguém acreditava. Em poucas semanas estava dado o sinal verde para que o réptil iniciasse o projeto Sete bilhões, mais sete bilhões e um centavo.

Em alguns dizeres, ouvidos em alta voz, durante a posse, o Cágado conseguiu desagradar o seu maior inimigo, o Leão.

O Leão esperou até que todos fossem embora, para, de forma violenta, pegar o Cágado e deixá-lo de barriga para cima. Ficou a murmurar por muitas horas enquanto tentava se virar. Colocou a cabeça a espreitar até se certificar que estava sozinho, foi esticando as perninhas centenárias devagarzinho a tremer, sem sucesso tentou virar. À noite, passando por próximo uma cobra, soprou o suficiente para pôr o Cágado em posição normal para movimentação. A partir daquele dia não acreditava mais na democracia, que o acompanhara por mais de cem anos, tratou de reforçar a segurança pessoal e trabalhou durante 340 dias, para emanar orientações de como salvar a espécie animal de extinção.

Um mês antes de fazer a primeira comunicação de regras para a salvação, ouve uma boataria que fez com que vários animais terríveis e depredadores se suicidassem na véspera, inviabilizando o comunicado. Mais um mês se postergara a comunicação, enquanto isso mais animais morriam desgostado do que o réptil iria falar. De repente ele era tido como a luz para guiar o universo animal, tão judiado como ele, que por várias vezes recebeu urinadas de vários animais ferozes, que não se importavam com ele e que naquele momento devia conduzir a animalidade para uma vida eterna, além das previsões.

Os sete animais começaram a exigir comunicação imediata e o escopo preliminar.

“Mato esse Cágado”, dizia a Búfala.

“Você morrerá antes de matá-lo”, dizia o Rinoceronte, “ele tem apoio da maioria”.

“Brevemente ele mostrará o planejamento”, dizia o Elefante Cinzano, “ vamos aguardar”.

“Estou curioso”, disse trêmula a Baleia, “como ele vai resolver o dilema?”

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Consultor de TI, com mais de 25 anos de experiência, Escritor. Autor de "O Segredo da Felismina", "Tanto Lá Quanto Cá" e "A Sereia de Tupa". Email: geraldo.nhalungo@davambe.com.br www.davambe.com.br

Davambe

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