É osso!

por Mauricio Veneroso
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É bem comum ouvir alguém falando de vez em quando: “Fulano pegou o filé mignon e deixou o osso pra mim! Ninguém quer roer o osso!”

Esse artigo extrapola um pouco esse aspecto pessoal e parte para o lado da relação entre as empresas.

Faz parte da evolução mercadológica, há muito tempo, a especialização das empresas em seu chamado “core business” que é definido pela estratégia da empresa para o mercado.

Essa especialização evoluiu em função do ponto forte e estratégico da atuação de determinada empresa e traz benefícios incríveis para o mercado.

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A qualidade dos produtos, o preço, o relacionamento com os clientes, tornam-se também especializados e os consumidores só tem a ganhar.

A decisão de terceirizar uma atividade na sua empresa é uma decisão muito mais que operacional. É uma decisão estratégica.

E parte da estratégia das empresas é decidir se vai comer apenas o filé mignon ou se vai precisar roer o osso também.

E nessa linha de raciocínio gastronômico, a direção de algumas empresas acaba fazendo o papel de nutricionista/cozinheiro desse grande restaurante chamado empresa e tem que explicar/convencer os acionistas que terão que roer alguns ossos.

Em situações onde não é possível convencê-los, ou quando acaba-se decidindo que não haverá osso para o almoço, corre-se o risco de ter um grande problema.

Os investimentos naquilo que não é o core business são mal vistos. Afinal ninguém quer gastar dinheiro a toa. É como pagar o seguro de seu carro. Ninguém gostaria de pagar até o dia do sinistro e então vê quão bom foi ter pagado ou quão péssimo foi ter achado que era desperdício. Afinal, ninguém quer roer o osso.

Dai surgem as especializações das empresas que começam a formatar negócios e agregar valor ao “osso”.

Em TI existem diversas alternativas de especialização, desde outsourcing da própria TI, do desenvolvimento de soluções, hospedagem de equipamentos, sistemas e até links de dados.

O ponto é que para o consumidor final, seja fazendo um grande trabalho ou um péssimo trabalho, o nome que aparece para aquele serviço, é o do contratante, é daquele que interage com o consumidor e não para quem foi terceirizada determinada atividade.

Certa vez uma empresa encaminhou uma lista de contatos, numa planilha eletrônica, para enviar uma mala direta e alguém na gráfica que faria a impressão e envio, acabou classificando a lista em ordem crescente de CEP para facilitar a postagem. Só que alterou a ordem apenas da coluna de CEP.

Resultado: TODAS as correspondências voltaram para a empresa que encomendou o serviço.

A área de TI ao se justificar para o presidente da empresa sobre tal falha, alegou que a culpa foi da gráfica e o presidente simplesmente pegou um daqueles envelopes que havia retornado por ter o endereço do destinatário completamente errado e mostrou para o responsável da TI perguntando:

“É o logotipo da gráfica ou da nossa empresa que está no envelope?”

Foi silêncio total da área de TI que estava na reunião.

O recado aqui é, ninguém é obrigado a roer o osso mas se você for terceirizar essa atividade lembre-se que a qualidade daquele serviço, boa ou ruim, para o seu cliente, será de sua total responsabilidade e não de quem você contratou para roer o osso.

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